O Nome é Bond, James Bond - Parte 2

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Enviado por Rafael em ter, 12/04/2012 - 08:19

007 contra a Lei de Murphy

Dando continuidade com segunda parte do artigo, é hora de abordar os últimos três atores que assumiram o manto do personagem icônico nas últimas três décadas, respectivamente. Os três atores são bastante populares devido ao fato de que grande parte do público atual conseguiu acompanhá-los. E assim como os anteriores, cada um trouxe uma nova visão para o personagem acompanhando o modo como o mundo estava na época.

 

 

Timothy Dalton, o azarado

“You keep it, old buddy!”

Quando Dalton assumiu o papel, a guerra fria tinha terminado e a AIDS estava em alta. Ou seja, em uma tacada só Bond perdeu seus inimigos e teve que conter seus impulsos sexuais. A solução foi retomar a abordagem realística, com um James Bond menos fantasioso, mais humano. Tanto em 007 – Marcado para a Morte quanto 007 – Permissão para Matar (principalmente neste segundo), todo o glamour da vida de espião é retirado em troca de um universo mais realista, mais brutal, ainda que os filmes não tentem se aprofundar na construção desta brutalidade, dando apenas uma abordagem superficial. Dalton acabou limitado aos roteiros, fazendo um bom trabalho com o fraco material que tinha em mãos ao tentar abordar o personagem mais humano, como o roteiro propunha, ainda que adicionando um pouco do charme e do humor do universo do personagem. A sua abordagem ao personagem funcionou se tornando algo maior que o filme, embora as tramas fracas desperdiçavam a boa atuação do ator. Digno de nota é o fato de que Dalton, apesar de já estar velho para o personagem, conseguiu sustentar as poucas empolgantes cenas de ação de ambos os filmes. Mesmo com toda a disposição do ator para continuar na franquia, o público não aprovou a nova visão para o personagem e ambos os filmes naufragaram nas bilheterias, causando uma pausa de cinco anos antes que um novo filme com Bond fosse lançado.

  • Melhor filme: O mediano 007 – Marcado para Morrer
  • Pior Filme: Sem muita opção só sobra 007 – Permissão para Matar
  • Melhor Bond Girl: Kara Milovy de 007 – Marcado para Morrer
  • Melhor abertura/música: 007 – Marcado para Morrer
  • Melhor Vilão: Fico com o tubarão de Permissão para Matar, já que os vilões de ambos os filmes são completamente desinteressantes.
  • Menção Honrosa:O novinho Benicio Del Toro coadjuvando o longa talvez seja uma das poucas coisas memoráveis nesta era.

 

Pierce Brosnan, o meu preferido

“For England, James? No. For me."

 

Sou extremamente suspeito para falar do 007 de Pierce Brosnan,  já que foi com o ele no papel  que cresci assistindo aos longas do personagem através de VHS. Admito manter certo carinho por esta fase do personagem, mesmo que hoje eu veja os defeitos que os filmes sofrem, que (quase) conseguem comprometer a versão do ator para o personagem. Brosnan foi um excelente Bond: ele voltava às origens resgatando o estilo charmoso e perigoso do personagem que tinha se perdido ao longo dos anos. Sua caracterização se assemelhava a de Sean Connery no perfil que dava para o personagem, ainda que o universo que o cercava fosse mais realista.  Era como se o Bond de Connery vivesse no universo de Timothy Dalton.  Porém, ao longo dos quatro filmes que estrelou, o mundo mudou drasticamente, assim como a qualidade dos filmes. A queda das produções dos longas está bastante  interligada com o modo com que a espionagem era tratada: se antes este universo era perigoso no primeiro filme, no último beirava o cômico.  Os longas até tentavam acompanhar a realidade, adicionando elementos que na época estavam em alta – a nova tecnologia, a Coreia do Norte, o medo que uma nova guerra surgisse – só que eles não conseguiam ser abordados de modo direto, criando-se a bizarrice para suportar a história. Os filmes de James Bond foram perdendo a magia, eram apenas longas genéricos de ação, não tendo a magia nem o perigo daquele universo criado ao logo dos anos. Os longas acabaram ficaram americanos demais, parecendo ser feitos apenas para aquele público, já que tudo os envolvia.  Ao final, já estava mais do que na hora de recomeçar com uma nova visão.

