O Senhor dos Anéis e o Mundo Maravilhoso de Tolkien

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Enviado por Luciana em qui, 12/06/2012 - 15:13

Quem me conhece sabe que sou completamente apaixonada pelo mundo de Tolkien. Principalmente pela trilogia de O Senhor dos Anéis, mas a Terra-média como um todo me encanta. Mas nem sempre foi assim, e antes de qualquer coisa vou comentar um pouco sobre como enveredei pelo universo de John Ronald Reuel Tolkien (ou apenas Tolkien, para os íntimos).

O meu interesse pela trilogia foi repentino, estranho mesmo. Não assisti aos dois primeiros filmes quando foram lançados nos cinemas, e só fui assistir à versão em DVD de A Sociedade do Anel uma semana antes do lançamento de O Retorno do Rei nos cinemas, porque meu irmão Marcelo (que já era fã, e já havia assistido em DVD aos dois primeiros filmes) queria que eu fosse com ele. Eu já havia tentado assistir anteriormente, quando haviam sido lançados em DVD, mas não tinha conseguido passar do início dos filmes, EU OS ACHAVA CHATOS!! (podem me julgar, eu mereço!).

Pois foi assim que assisti a esse filme em 16 de dezembro de 2003 e fiquei comple­tamente apaixonada, pois o vi com outros olhos, admirei cada cenário, analisei cada personagem, ouvi cada música... foi diferente, eu mergulhei em cada canto da história. Íamos alugar o DVD de As Duas Torres para assisti-lo quando, em 19 de dezembro de 2003, acordo pela manhã e ao pegar a Zero Hora, vejo no Segundo Caderno, já na capa, que seriam exibidas em uma rede de cinemas da cidade as versões estendidas de A Sociedade do Anel e As Duas Torres. Pronto, estava decidido que no sábado, dia 20 de dezembro de 2003, iríamos para o cinema. E fomos, eu e a minha mãe. Depois compramos antecipadas as nossas entradas para o dia de estreia de O Retorno do Rei e lá fomos nós de novo, dia 25 de dezembro estávamos eu, minha mãe e meu irmão na fila para assistir à última parte da história (sendo que a sessão começaria 17 horas, chegamos ao cinema por volta das 13 horas e já tinha em torno de 20 pessoas na fila). Foram 3 sessões do filme em uma semana.

Depois disso resolvi ler tudo o que me fosse possível sobre a Terra-média, e com a ajuda do meu irmão reuni materiais da internet, de jornais e revistas e fiz um apanhado, um arquivo com mais de 300 páginas sobre tudo e todos dentro do universo de Tolkien. Tenho isso guardado até hoje apesar de não folhear com frequência, e é algo que guardo com carinho.

     

Adquiri os livros na edição que vinha um box preto com a trilogia e O Hobbit, as capas são lindíssimas. Li todos em menos de 2 semanas. Depois foi a vez de O Silmarillion e Os Contos Inacabados de Númenor e da Terra-média. Ainda vieram outros ao longo dos anos, e hoje minha coleção conta ainda com o Atlas da Terra-média, As Aventuras de Tom Bombadil, Sobre Histórias de Fadas, O Hobbit em quadrinhos, As Cartas de J. R. R. Tolkien, Os Filhos de Húrin e é claro, o box com os DVDs das estendidas de O Senhor dos Anéis.

   

Agora que já contei um pouco como foi o começo de minha experiência com Tolkien posso dar sequência à minha ideia inicial, que é de comentar um pouco sobre algumas coisas relacionadas à Terra-média, mas nada muito aprofundado e nem sobre todos os assuntos. Um pouco sobre livros, filmes, personagens e o que mais me vier à mente.

Sobre os filmes, vocês certamente me acharão ‘estranha’, pois assisti às versões estendidas por mais de 30 vezes. Quando chegou em 30, parei de contar, e já faz tempo isso. O que faz parecer mais interessante a cada vez que se assiste são os pequenos detalhes. Revi a trilogia agora em novembro e percebi algumas coisas que em nenhum momento durante todo esse tempo eu havia percebido. Isso é muito gratificante. Falo por exemplo, da cena em que Aragorn está observando a estrada para a Senda dos Mortos (em O Retorno do Rei), aonde aos poucos vai surgindo o espectro de um fantasma do exército dos homens das montanhas. Achei fascinante isso, perceber um detalhe desses somente depois de tantas vezes que vi o filme. Fora olhares, gestos, algum objeto deixado ali naquela cena e que eu não havia percebido até então.

