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A Saga Molusco: Anoitecer

imagem de Maza
Enviado por Maza em qua, 08/01/2012 - 21:19

Nunca escondi, minha paixão por filmes vem desde pequeno, e os bons filmes dos anos 80 ajudaram para que aos poucos eu fosse me tornando um cinéfilo, por assim dizer. Algo sempre recorrente em minha infância eram aqueles tipos de riso fácil, pastelão... lembro com muita alegria de Apertem os Cintos, o Piloto Sumiu (Airplane!, 1980), de Superconfidencial (Top Secret!, 1984) e assim por diante. Os anos 90 mal começaram e lembro de Leslie Nielsen memorável em Corra que a Polícia vem Aí (The Naked Gun: From the Files of Police Squad!, 1988, mas que só vi nos anos 90). Entretanto, aos poucos, o humor ingênuo e politicamente incorreto foi sendo modificado, a originalidade era jogada de lado em prol de ‘gags visuais’ (não vale a pena dizer que são piadas) preconceituosas, carregadas de racismo, de mau gosto e tudo mais. O primeiro Todo Mundo em Pânico (Scary Movie, 2000) teve lá seu valor em mesclar cenas de diversos filmes no fim dos anos 90 com uma novata, mas engraçada, Anna Faris. As continuações invariavelmente ficaram irregulares e também abriram margem para novos filmes dessa ‘linhagem’. Era questão de tempo então, para nos anos que se sucederam, termos filmes tirando sarro da infame ‘saga Crepúsculo’. Infelizmente, pior que uma saga arrastada sobre falsos vampiros é você debochar sem criatividade alguma de algo já ruim, imagine o pior. Pois bem, A Saga Molusco: Anoitecer consegue ir ainda mais ao fundo do poço do que seu pesadelo mais recorrente.

Desde os primeiros 30 segundos já percebemos o que teremos durante pouco mais de execráveis 75 minutos, um deboche à Bella, Edward, Jacob e Cia, sem qualquer coerência narrativa, e assim por diante. A montagem se mostra capenga mesmo nesses segundos iniciais, quando observamos determinado personagem (irrelevante, como tudo no filme) na chuva e do lado um vulto aparece e tira a roupa dele. Passados 2 segundos o vulto ressurge e arranca um dente do personagem, personagem este que agora está de roupa e assim permanece ao longo da cena: o porquê do personagem ter aparecido sem roupa? Nenhuma explicação, só pode ser erro de edição, erro de continuidade, não existe lógica alguma nisso. Talvez tenha uma razão, mesmo que sem lógica, um indicativo: se você continuar a olhar esse filme, será por sua conta e risco.

A Saga Molusco: Anoitecer(no original Breaking Wind – part 1, denotando mais uma canalhice das distribuidoras brasileiras, a fim de tentar trazer algum público a mais aos cinemas para sofrer com a obra, esta que foi lançada nos cinemas por aqui, mas no país de origem foi direto para home vídeo... tirem suas conclusões!) traz em Heather Ann Davis uma Bella incrivelmente nem tão insuportável e irritante como a sonsa interpretada por Kristen Stewart na saga original. Eric Callero trabalha Edward de forma apática, sem qualquer noção de como atuar ao menos de forma aceitável. Pior que isso é Frank Pacheco no papel de Jacob, um gordo sem camisa que passa o filme inteiro comendo e peidando, se cagando nas calças, como boa parte do elenco (não é uma expressão de sentido figurado, isso acontece mesmo no ‘filme’).

Já que falei em peidos, o filme carrega boa parte de suas piadas dessa forma, dos atores passarem mal o tempo todo, se borrando nas calças, sofrendo de flatulências a cada 2 minutos, demonstrando que ao longo do filme só sabem fazer m**** é, é bem por aí. Quando não peidam, vivem comendo, um trocadilho imbecil com os vampiros vegetarianos da outra saga, talvez seja isso o que o diretor e roteirista Craig Moss pensou quando elaborou tais cenas constrangedoras, imaginou um humor, algo engraçado na tela (algo que obviamente não acontece).

Tecnicamente o filme fracassa miseravelmente, com uma fotografia idêntica em todo o filme, seja em dias quentes, frios, na cidade, na floresta... tudo é igual, tudo é uma mesmice, quando não constrangedor. Os constantes planos aéreos mostrados no longa não são uma homenagem aos filmes de Crepúsculo ou acrescentam algo ao filme: basicamente são uma forma calhorda de inserção de narrações em off, ou apenas para identificar a passagem de tempo, o que de uma forma ou de outra, é um recurso plenamente desnecessário, quando não dizer medíocre. O roteiro trata tão somente de jogar pequenas ideias desconexas na tela, sem maior sentido ou lógica narrativa. Pior que isso é apelar para o humor grosseiro, carregado de diálogos vergonhosos e insinuando justo aquilo que a Bella original nunca foi, uma ‘bitch’. Tudo bem que trollar com uma saga de falsos vampiros é algo que todos têm o direito de fazer, agora fazer piadinha envolvendo sexo a cada minuto é tão anos 80 e 90 – o que de pior havia naqueles anos, não as coisas boas já mencionadas. E assim o diretor deve se achar engraçado, com situações de mal gosto a todo instante, chegando ao ápice de jogar na cara do espectador que a protagonista estava com cheiro ruim na boca devido ao sêmen de um cachorro (sim, isso acontece).

Além do já citado, “Molusco” ainda tem a proeza de seguir na mesmice naquilo que em outros filmes do gênero funcionam de forma razoável, as referências. Aqui tudo é jogado em cena praticamente de forma nula, sem qualquer sentido. Sendo assim, observamos cenas que remetem, de forma descartável, à Atividade Paranormal, A Origem, Harry Potter, Avatar e outros (até referência à Austin Powers existe, com alguns anões fazendo papéis de ‘mini Cullens’). Talvez a única coisa que não seja plena no constrangimento habitual do filme seja a participação de Danny Trejo como Billy Black, líder da tribo dos lobos, contando uma história que detona justamente certo Johnny Depp e diversos personagens bizarros que já interpretou, sendo eles tão parecidos, idênticos uns aos outros (no caso, Edward Mãos de Tesoura = Willy Wonka = Jack Sparrow = Chapeleiro Maluco). Mas claro, a situação não se torna suportável, pois no final o eterno “Machete” sai de cena pelo fato de... estar se peidando todo, se borrando nas calças, etc.

Em seu término, a obra ainda tem a cara de pau de falar que é dedicada aos fãs da ‘saga Crepúsculo’, exibindo durante alguns torturantes minutos a garota que surta a cada trailer divulgado em relação às adaptações dos livros de Stephenie Meyer, e que virou sua marca na internet. Se a ideia era mostrar o quão ridícula era sua atitude, a decisão foi péssima, visto que se a imagem da garota insana é constrangedora (mas de tão ridícula chega a ser engraçada, rir da situação patética dos outros), ela passa longe do que é este filme. Entre conotações sexuais, piadas infames, montagem irregular e nada de história, A Saga Molusco: Anoitecer nos deixa apenas com uma conclusão: pior que olhar um filme em que todo mundo fica se borrando o tempo todo, é alguém que dirige e escreve um filme como esse, deixando sob suspeita se o mesmo não sofre de diarreia mental. Ao menos se isso acontecesse, estaria explicada parte da merda que é este filme. Saudades dos bons filmes pastelões dos anos 80, do humor incorreto, mas de forma inteligente...  saudades!

Poltronas 

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