O Nome é Bond, James Bond - Parte 1

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Enviado por Rafael em qua, 11/28/2012 - 10:09

Arte da capa por Jeffrey Marshall

007 contra o inexpressivo George Lazenby

Após ter assistido a todos os filmes da franquia James Bond, uma questão ainda me atormenta: como descrever o personagem? A princípio a tarefa é fácil. Parafraseando o ex-espião Valentin Zukovsky (Robbie Coltrane), James Bond é um charmoso e sofisticado agente da MI6. Também se pode dizer que Bond é um personagem atormentado: se tornou órfão cedo, perdeu as duas mulheres que amou devido à sua profissão, sem contar o serviço sujo que faz para proteger a rainha e o país. Ambas as definições estão corretas, mas o personagem James Bond vai além: ele é um ícone, representando todo um universo divertido e perigoso, repleto de aventuras, mulheres fatais, perseguições, lugares exóticos e Martini (batido, não mexido).

E não é só o universo do personagem que ajudou a torná-lo o que ele é, os seis atores têm bastante mérito na construção do mito. Cada um abordando o personagem de forma singular, acompanhando, assim como os filmes, a época em que está.  Falar de todos em um só texto seria excessivo, pois praticamente todos têm características que merecem uma melhor analise, portanto nada mais justo do que dividir por eras.

 

Sean Connery, o melhor

Do you expect me to talk? No, Mr. Bond. I expect you to die!”

Não há como não gostar de Sean Connery interpretando o personagem. O contraste entre a fisionomia sisuda de Connery e o charme do personagem, casando perfeitamente a brutalidade da profissão de Bond com a elegância com que ele a executa, em outras palavras, Sean Connery conseguiu produzir charme na violência e assim, ser um espião com licença para matar surge como algo atraente. Foi na era Connery que as principais marcas do personagem foram construídas, todo o universo que hoje atribuímos à Bond foi inserido aos poucos em cada filme desta era. O único grande inimigo dos filmes de Connery é justamente o tempo. Eles ainda funcionam bem, mas vistos hoje podem soar bobos e machistas, o que condiz com a época dos longas. Os vilões megalomaníacos que não preferem matar o herói do modo mais rápido e as mulheres objetos foram ao poucos mudando conforme os filmes. Se antes tínhamos Ursula Andress como uma garota burrinha, em Goldfinger já temos Honor Blackman interpretando uma piloto de avião que faz frente a Bond, inclusive negando algumas de suas investidas. Dos filmes que Connery protagonizou, todos conseguem funcionar bem, sendo que os três primeiros (Dr. No, Para Rússia com Amor eGoldfinger) são os melhores, com personagens marcantes e sequências de ação bem construídas. Seu filme mais fraco, ainda que mediano, é justo o não oficial 007 - Nunca Mais Outra Vez, uma copia de 007 contra a Chantagem Atômica, com um Connery mais velho e sem o mesmo atrativo dos anteriores.

  • Melhor filme: 007 contra o Satânico Dr. No
  • Pior Filme: De todos, 007 – Nunca Mais Outra Vez. Dos oficiais, 007 – Os Diamantes são Eternos
  • Melhor Bond Girl: Pussy Galore (007 contra Goldfinger)
  • Melhor abertura/música: 007 contra Goldfinger. Não se esquecendo do tema do personagem que é abertura de 007 contra o Satânico Dr. No.
  • Melhor Vilão:  Goldfinger.  Com menção honrosa a Dr. No e a Ernest Blofeld
  • Menção Honrosa: Aston Martin DB5, mesmo tendo usado vários, este é o carro de James Bond.

George Lazenby,  o mais fraco

“This never happened to the other fella.”