É claro que também fica mais fácil perceber os pequenos erros, alguns nem tão pequenos, como o Orc morto que levanta a cabeça para ver Aragorn passar quando a Sociedade está sendo atacada e Boromir é morto (em A Sociedade do Anel). Ok, esse é um erro tosco e de repente bem fácil de perceber nas primeiras vezes. Então caso você não tenha percebido nem o erro e nem o detalhe da cena, reveja as cenas que vai ver como acontece, lembrando que falo das versões estendidas, faz tanto tempo que não assisto às versões de cinema que não consigo mais me lembrar claramente de todas as cenas adicionais, para saber se esses dois pontos constam em ambas as versões.

Falando um pouco mais dos livros, a leitura de O Senhor dos Anéis é algo tão fascinante que não sou capaz de descrever em palavras. Tolkien criou um mundo inteiro à parte, locais que podemos observar detalhadamente em cada página do Atlas, por exemplo, que por sinal é riquíssimo em material. Línguas que foram desenvolvidas para cada raça da Terra-média e que até hoje em dia leva diversos fãs a escolas especializadas em ensinar tais idiomas. Um alfabeto inteiro que pode ser utilizado por qualquer um que o queira fazer, composto por símbolos que consistem em nossas consoantes, ao passo que as vogais são obtidas por acentos que são colocados em cima das Tengwar (as letras do alfabeto).

E é claro, os fantásticos personagens, com os quais somos capazes de nos identificar e entender suas motivações, seus medos, etc. O professor Tolkien era um gênio, e essas palavras são minhas, não ouso falar por outros, mas para mim é assim. O imagino sentado em sua escrivaninha criando cada um desses pontos, cada letra do alfabeto, cada canto da Terra-média... o verso do Anel! O verso do Anel é algo tão grandioso, apesar de sombrio é fascinante. Parece que cada palavra foi escrita e escolhida com esmero... a tradução segue abaixo:

“Três anéis para os Reis-Elfos sob este céu,

Sete para os Senhores-Anões em seus rochosos corredores,

Nove para Homens Mortais, fadados ao eterno sono,

Um para o Senhor do Escuro em seu escuro trono

Na Terra de Mordor onde as Sombras se deitam.

Um anel para a todos governar, Um anel para encontrá-los,

Um anel para a todos trazer e na escuridão aprisioná-los

Na Terra de Mordor onde as sombras se deitam.”

E aqui o verso na língua original, ou seja, na língua de Mordor. É o mesmo recitado por Gandalf, mesmo que parcialmente, durante o Conselho de Elrond, na versão estendida de A Sociedade do Anel.

“Gakh Nazgi Ilid Albai Golug-durub-uuri lata-nuut.

Udu takob-ishiz gund-ob Gazat-shakh-uuri.

Krith Shara-uuri matuurz matat duumpuga.

Ash tug Shakhbuurz-uur Uliima-tab-ishi za,

Uzg-Mordor-ishi amal fauthut burguuli.

Ash nazg durbatuluk, Ash nazg gimbatul,

Ash nazg thrakatuluk, Ugh burzum-ishi krimpatul,

Uzg-Mordor-ishi amal fauthut burguuli.”

Indo um pouco mais adiante nos livros, O Silmarillion é uma leitura mais complicada em um primeiro momento, é um livro mais denso, mas algo tão interessante que mesmo que venhamos a nos perder em um ou outro momento, depois de pegar o rumo da história só temos a aprender com tudo que nos é contado: a criação de Eä (o Mundo propriamente dito), como os poderosos Valar e Maiar desenvolveram o mundo, a Queda de Númenor, algumas histórias distintas, como a de Beren e Lúthien e algum relato sobre a história dos Anéis do Poder e da Terceira Era do Mundo. É realmente um livro mais complexo e que contém muita informação interessante.

Já a leitura de Os Contos Inacabados deixa aquele gostinho de quero mais, pois como o próprio nome diz, trata-se uma coletânea de anotações, pequenas histórias que não chegaram a ser totalmente desenvolvidas por Tolkien e que foram organizadas por seu filho, Christopher Tolkien, e o livro lançado postumamente, assim como ocorreu com O Silmarillion, que também foi lançado após sua morte, a partir de material que ele havia deixado. Felizmente temos muitos textos e livros para suprir essa vontade de conhecer mais a fundo algumas destas histórias, como é o caso de Os Filhos de Húrin, que teve um livro extremamente interessante lançado com sua história.

Passando rapidamente às Cartas de Tolkien, esse acrescenta algo em relação ao que já temos de informação (caso tenhamos lido parte de sua obra), em função de detalhes das cartas. Agora, As Aventuras de Tom Bombadil, esse pode ser um livro cansativo para alguns, mas eu achei a leitura bem divertida. É um personagem curioso a meu ver, e que mereceria um filme só dele. Certamente seria um filme interessante.

Da mesma forma que acho interessante a história dos Ents, é algo incrível aquelas árvores que falam e se movimentam pela floresta. O dragão Smaug é traiçoeiro, mas é inteligente e desperta a curiosidade da gente. Dragões em geral são fascinantes. Eu acho.