  • Melhor filme: 007 contra Goldeneye
  • Pior Filme: 007 – Um Novo Dia para Morrer
  • Melhor Bond Girl: Em uma época em que as Bond Girls ficaram apagadas, a que mais se destaca é Wai Lin, de 007 – O Amanhã Nunca Morre.
  • Melhor abertura/música: 007 contra Goldeneye
  • Melhor Vilão: Ainda que seja uma mera capanga, Xenia Onatopp (Goldeneye) se consagrou na galeria de vilões do personagem.
  • Menção Honrosa:A M de Judi Dench, figura que se tornou importante na franquia.

 

 

Daniel Craig, o sombrio

“I'm the money!  Every penny of  it.“

Muitos podem considerar a fase Daniel Craig um reboot do personagem; Outros preferem pensar que é um recomeço, e que o nome James Bond passou a ser o codinome. Eu prefiro pensar que os três filmes de Daniel Craig coexistem com o resto da franquia no mesmo universo, apenas eles não aconteceram ainda. Não que eu queira ver Craig lutando no espaço com Jaws, mas aconteceu, mesmo que Craig divirja totalmente do perfil do personagem. Ele não é moreno, é baixinho, além de ser desprovido de carisma, mesmo assim ele consegue funcionar no papel, já que os filmes que protagonizou pediam por uma nova visão do personagem, mais parecida com os outros JBs (Jack Bauer e Jason Bourne). Em Cassino Royale, que começa a franquia, precisávamos ver o perfil de Bond se formando, observar o que o levou a usar do perfil de bon vivant para mascarar os seus traumas. Essencial para o personagem foi a permanência de Judi Dench como M. Sua importância ao longo dos filmes foi crescendo, ganhando prestígio ao adquirir o caráter maternal. Se em Goldeneye ela aparece como uma coadjuvante, em Skyfall a personagem é essencial para trama. Foi na fase de Craig que a M de Dench assumiu o caráter protetor perante Bond, ainda que se demonstrasse fria com ele. Também se deve falar que a fase de Craig é a primeira a sentir os efeitos do 11 de setembro, ou seja, o público novo queria um realismo maior. Assim não é a toa que os seus dois primeiros longas têm uma organização terrorista como inimigo, dado um ar mais conspiratório aos filmes, partindo do questionamento de como saber quem é seu inimigo, se você não o conhece (algo que foi bastante abordado no subestimado 007 – Quantum of Solace)? Aliás, é justo dizer que assim como Sean Connery, Daniel Craig não só não estrelou nenhum longa ruim desde que assumiu o personagem, como também realizou dois dos melhores filmes, o que o torna um dos melhores atores na pele de Bond. E olha que o ator tem contrato para mais dois filmes.

  • Melhor filme: 007 – Operação Skyfall
  • Pior Filme: 007 – Quantum of Solace
  • Melhor Bond Girl: Vesper Lynd de 007 – Cassino Royale
  • Melhor abertura/música: 007 – Cassino Royale
  • Melhor Vilão: Raoul Silva de 007 – Operação Skyfall
  • Menção Honrosa:O resgate do personagem Felix Leiter, contato da MI6 na CIA, que tinha “desaparecido” da franquia.

 

Segue abaixo uma lista com os melhores filmes da franquia em ordem de lançamento:

  1. 007 contra o Satânico Dr. No
  2. Moscou contra 007
  3. 007 - Goldfinger
  4. Com 007 Viva ou Deixe Morrer
  5. 007 contra o Homem com a Pistola de Ouro
  6. 007 - Na Mira dos Assassinos
  7. 007 - Goldeneye
  8. 007 – O Amanhã nunca morre
  9. 007 - Cassino Royale
  10. 007- Operação Skyfall

Menção Honrosa: 007 - Somente para seus Olhos

 

James Bond retornará nas telonas por diversas vezes

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