O modo como Lazenby foi contratado ajuda a entender o porquê de ele ser o mais fraco James Bond de todos: Depois da saída de Connery, com medo de ficar associado demais ao personagem, os produtores começaram a busca por um sucessor. Depois de diversos testes, encontraram com George Lazenby, modelo que tinha mentido sobre sua carreira de ator e invadido o estúdio para poder conseguir a entrevista. Após descobrirem que Lazenby nunca atuou, os produtores admirados com o modo como tudo ocorreu deram o papel para Lazenby. A conclusão que pode ser tirada desta breve história é o tamanho desespero dos produtores para substituir Connery, a ponto de aceitar Lazenby apenas por ter demonstrado coragem. Isso influenciou direto no filme 007 – A Serviço Secreto de Sua Majestade, que tentava inovar nas aventuras de Bond, tornando-o mais um nice guy, por assim dizer. James Bond passou a ser responsável, se apaixonando e casando. O publico na época não estava pronto para esta mudança de comportamento que, somada com a falta de talento do ator, acabaram complicando o resultado final. Mas isso não quer dizer que o filme seja ruim: 007 - A Serviço Secreto de Sua Majestade funciona sendo um longa mediano na sua proposta, ficando no meio do caminho, sendo superficial tanto no olhar aprofundado ao personagem a que propõe, quanto a entreter. Ao longo da franquia o filme se tornou um referencial justamente por inserir o primeiro trauma cinematográfico da franquia e por ter a famosa sequência de perseguição de esquis (repetida em diversos outros filmes da série). Devido ao fracasso de bilheteria e aos diversos desentendimentos entre o ator e os produtores, Lazenby pediu demissão (ele tinha um contrato para mais 6 filmes) e sentenciou sua carreira, condenando-o a investir na carreira de dublador.

Roger Moore, o canastrão

“But James, I need you! So does England!”

Depois de um breve retorno de Sean Connery em 007 – Os Diamantes São Eternos, foi a vez de renovar o personagem trazendo um ator mais novo, já que Connery além de estar cobrando um excessivo cachê estava se tornando velho demais para o papel.  Roger Moore assumiu o papel do personagem trazendo mais humor e tornando-o mais conquistador (7 mulheres passaram pelos seus braços apenas no primeiro filme). Seu Bond pode ser considerado o mais “garanhão” se comparado com os demais. Esta nova versão do personagem condizia com o roteiro que elevava todo o universo construído nos filmes de Connery. Tudo era maior: os vilões mais caricatos, seu planos idem, as mulheres mais dúbias, as perseguições mais grandiosas, etc.  Foi uma forma de voltar ao que deu certo nos anteriores e ampliá-los, os produtores pegaram a fórmula retirando os elementos sombrios e aplicando por toda esta era: todos os longas de Roger Moore são basicamente os mesmos filmes. Um dos motivos em evitar que fosse sombrio foi justamente a Guerra Fria, que ainda estava em alta, tanto que nenhum filme usou os russos como vilões explicitamente (sempre era um renegado do governo, alguém que ia contra os russos), chegando a inclusive ser aliados momentaneamente de Bond 007 – O Espião que me Amava. Os filmes protagonizados por Roger Moore, por serem feitos em um ritmo industrial, e como já dito, serem feitos com o mesmo método, acabaram resultando em vários longas fracos/regulares, sendo poucos os memoráveis.  Os filmes ficavam dependentes das cenas de ações, elas é que passavam a guiar um fiapo de história, além do carisma de Moore, que amenizava a experiência.

  • Melhor filme: Com 007 Viva ou Deixe Morrer
  • Pior Filme: 007 contra o Foguete da Morte
  • Melhor Bond Girl: Melina Havelock de 007 – Apenas para seus Olhos
  • Melhor abertura/música: Com 007 Viva ou Deixe Morrer, com menção a Duran Duran e A View to Kill do filme homônimo.
  • Melhor Vilão: Por mais que me doa não escolher Francisco Scaramanga, personagem de Christopher Lee, fico com o psicótico Max Zorin (Christopher Walken) do subestimado 007 – Na Mira dos Assassinos.
  • Menção Honrosa: Ao invés de citar a Walter PPK e o Lótus submarino (itens que marcaram Bond), preferi citar a passagem do personagem pelo Brasil em 007 contra o Foguete da Morte, com direito a pirâmide Maia no meio da Amazônia.

 

James Bond irá retornar na segunda parte deste artigo.

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