A Rainha dos Condenados

imagem de Luciana
Enviado por Luciana em sex, 01/18/2013 - 17:07

Adaptação de obra literária para as telas sempre gerou e sempre irá gerar controvérsias. Posso dizer que sou uma pessoa tranquila com relação a isso, sempre tive o bom senso em avaliar ambas a obras em separado, tendo em alguns momentos gostado mais do filme do que do próprio livro. Porém, há alguns casos – como este – em que o problema é tão gritante que o resultado da adaptação chega a ser uma ofensa à obra original. O filme A Rainha dos Condenados, dirigido por Michael Rymer, é uma afronta à obra de Anne Rice, não somente ao livro homônimo (que li recentemente e considero excelente), mas à obra como um todo, visto que abrange vários personagens importantes de sua literatura.

Mas vamos nos ater ao filme. Aqui temos o Vampiro Lestat, que depois de um longo sono desperta para a “vida” disposto a sair do anonimato, colocando em prática suas habilidades musicais como vocalista de uma banda. Banda essa composta por mortais que não acreditam muito que ele seja de fato um vampiro. Eles farão um grande show e sua vida está ameaçada por conta de outros vampiros nada contentes com o que ele está fazendo.

As coisas andam rápidas demais, de forma atabalhoada e deixando o espectador com a impressão de que o tempo era curto demais para o que se pretendia contar. Um dos grandes problemas do filme fica por conta do roteiro de Scott Abbott e Michael Petroni, pois além de eles parecerem sequer terem lido as obras nas quais o longa foi baseado (O Vampiro Lestat e A Rainha dos Condenados), o roteiro confunde ao tentar mesclar várias histórias ao mesmo tempo, sem ao menos tentar desenvolver uma delas. No terceiro ato do filme, por exemplo, vemos alguns personagens que a princípio deveriam ser importantes para a trama devido à cena, mas nenhum deles é mencionado, que fique por conta do espectador descobrir de quem se trata – o que fica praticamente impossível, visto que eles não possuem nada que lembrem os personagens do livro.

Outro grande problema que merece destaque é com relação à construção dos personagens: pois eles não parecem verossímeis, parecem apenas fantoches que se movem em cena, não tendo o mínimo de carisma, fazendo com que pouco nos importemos com seus destinos. As atuações deixam muito a desejar, pois os atores estão inexpressivos, agindo como que maquinalmente – alguns se retorcendo como cobras ao andar, como é o caso de Akasha, a Rainha. Aliás, a pior das atuações fica por conta de Aaliyah, que interpretou Akasha, pois pouco fala e muito se mexe, fazendo com que torçamos para que ela saia logo de cena. Mas vale citar também a falta de carisma com que Stuart Townsend interpreta Lestat (não farei comparações com Entrevista com o Vampiro e a atuação de Tom Cruise, pois seria muita covardia), uma figura icônica no mundo da literatura vampiresca de Anne Rice, capaz de cativar sua vítima apenas com o olhar. No geral, nenhuma das atuações merece destaque, talvez porque os personagens que poderiam gerar créditos aos seus atores, tenham tido pouco tempo em cena, não dando a oportunidade de nos atermos a eles, como é o caso de Lena Olin, como Maharet. Aproveitando que comentei sobre Maharet, uma das coisas que mais senti falta no longa foi a história das gêmeas, que ganha grande destaque e importância no livro.

A trilha sonora de Richard Gibbs e Jonathan Davis é exagerada, com acordes muito elevados (para tentar fazer uma relação com o som que a banda de Leslat toca), incomodando em determinados momentos, fazendo que a atenção seja distraída. Os efeitos visuais estão relativamente aceitáveis, pois a movimentação dos vampiros parece bem aos olhos. Porém o movimento de câmeras em alguns momentos parece aproximar demais o personagem em detrimento do ambiente, um resultado um tanto estranho.

Em resumo, A Rainha dos Condenados é um filme dispensável, pouco (ou nada) tem a oferecer, e mesmo para aqueles que estão acostumados aos personagens de Anne Rice se torna um desafio assisti-lo sem se perder. Realmente uma pena, pois filmes de vampiros (vampiros de verdade) são sempre bem-vindos, vide o já citado Entrevista com o Vampiro, excelente filme igualmente baseado em obra da autora.

Poltronas 

1

Comentar

Plain text

  • No HTML tags allowed.
  • Endereços de páginas de internet e emails viram links automaticamente.
  • Quebras de linhas e parágrafos são feitos automaticamente.
CAPTCHA
Esse desafio é para nos certificar que você é um visitante humano e serve para evitar que envios sejam realizados por scripts automatizados de SPAM.
CAPTCHA de imagem
Digite o texto exibido na imagem.