Retrospectiva Cinematográfica de 2012 - O ano em que o mundo NÃO acabou - parte 2

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Enviado por Giordano em qua, 03/13/2013 - 02:16

 

Argofuck yourself! e A Consagração de Ben Affleck

Depois da péssima administração de sua carreira (que envolve filmes como Pearl Harbor e O Demolidor) e o irritante relacionamento com Jennifer Lopez (“Bennifer”), Ben Affleck parece estar empenhado, nos últimos anos, a se livrar da piada a qual seu nome esteve relacionado. Dirigiu filmes como “Medo da Verdade” e “Atração Perigosa”, e agora, surpreendentemente, ganhou o Oscar de Melhor Filme com “Argo”.

Ben Affleck já tinha vencido a grande maioria dos prêmios ao qual concorreu nessa award season, e parece ter finalmente limpado seu nome, agora que venceu seu segundo Oscar – o primeiro foi de roteiro, junto com Matt Damon, por O Gênio Indomável.

O filme, produzido pelo amigo George Clooney, conta a “verídica” história da operação de resgate de refugiados americanos no Irã, que envolveu a produção de um filme falso de ficção científica (o “Argo” do título). Apesar das várias imprecisões históricas das quais o filme foi acusado, ele  foi um grande sucesso de crítica e bilheteria.

Depois de sete indicações e três vitórias, Argo fez história ao se juntar aos pouquíssimos filmes que venceram Melhor Filme, e não foram indicados a diretor. Venceu também os Oscars de roteiro e de montagem.  O emocionado discurso de Ben Affleck, que deu a volta por cima em sua carreira, entrou para a História da cerimônia.

Nunca é cedo demais para Kathryn Bigelow

Kathryn Bigelow, a primeira mulher a vencer o Oscar, por Guerra ao Terror, volta a tratar das guerras contemporâneas em A Hora Mais Escura. Um dos filmes mais polêmicos do ano trata da caçada ao criminoso procurado n° 1 – Osama Bin Laden –, que durou uma década.

O filme foi carregado de uma série de polêmicas. O filme foi acusado pelos republicanos de ser pró-Obama demais, e foi pressionado para estrear somente após a eleição norte-americana. Parte do Partido Republicano também acusou Bigelow de acesso impróprio a documentos sigilosos, o que a diretora, o roteirista Mark Boal e a produção do filme negaram imediatamente. E ainda, algumas facções alegaram que o filme glorifica a tortura por mostrá-la como uma prática útil ao plano.

Os destaques foram a lindíssima Jessica Chastain como a agente Maya, responsável no filme pela resolução da caça ao terrorista, e o espetacular terceiro ato do filme, no escuro, com trechos em visão noturna.

As polêmicas pesaram contra o filme na temporada de prêmios, e Bigelow não foi indicada, e o filme saiu apenas com um Oscar de Edição de Som, em um histórico empate – o outro vencedor foi 007: Operação Skyfall.

THIS IS AMERICA! NOW FUCKING PAY ME!

Um dos filmes mais críticos à sociedade e à política interna norte-americana, mas tão sutil em suas críticas mais profundas que acabou nem gerando a polêmica que deveria, é o neo-noir de Andrew Dominik, Killing them Softly - O Homem da Máfia. Na verdade, nem tão sutil assim, pois o presidente Obama aparece na televisão inúmeras vezes no filme, em contrapartida aos discursos inflamados do personagem de Brad Pitt.

Uma pena a ausência do filme das grandes premiações, principalmente do incrível roteiro e de James Gandolfini na categoria de Ator Coadjuvante.

O Memorial de Spielberg à História Americana

Por falar em Obama, é conveniente que no ano em que o primeiro presidente negro é reeleito nos EUA, colocando à prova o racismo norte-americano, um dos personagens em voga seja Abraham Lincoln, o presidente que aboliu a escravidão no país.

Steven Spielberg, um dos diretores de maior prestígio no país, lança um filme não sobre o presidente, mas sobre a aprovação da 13ª emenda. Lincoln foi um gigantesco sucesso de bilheteria, e empolgou boa parte da crítica americana.

