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Chocolate

imagem de Luciana
Enviado por Luciana em dom, 04/08/2012 - 21:06

Existem filmes que, por mais que não sejam aplaudidos e apreciados pela maioria, temos um imenso apreço por eles. Esse é o meu caso com Chocolate. Filme dirigido por Lasse Halltröm (de Regras da Vida), Chocolate é baseado na obra homônima de Joanne Harris (que infelizmente não li) e protagonizado pela belíssima e talentosa Juliette Binoche.

Vianne Rocher (Binoche) e sua pequena filha Anouchka chegam a um pequeno vilarejo no interior da França, em um dia ventoso de inverno. A cidade, que é visivelmente controlada pelo Conde Reynaud (Alfred Molina), que também é prefeito da mesma, vive sob rigorosíssimas regras de conduta, e Vianne chega ao local para pô-lo de pernas pro ar.

A história se passa no ano de 1959, e gira em torno da misteriosa Vianne, descendente direta de uma tribo indígena que guarda o dom e o segredo da produção de chocolates artesanais. Em determinado momento da narrativa ouvimos dizer que “o cacau tem o poder de libertar os desejos ocultos das pessoas”. E ela, carrega o dom de acertar o chocolate que cada pessoa que a procura esteja necessitando naquele momento. Ela inaugura na cidade uma chocolataria, e se não bastassem seus modos avançados demais para o local, a loja é inaugurada em plena Quaresma, o que évisto pelos mais conservadores como uma afronta aos seus costumes.

Logo ela se vê sob a mira de falatórios e conspirações, principalmente os aventados pelo prefeito, em uma excelente atuação de Alfred Molina. Aliás, aproveitando, é interessante compararmos o figurino dos personagens. Vianne e sua filha chegam à cidade envoltas em uma capa vermelha, ela usa roupas vermelhas, sapato vermelho e maquiagem. Ela é uma personagem que sabe o que quer, que pode ter seus medos, mas não permite que ninguém a desmereça. A maioria dos outros personagens se veste sobriamente, utilizando-se de tons neutros, escuros. O prefeito não foge à regra, mas podemos vislumbrar sob seu terno sóbrio, uma elegante gravata vermelha. Mais adiante poderemos perceber que ele guarda algo oculto dentro de si, e que isso pode vir à tona a qualquer momento.

A meu ver, isso demonstra que a direção de arte foi extremamente eficaz ao se utilizar deste pequeno artifício das cores para mostrar as mudanças e o caráter dos personagens. Percebam como Josephine, em uma ótima interpretação de Lena Olin, muda drasticamente seu figurino no momento em que sua personagem passa por uma reviravolta em sua vida. E digo isso na questão de cores. Posso estar delirando? Talvez, mas creio que não. Outro ponto positivo para a direção de arte é a criação dos cenários do filme. Cada ambiente possui um caráter próprio, seja ele a igreja da cidade, ou o barco dos supostos piratas que atraca às margens do rio.

Por falar em piratas, temos aí uma bela interpretação de Johnny Depp, que encarna Roux, um dos errantes que chegam à cidade. E é com Vianne que ele irá se entender no local, pois a maioria conservadora não tolera um desgarrado, uma mãe solteira ou um pecador. E é interessante ver Depp em um papel que não o de protagonista.

Algumas atuações a mais – mas não necessariamente tão secundárias – merecem destaque, como a de Judi Dench que faz Armande, uma das poucas na cidade que vão contra as regras. E também Carrie-Anne Moss, que no papel da filha de Armande, e apesar de uma boa atuação, não consegue convencer em certa mudança de sua personagem, que parece extremamente forçada.

A bela e inspirada trilha sonora de Rachel Portman rivaliza em mérito (no bom sentido, é claro) com a marcante fotografia entregue por Roger Pratt, que complementadas uma pela outra nos entregam um conjunto e tanto. O roteiro peca em alguns pontos, principalmente em não desenvolver adequadamente determinados personagens, deixando-os rasos, como por exemplo, o padre da cidade. Mas acerta em vários outros como na associação do “vento norte” como um fator que acompanha as grandes mudanças, e no fato de deixar o filme oscilar entre o real e a fábula, algo ajuda a conceder certa beleza e ingenuidade à história.

Para muitos, Chocolate pode ser um filme totalmente descartável, mas para alguns (como eu, por exemplo), é um filme cheio de significados. É repleto de clichês? Sim. É previsível em determinados momentos? Claro, em muitos. Mas tem uma beleza e uma sutileza que me encantam. Muitos criticaram Juliette Binoche por esse papel, de que não mereceu a indicação ao Oscar de Melhor Atriz naquele ano, etc, etc. Para mim a personagem de Binoche é algo extremamente complexo. Aos poucos conhecemos suas origens e algumas de suas motivações, mas o que percebo por trás de tudo isso é uma pessoa que, ao ajudar os outros a dar um novo rumo às suas vidas, ela está cumprindo seu papel, e assim se sente completa como pessoa. Por mais que a sua própria vida seja cheia de altos e baixos.

Enfim, Chocolate é um filme que ou você ama, ou você odeia. Conta com um elenco admirável e uma história, que apesar de simples, em minha opinião,é contagiante e bela.

 

Poltronas 

4

Comentários

imagem de Lilian Maria Ramires

Enviado por Lilian Maria Ramires (não verificado) em sex, 06/15/2012 - 23:10

Olá.. Chocolate é um dos melhores filmes que já assisti. Sacudiu a minha alma.. Estava à procura do tal "vento norte"...e te achei.. que bom!

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