Os dez melhores filmes de Zumbi

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Enviado por Julia em seg, 02/04/2013 - 19:40

Por Júlia Manzano e Felipe Iesbick

 

Dia 04 de fevereiro, é o aniversário de 73 anos de George Andrew Romero, o diretor de sucessos como A Noite dos Mortos Vivos (1968), O Despertar dos Mortos (1978) e O Exército do Extermínio (1973). Sua contribuição para o cinema é imensa, destacando, em especial, o fato de recriar o sub-gênero dos filmes de zumbi, estabelecendo critérios utilizados até hoje para definir a criatura, como a lentidão, a necessidade de consumir carne humana, a mordida que contagia os seres humanos e outras características. Devido a isso, eu e o Felipe preparamos uma pequena lista dos nossos dez filmes de zumbi preferidos. Entre eles, é claro, muito Romero.

Existem diversos tipos de filmes com criaturas que lembram zumbis. Porém, os considerados neste post são apenas os que possuem uma das características básicas dos filmes de Romero: a pessoa deve morrer ou estar morta para então voltar (ou não). Sendo assim, não basta simplesmente ser mordido e virar uma coisa louca furiosa, mas sim:

1. ser mordido/contaminado;

2. morrer/estar morto;

3. voltar/morrer.

Além disso, o critério dessa lista não é necessariamente ser o mais assustador, mas ter uma história envolvente, sobreviventes interessantes e MUITOS, mas MUITOS zumbis sedentos por violência, carne humana and braaaaiiiiins.

 

10. Fido, o mascote (Fido, dir. Andrew Currie, 2006, Canadá)

                Ambientado nos anos 50, Fido, o Mascote, não mostra os clássicos momentos de terror que uma infecção ou um simples ataque de zumbis traria. Ele é um filme posterior a essa atmosfera. A epidemia foi controlada e o longa mostra zumbis domesticados com uma coleira criada por um importante cientista. Tais zumbis serviam aos humanos nos serviços domésticos e no trabalho (os curiosos "criados" eram utilizados tanto para cortar a grama como para trabalhar em fábricas) e traziam distinção social a pessoa que pudesse adquirir um. O longa trata da amizade de um menino com o zumbi Fido (Billy Connolly), adquirido para auxiliar sua mãe, Helen (Carrie-Anne Moss), e destacar a família na sociedade em que viviam. Fido demonstra, em alguns momentos, uma humanidade que todos julgavam perdida e a construção da amizade entre ele e  Timmy (Kesun Loder) beira uma doçura que contrasta com o sangue de certas cenas - afinal, estamos falando de um filme de zumbis - já que sem suas coleiras, eles anseiam por carne humana.

 

9. Fome Animal (Dead Alive, dir. Peter Jackson, 1992, Nova Zelândia)

                Em 1992, Peter Jackson lançou seu filme mais divertido. Fome Animal conta a história de uma infecção iniciada a partir da mordida de um macaco da Sumatra. Isso é o bastante para que uma epidemia se inicie e pessoas comecem a morrer das piores formas possíveis, transmitindo o vírus de diferentes (e nojentas) formas, deixando para Lionel Cosgrove (Timothy Balme), nosso herói, dar cabo de seus algozes com um cortador de grama, uma das cenas mais sangrentas e divertidas já filmadas no universo dos filmes de zumbis.

 

8. A Noite dos Mortos Vivos (Night of the living dead, dir. Tom Savini, 1990, Estados Unidos)

                Tom Savini, ator e maquiador, readapta o marco zero de George Romero com o roteiro reescrito por este último. Savini injeta ritmo na história e salva Bárbara (Patrícia Tallman) da bundamolice original, deixando-a mais ativa e decidida. É um ótimo remake, mas, em compensação, peca por ser desnecessário e colorido, que prejudica o clima proposto pelo filme de 1968. Além disso, os efeitos envelheceram de forma pior do que os efeitos originais, deixando mais claras as marcas de seu tempo.