Mas, se eu tivesse que dizer qual meu personagem preferido de todas as Eras, eu responderia sem pestanejar: Gandalf. Para mim ele é um personagem tão complexo e tão incrível que não tem como não gostar. Ele é, em minha opinião, o alicerce de toda a história do Anel. Podem dizer que se não fosse Gollum nada disso teria acontecido, que Frodo quem levou o Anel à Montanha da Perdição, etc., etc. Não adianta, acredito que sem a perspicácia, inteligência e ‘jogo de cintura’ de Gandalf, nada teria se concretizado de forma positiva ao final. Poxa, ele venceu o Balrog de Morgoth!

Já que citei Gollum, este é um personagem bastante interessante e que não é muito explorado do ponto de vista de sua origem. Antes do Anel ele era Sméagol, um simples camponês de raça semelhante a um hobbit, porém quando seu primo Déagol encontra o Anel e ele o mata para se apoderar da joia, ele é expulso da família e vive por cerca de 500 anos nas Montanhas Sombrias, onde aos poucos foi sendo consumido pelo Anel e se transformando na criatura que viemos a conhecer depois. Gollum tem uma ligação extrema com o Anel, tanto que é capaz de se aliar temporariamente a Sam e Frodo para permanecer perto do artefato, independente de colocar sua vida em risco ou não, o importante seria tê-lo por perto. E como disse Gandalf em determinado momento, “Gollum ainda tem um papel a desempenhar antes do fim”, e de fato, não fosse Gollum, Frodo e Sam certamente não teriam encontrado um caminho “seguro” até Mordor. Outra coisa notável sobre o personagem é seu outro eu. Alguns poderiam chamar de dupla personalidade, eu prefiro achar que ele tem um ser imaginário com quem conversa e debate. Mas sobre essa minha teoria falarei mais nas críticas de As Duas Torres O Retorno do Rei.

Falando um pouco agora sobre Frodo, ele era um hobbit comum até herdar o Anel de Bilbo, mas que não pestanejou ao se ver incumbido de sua missão. A princípio ele deveria levar o Anel somente até Bri, mas em função dos acontecimentos ele acaba indo até Mordor. Ele passa por adversidades, passa fome e frio e tem sua vida ameaçada em função da Demanda, mas nada disso o impede de continuar, não só pelo fato de ter dado sua palavra a todos, mas principalmente por estar sendo também dominado pelo Anel. O objeto é traiçoeiro, se apega ao dono ao mesmo tempo em que consome suas forças, e por um leve deslize tudo poderia ter dado errado. Mas é claro que com a amizade, companheirismo e dedicação de Sam as coisas se tornaram um pouco mais fáceis e eles conseguiram chegar a seu destino e cumprir sua tarefa. Agora se imagine nos Pântanos Mortos acompanhado apenas de Gollum? Eu não gostaria de passar por essa experiência...

Chegando agora a O Hobbit! Eu li o livro logo que o comprei, em início de 2004 e só voltei a lê-lo agora em novembro deste ano, a fim de refrescar os detalhes em função do filme. No início de 2012 li a versão em quadrinhos, e digo que achei excelente, bem cativantes as ilustrações e a forma como foi compilado o livro, visto que não caberiam ali todos os detalhes. Confesso que foi algo bom ver em imagens, mesmo que no papel, um livro que eu sempre quis que virasse filme, e que vinha até bem pouco tempo enrolado para ser produzido. Mas isso é passado, pois estamos chegando perto da estreia do tão aguardado filme, que por algo que me foge à compreensão, terá duas sequências. Não vou me ater a esse ponto, apenas brevemente comento que por mais que existam apêndices e mais apêndices na trilogia de O Senhor dos Anéis, além dos outros livros que porventura venham a fazer parte na seleção do material, acho improvável que haja conteúdo para três filmes. Enfim. É esperar para ver, e como temos Peter Jackson à frente do projeto, isso é algo bastante encorajador.

Espero que a leitura tenha sido proveitosa, ou pelo menos envolvente. Para muitos o que escrevi aqui pode ser considerado “chover no molhado”, mas creio que é sempre bom lermos o que outro fã escreve a respeito de algo que adoramos. São pontos de vista diferentes e cada um tem sua história. A minha é essa que acabei de contar para vocês. E como comentei, revi a trilogia recentemente e resolvi escrever sobre cada um dos filmes, que são os textos que vocês podem conferir aqui mesmo no site. Mas aviso de antemão, não consigo ser imparcial quando se trata de O Senhor dos Anéis, logo aguardem por textos escritos por uma fã, alguém que ama e respeita muito esse mundo fantástico da Terra-média.

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