Fora de lá, muitos foram críticos ao filme um tanto idealizado de Spielberg, que escalou o mais prestigiado ator vivo, Daniel Day Lewis, no papel do Presidente. Fora ele, o elenco segue com Sally Field, Tommy Lee Jones, Joseph Gordon Lewitt e uma infinidade de coadjuvantes de luxo, excepcionalmente caracterizados como figuras importantes da política da época.

O roteiro de Tony Kuscher adaptou o livro “Team of Rivals”, com o cuidado de informar sem ser excessivamente didático, construir um panorama preciso do período da História americana, e tentando humanizar Abraham Lincoln e sua família.

Os dois primeiros objetivos parecem ter sido atingidos, o que talvez tenha levado a muitos espectadores achar o filme “chato”.  A última tentativa – a de humanizar - é discutível, ainda mais pelo criticadíssimo final hagiográfico.

Abraham Lincoln também foi protagonista da brincadeira Abraham Lincoln – Caçador de Vampiros, cujo título é auto explicativo. Parecia uma ideia genial, mas a produção de Tim Burton e Timur Bekmambetov se levou a sério demais, e não agradou muita gente.

Quentin Tarantino e a Catarse Negra

Tarantino fazendo um faroeste spaghetti. É algo que todo fã do diretor esperava e finalmente teve com Django Livre. Mas ao invés de fazer um “western”, ele fez um “southern” (basicamente, um “western” que se passa não no Oeste, mas no sul dos EUA). E é claro, não abandonou a brincadeira com a blaxploitation ao tomar a escravidão como centro da história. O mix de referências vai de filmes B ao rococó inglês em pouquíssimo tempo, e tem tudo que todo mundo sempre espera de Tarantino.

Grande sucesso de crítica e moderado sucesso de público, não faltaram elogios ao elenco, encabeçado por Jamie Foxx, Christoph Waltz (que venceu seu segundo Oscar pelo papel), Leonardo DiCaprio e Samuel L. Jackson.

A polêmica foi instaurada quando o cineasta negro ativista Spike Lee e alguns outros grupos se manifestaram contra o filme, acusando de ser uma brincadeira de mau gosto com a escravidão, principalmente pelo uso da palavra “nigger”.  Nada disso impediu que o Oscar de Melhor Roteiro Original fosse para Quentin Tarantino, inegavelmente um dos diretores mais populares do mundo. Christoph Waltz também garantiu o seu segundo oscar pela atuação como Dr. Schultz.

Paul Thomas Anderson e a (quase) Cientologia

Outra polêmica em 2012 foi a partir do novo filme do grande Paul Thomas Anderson, que faz em O Mestre uma revisão psicológica de um homem seduzido pela Causa, uma seita religiosa aos moldes da Cientologia – a religião mais bizarra, à qual Tom Cruise, John Travolta e outros astros pertencem.

O filme dividiu boa parte do público e da crítica, mas ninguém ousou questionar o talento do trio principal – Joaquin Phoenix (que voltou a atuar depois da palhaçada de I’m Still Here), Phillip Seymour Hoffman e Amy Adams. Os três foram indicados ao Oscar.

A Volta dos que não Foram I - Robert Zemeckis

Robert Zemeckis, diretor querido por filmes como De Volta para o Futuro e Forrest Gump, não trabalhava com gente de verdade há muito tempo, depois de dirigir as animações inexpressivas em motion-capture O Expresso Polar, Beowulf e Os Fantasmas de Scrooge.

Agora, ele volta aos grandes filmes emocionais (como Contato e Náufrago) com O Voo, um filme bastante emocional com Denzel Washington em um grande papel como o piloto alcoólatra e viciado em cocaína que, mesmo sob o efeito das drogas, realiza um pouso impossível, evitando um acidente terrível.

A Volta dos que não foram II - Cronemberg (e filho!)

Outro que também voltou às raízes foi David Cronemberg. Famoso por seus filmes de ficção científica que flertam com o grotesco e com o psicológico, o diretor abandonou o gênero em sua tríade de filmes recentes com o ator Viggo Mortensen (Marcas da Violência, Senhores do Crime e Um Método Perigoso).

No entanto, em 2012 lançou o incompreendido Cosmopolis, um filme complexo, abstrato e difícil sobre valores contemporâneos através do personagem playboy interpretado por Robert Pattinson em uma atuação surpreendentemente elogiada.