 

7. A volta dos mortos vivos (The Return of the Living Dead, dir. Dan O’Bannon, 1985, Estados Unidos)

                Partindo para o humor, o filme de O’Bannon se tornou um ícone dos anos 80 e foi o filme que originou o famoso murmúrio por "Brains". O longa retrata dois diferentes grupos: o primeiro, um patrão e um empregado (James Karen e Thom Mathews) de um diferente depósito, que, sem querer, reativaram um antigo projeto do governo, que trouxe um homem morto de volta à vida. Os trabalhadores do depósito, junto com um trabalhador do crematório (Don Calfa) local, cremam o corpo e a fumaça traz à vida os mortos do cemitério local. O outro grupo é composto por jovens, sendo um deles, a namorada do empregado do depósito, que se encontram no cemitério na hora em que a fumaça reanima os corpos.

 

6. Zombie - a volta dos mortos (Zombie 2, dir. Lucio Fulci, 1979, Itália)

                Também conhecido como Zombie II, Zombie, a volta dos mortos, é um dos melhores filmes de Lucio Fulci. Acompanha Anne Bowles (Tisa Farrow) em busca de seu pai em uma ilha da América Central, tomada por mortos-vivos, possivelmente originados de magias relacionadas a vodun. O filme conta com uma boa quantidade de sangue e mortes e possui, no mínimo, três cenas icônicas: o zumbi que luta contra um tubarão no fundo do mar; a lasca de madeira entrando no olho da esposa do doutor David Menard (Richard Johnson); e o despertar de um dos primeiros mortos do cemitério, que prontamente ataca um dos protagonistas. O longa tem um olhar pessimista quanto à situação: sabe-se que dificilmente haverá uma solução tranquila para o caos visto na ilha. Além disso, há uma interessante ligação com a cidade Nova Iorque (o que pode explicar a jogada comercial para ser vendido como Zombie II, já que "Despertar dos Mortos" era comercializado como Zombie em diversos países).

 

5. Dia dos mortos (Day of the Dead, dir. George Romero, 1985, Estados Unidos)

                Dia dos Mortos, o terceiro longa da série de zumbis de Romero, retrata uma base militar de sobreviventes, quando boa parte do planeta está infestada de mortos-vivos. A protagonista, Sarah (Lori Cardille), mesmo sem se destacar muito, demonstra a força necessária para viver no difícil local, tomando as atitudes com firmeza nos momentos de crise. Além dela, há um cientista que tenta, com sucesso, buscar a humanidade supostamente perdida nos zumbis, levantando um debate sobre até onde o zumbi seria um ser totalmente morto e desligado de sua vida "pré"-zumbi. Os militares são retratados como homens difíceis e que constantemente atrapalham as pesquisas, abusando do poder que lhes é conferido como crítica à postura desse segmento na sociedade.

 

4. Terra dos mortos (Land of the Dead, George Romero, 2005, Estados Unidos/Canadá)

                Vinte anos após Dia dos Mortos, o quarto filme da série de zumbis de George Romero se passa após a fase crítica da epidemia de zumbis, em um local geograficamente isolado – uma espécie de cidade cercada - que reúne os sobreviventes do recente evento. Lá, há uma clara distinção entre os ricos e os pobres. Riley Denbo (Simon Baker) trabalha coletando mantimentos em áreas ainda habitadas pelos mortos-vivos, um trabalho realmente perigoso. O homem que teria organizado essa nova cidade é Kaufman (Dennis Hooper), que habita a parte rica da cidade, onde a população mais humilde é proibida de estar, a não ser quando desempenha serviços. Neste longa, um dos zumbis, Big Daddy (Eugene Clark), tem a capacidade de raciocinar, se utilizando de ferramentas e bolando estratégias de ataque ao local habitado por humanos. Além disso, suas habilidades chamam a atenção dos outros, e Big Daddy começa, pouco a pouco, a ensiná-los. A história do filme é complexa e reúne elementos que mostram que, mesmo após uma catástrofe, existiriam grupos que desejariam se diferenciar do restante da população, estabelecendo um diferente tipo de status naquela sociedade - o de habitar o local mais seguro. E Big Daddy, ao possuir uma capacidade diferenciada de raciocínio, também traz a tona os questionamentos sobre até onde o zumbi é um ser totalmente morto, já que possui alguns sentimentos que eram imaginados como inexistentes nos mortos-vivos.