Nesse mesmo ano, o filho de Cronemberg debutou na direção no filme Antiviral, que não foi muito bem recebido. O mais engraçado é a justificativa juvenil de Brandon Cronemberg de sua inspiração: assistiu à uma entrevista de Sarah Michelle Gellar no programa de Jimmy Kimmel na qual ela estava gripada e falou que não assoaria o nariz para não infectar a audiência. Daí a idéia absurda do filme de acompanhar um sujeito normal infectado pelo vírus de uma celebridade.

A Volta dos que não foram III - Dario Argento

O grande Dario Argento também esteve de volta em sua bizarra adaptação livre do romance de Bram Stoker, Dracula 3D. O filme, apesar da curiosidade de ter Rutger Hauer como Van Helsing, foi a sessão mais constrangedora e criticada de Cannes, segundo quem estava lá. O filme pode ter potencial para virar cult.

A Volta dos que não foram IV - William Friedkin

Por fim, outro grande nome do cinema norte-americano que retornou com força é William Friedkin, consagrado diretor dos anos 70 que nos trouxe O Exorcista e Operação França, e agora aparece com o cinismo ao lançar Killer Joe, um filme pesado e nervosamente engraçado, que se baseia na corrente literária americana do “policial gótico sulista”. O filme conta com a grande atuação da vida de Mathew McConaughey como o assassino de aluguel do título, que complica a vida da família suburbana do personagem de Emile Hirsch.

Ia, mas (ainda) não foi - Soderbergh

Por falar em Mathew McConaughey, foi um grande ano para esse ator que nunca foi levado muito a sério. Ele esteve em Magic Mike, do popular diretor Steven Soderbergh, que vem ameaçando a aposentadoria há tempos, e que dessa vez, parece ser verdade.

Magic Mike, conhecido como o “filme-dos-strippers”, é um filme leve baseado na vida do próprio ator que o protagoniza, Channing Tatum, que, antes de ser ator, teve um complicado início como stripper na Florida. O que garante piadinhas em qualquer premiação em que ele apareça.

O filme, evidentemente, enfrentou uma grande resistência do público masculino, o que pode ter prejudicado um pouco sua bilheteria. Mas pelo baixo orçamento, o filme foi um dos mais lucrativos do ano.

Soderbergh também lançou Haywire – A Toda Prova, thriller que, apesar do grande elenco (Michael Fassbender, Ewan McGregor, Channing Tatum, Antonio Banderas, Michael Douglas), se deu mal nas bilheterias estreando em janeiro. Soderbergh promete aposentadoria após seu próximo filme.

A volta dos que não foram V - Clint Eastwood como ator.

Quem também havia falado em se aposentar (da carreira de ator), mas voltou atrás é o grande Clint Eastwood, que apesar de não ter dirigido nada em 2012, apareceu em Curvas da Vida, drama de esportes em que interpreta um técnico de baseball. O filme teve recepção morna e só agradou aos fãs do esporte.

E um grande ano para a Dama Maggie Smith!

Já a Dama Maggie Smith não parece nem pensar no assunto aposentadoria. Após vencer um câncer de mama e se livrar do estigma de Profª Minerva depois de oito filmes em Hogwarts, Maggie voltou com toda a força em duas comédias sobre terceira idade.

O Quarteto, a estreia de Dustin Hoffman na direção, traz Maggie e um respeitoso grupo de atores britânicos na comédia sobre música erudita.

E grande sucesso O Exótico Hotel Marigold, do inglês John Madden (Shakespeare Apaixonado), brinca com os problemas de idosos no exótico cenário indiano. No elenco, além de Maggie Smith, tivemos Bill Nighy, Tom Wilkinson, Dev Patel e a também Dama Judi Dench, que assim como a colega de elenco, agora enfrenta problemas de saúde e recusa-se a ceder.

E o sucesso de Maggie Smith na televisão continua impressionante na cada vez mais elogiada série Downton Abbey

Ewan McGregor e as causas (quase) Impossíveis

Outro diretor europeu também entregou uma obra filmada no oriente. Lasse Halstrom lançou Salmon Fishing in the Yemen – Um Amor Impossível, comédia romântica que apostou no carisma dos astros Ewan McGregor e Emily Blunt para falar de fé e otimismo.