 

3. Todo mundo quase morto (Shaun of the Dead, dir. Edgar Wright, 2004, Inglaterra)

                Todo mundo quase morto é uma perfeita combinação de filmes de zumbis clássicos com certeiras doses de humor inglês. A epidemia, que começa como uma estranha gripe, rapidamente contagia a cidade de Shaun (Simon Pegg), na qual ele divide um apartamento com seus dois amigos, Ed (Nick Frost) e Pete (Peter Serafinowicz). Mesmo após ter tomado um pé na bunda, Shaun decide ir atrás de sua namorada, Liz (Kate Ashfield) e de sua mãe, Barbara (Penelope Wilton) - nome que faz uma clara homenagem para o clássico A Noite dos Mortos Vivos (1968), de George Romero. Para resgatá-las, bola um grande plano de fuga e sobrevivência, sempre contando com o abrigo do amado bar, o Winchester. Além disso, a cena final demonstra que, mesmo em uma catástrofe, nada substitui um amigo fiel.

 

2. A noite dos mortos vivos (Night of the Living Dead, dir. George Romero, 1968, Estados Unidos)

                A noite dos mortos vivos foi o filme que determinou o estilo de zumbi que seria a base das décadas seguintes. O longa introduziu novas regras, redefiniu-as e recriou o sub-gênero. O filme inicia com Bárbara (Judith O’Dea) e seu irmão, Johnny, visitando o túmulo de um parente próximo. Após Bárbara ser atacada por um homem de aparência estranha, Johnny defende-a e ela foge, chegando em uma casa que está aparentemente abandonada. Lá, encontra Ben (Duane Jones) e outros sobreviventes de uma situação que pouco a pouco fica clara a medida que eles vão acompanhando as últimas notícias: mortos se levantaram e estão atacando os vivos. Filmado em preto e branco e com um baixíssimo orçamento, o longa marcou sua época pela violência e por apresentar um protagonista negro nos anos 1960, trabalhando, assim, com uma seríssima questão, já que o racismo ainda era um dos principais problemas sociais nos Estados Unidos. Como Romero sempre gosta de lembrar: os zumbis não são criaturas complicadas, mas sim os humanos que tendem a piorar as situações e é isso que faz o final do filme ser tão irônico e revoltante.

 

1. O despertar dos mortos (Dawn of the Dead, dir. George Romero, 1978, Estados Unidos)

                O melhor filme de zumbi já feito é o segundo filme na ordem cronológica da série de George Romero. Quatro sobreviventes se refugiam em um shopping center, eliminando os mortos que já estavam lá dentro e bloqueando as entradas. Lá, suprem suas necessidades básicas e demonstram que, mesmo naquela situação, o lado consumista existente na atual sociedade capitalista (já presente em 1978, associado à ideia do "sonho americano" e do "self-made man", ou seja, o homem que construía o seu sucesso dentro da sociedade norte americana e capitalista) falava bastante alto. E em cômodos escondidos de uma parte isolada do local, aparentemente administrativa, os sobreviventes constroem sua nova casa, até que toda a estrutura desmorona. Os quatro protagonistas possuem características marcantes e dramas que vão além do fato de estarem cercados por um bando de mortos-vivos, como o fato de estarem isolados do restante da sociedade por muito tempo.