Ainda falando em oriente, Ewan McGregor e em filmes com “impossível” no título, o drama de catástrofe espanhol O Impossível traz o ator mais uma vez ao lado de Naomi Watts na sofrida história que se passa em meio ao tsunami que assolou a Ásia em 2004. As atuações dos dois foram bastante elogiadas e inclusive garantiram a Watts uma indicação ao Oscar, além dos maiores prêmios de cinema da Espanha – o Goya e o Gaudí.

Wolverine e Mulher Gato sonharam um sonho em Grande Angular

Após vencer o Oscar por O Discurso do Rei, o criticado diretor Tom Hooper investiu em um projeto ambicioso: levar para as telas um dos mais célebres musicais da Broadway: Les Miserábles.

O elenco não poderia ser mais óbvio, mas também não poderia ter sido melhor escalado: Hugh Jackman e Anne Hathaway, dois atores populares com história nos palcos mas que jamais soltaram a voz no cinema, para os papéis de Jean Valjean e Fantine. Ainda no elenco, Amanda Seyfried (que fez sucesso em Mamma Mia), os filhotes da broadway Eddie Raymane e Samantha Barks e a dupla Helena Bonham Carter e Sacha Baron Cohen para papéis semelhantes aos que tinham em outro musical – Sweeney Todd. Fora esses, o filme ainda confirmou Russel Crowe como o vilão Javert, o que foi uma surpresa, pois ninguém o imaginava cantando.

O mais comentado aspecto foi a decisão de fazer todas as canções ao vivo no set, fato que foi vendido como novidade, mas que, apesar de ser uma prática pouco comum, não é inédito. Isso garantiu o Oscar de Mixagem de Som para o filme. A crítica não recebeu o longa tão bem, e a maior parte dos comentários negativos foi para as decisões estéticas de Tom Hooper, como o excessivo uso de closes, de câmera na mão e de grande-angular.

 

Anne Hathaway foi o grande destaque do grande sucesso de bilheteria que foi Os Miseráveis, apesar da autoindulgência da moça durante a temporada de prêmios, na qual venceu todos aqueles pelos quais concorreu. A cena da canção “I Dreamed a Dream”, filmada sem cortes, foi martelada sem parar nas nossas cabeças. Para o papel, Hathaway teve que emagrecer muito e exercitar muito a voz (e ter o cabelo cortado em cena).

Life of CGI

Quando Ang Lee foi confirmado como diretor da adaptação do bestseller “A Vida de Pi”, muitos estavam pessimistas, visto que consideravam o livro sobre o menino náufrago com seu tigre uma obra “infilmável”. E quando as primeiras imagens e trailers saíram, as primeiras impressões eram de uma propaganda de TV Full HD com cores vivas e efeitos luminosos.

Felizmente, a primeira impressão não ficou, e As Aventuras de Pi foi uma surpresa, tornando-se o maior sucesso de bilheteria dentre os indicados ao Oscar esse ano, fazendo quase 600 milhões nos cinemas ao redor do mundo.

Os efeitos visuais, principalmente os que se referem ao tigre Richard Parker, são impressionantes, a ponto de órgãos ecológicos indianos exigirem a comprovação de que não utilizaram animais reais no filme.

O filme rendeu quatro Oscars, incluindo o de Melhor Diretor para Ang Lee, e de Melhores Efeitos Visuais, o que garantiu a polêmica. A empresa responsável por vários dos efeitos do filme, a Rythim & Hues, havia declarado falência algumas semanas antes da premiação. Manifestantes apareceram próximos à cerimônia, protestando contra a desvalorização dos profissionais da área, gerando inclusive correntes de apoio na internet. E o sempre carismático Ang Lee comemorou o prêmio com um hamburger.

O triunfo vintage de Wes Anderson

Wes Anderson nunca foi um diretor extremamente popular, apesar de ter seus fãs de nicho por Tenembaums, A Vida Marinha de Steve Zissou, Viagem a Daarjeling, Sr. Raposo... Mas em 2012, o lançamento limitado de seu filme infanto-juvenil vintage, Moonrise Kingdom, superou todas as expectativas.

Adorado pela crítica e por seu restrito público ao redor do mundo, o filme conta a história de um casal de pré-adolescentes fugindo juntos, enquanto a família da menina e o grupo de escoteiros do menino procuram por eles.