 

Não é exatamente o zumbi romeriano, mas merecem destaque:

 

1. REC (Rec, dir. Jaume Balagueró e Paco Plaza, 2007,   Espanha)

 A jovem Ângela Vidal (Manuela Velasco), está gravando o seu programa noturno, "Enquanto você dorme", em um Corpo de Bombeiros, e fica ansiosa quando o tédio da noite é quebrado por uma chamada de uma idosa fora de si. Lá, a jovem jornalista tem que passar a noite dentro de um prédio isolado, rodeada de uma epidemia que deixa as pessoas tomadas por uma fúria e violência inconsciente. O filme, apesar de não ter o modelo clássico de zumbis, oferece monstros que se parecem bastante com mortos-vivos, já que a pessoa infectada perde a consciência, virando um ser que busca a destruição de outro ser humano e só pode ser parada quando morta. Devido ao sucesso da história e da protagonista, o filme foi (desnecessariamente) refilmado em Hollywood e relançado com o nome de Quarentena, em 2008.

 

2. Extermínio (28 Days Later..., dir. Danny Boyle, 2002, Inglaterra)

Depois de ativistas abrirem gaiolas de chimpanzés que estavam submetidos a uma experiência, um vírus se espalha pelo Reino Unido. O protagonista, Jim (Cillian Murphy) acorda sozinho em um hospital, sem saber da praga que tomou as ruas. Os seres contaminados por essa epidemia - que passa através da saliva e do sangue e lembra o vírus da raiva - se transformam em criaturas que lembram características de zumbis, já que vão atrás de carne humana viva para então destruí-la. O longa é bastante violento, mas, apesar disso, consegue mostrar ao espectador um fio de esperança no meio da epidemia.

 

3. Infecção em Nova Iorque (Mulbery Street, dir. Jim Mickle, 2006, Estados Unidos)

 Uma infecção vinda dos ratos causa uma espécie de raiva nas pessoas, que as faz agir como os roedores, porém, de modo imensamente mais violento. O filme é um pouco confuso, porém, é tenso e possui protagonistas carismáticos, como o boxeador Clutch (Nick Damici) e a bartender Kay (Bo Corre). Além disso, eles tomam atitudes inteligentes ao invés de ficar à mercê do pânico local, tornando-os imensamente mais interessantes.

 

4. Zumbilândia (Zombieland, dir. Ruben Fleischer, 2009, Estados Unidos)

Após ingerirem um lanche infectado - uma espécie de vírus da vaca louca - as pessoas rapidamente passam a agir de um modo muito violento, alimentando-se de carne humana. O protagonista, Columbus (Jesse Eisenberg), tenta sobreviver em meio ao caos que se instalou na sociedade a partir de algumas regras que ele segue à risca, como ter cuidado nos banheiros, ter um coração forte, usar cinto de segurança e diversas outras. Durante sua jornada, conhece Tallahassee (Woody Harrelson), um sobrevivente que não aceita algumas das perdas que teve durante os acontecidos, reagindo de formas bastante peculiares - como a sua busca obsessiva por Twinkies. Ambos também acabam ficando próximos de Wichita (Emma Stone) e Little Rock (Abigail Breslin), duas irmãs que viajam sozinhas e adotam uma postura defensiva na maior parte do tempo. O filme trata de temas muitas vezes difíceis - como, por exemplo, a perda de Tallahasse – mas sempre apelando para a comédia, o que funciona incrivelmente bem. Além disso, a participação de Bill Murray é um dos pontos altos do longa metragem.

 

 

A quantidade de filmes pode se modificar e aumentar a cada dia - a medida que novos longas vão surgindo -, porém, até então, a lista acima é a nossa singela homenagem para um dos diretores mais talentoso na tarefa que se propos. Ele recriou um sub- gênero, que se espalhou e é conhecido por todos os fãs de seu trabalho. Parabéns pelos 73 anos, Romero! e muito obrigado!

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