Euro-Tour de Woody Allen chegou à Itália

Woody Allen, continuando seu Euro-Tour, agora foi para a capital italiana criar um mosaico mostrando quatro pequenas histórias na capital dos romanos: duas sátiras às celebridades, uma estrelada por Roberto Benigni e outra pelo próprio Woody Allen, e duas histórias mais intimistas. A minha favorita foi a que Alec Baldwin assiste à sua versão mais jovem cometendo as mesmas burradas sem conseguir impedir.

O filme foi um grande sucesso de bilheteria, mas nem de perto com a empolgação com a qual Meia Noite em Paris foi recebido.

Anna Karenina e o triunfo do figurino

Joe Wright, um dos mais subestimados diretores de Hollywood (Orgulho e Preconceito, Desejo e Reparação e Hanna), voltou a trabalhar com Keira Knightley em outra adaptação literária – agora do clássico de Tolstoi. A recepção do filme pelo público foi morna, mas não faltaram infinitos elogios aos figurinos – premiados com o Oscar – mas também à fotografia, à trilha e à direção de arte. Por que não fez sucesso então? Ah, talvez por que o livro é de um autor russo e não da Jane Austen.

"Os Infratores" e a recepção mais seca do que a Lei

Outro filme deixado de lado foi o elegante filme de gangster na época da lei seca – Os Infratores. A recepção do filme não foi empolgada como se esperava, por ser do diretor John Hillcoat, do aclamado A Estrada, isso somado ao fato de a trilha ser composta por Nick Cave, e ter um ótimo elenco (Gary Oldman, Jessica Chastain, Shia La Beouf, Tom Hardy, Mia Wasikowska). Infelizmente, foi um filme deixado de lado por público e crítica. Pelo menos, provou que Shia La Beouf sabe atuar.

Biopics I - Bill Murray para Presidente!

Apesar do prestígio e popularidade do astro Bill Murray, sua interpretação do presidente Roosevelt (Franklin, não Ted) não fez muito barulho, ainda que elogiada. A bilheteria muito abaixo do esperado talvez tenha sido pelo aspecto de telefilme que a obra parece ter.

Biopics II - Dois lados de Hitchcock

Assim como Murray, outra caracterização bastante comentada foi a de Anthony Hitchcock como Alfred Hopkins (han han). Quer dizer, o contrário. O trocadilho foi só pela coincidência das iniciais, na verdade, porque os dois não ficaram exatamente parecidos devido à criticadíssima maquiagem. Foi um fracasso de bilheteria e não rendeu nem indicações a prêmios para seu astro, Hopkins. Muito mais elogiada foi Helen Mirren ao interpretar a mitológica Alma. O filme conta os bastidores do maior sucesso do diretor – Psicose. O papel do grito mais famoso do cinema – Janet Leigh – ficou para Scarlett Johansson.

Ao mesmo tempo, na HBO, foi lançado o telefilme The Girl, que conta os bastidores de Os Pássaros, e os conflitos com a atriz Tippi Hedren. Diferente do filme de Hopkins, que conta uma versão bem humorada do diretor, este mostra Hitchcock como uma figura bem mais doentia e pervertida na caracterização estranha de Toby Jones. O filme gerou alguma polêmica ao se basear no depoimento de Tippi sobre os acontecimentos, que vai de encontro com os depoimentos de quase todo o resto da equipe.

Biopics III - Hemingway & Gellhorn

Outro telefilme elogiado em retratar momentos de celebridades foi Hemingway & Gellhorn, que mostra a relação entre o grande escritor Ernest Hemingway (Clive Owen) e a jornalista Gellhorn (Nicole Kidman). Kidman foi bastante elogiada por essa performance.

Biopics III - Game Change e Political Animals

Depois de Tina Fey satirizar a ex-governadora do Alaska Sarah Palin na sua campanha para ser vice-presidente de John McCain nos EUA, agora Julianne Moore e Ed Harris investigam de maneira mais apurada uma das eleições mais concorridas da história recente dos EUA. O partido republicano, obviamente, criticou Game Change, McCain e Palin disseram que nem sequer assistiriam. Os líderes das campanhas dos dois, Steve Schmidt e Nicole Wallace (interpretados no filme por Woody Harrelson e Sarah Paulson) afirmaram que o filme é extremamente apurado e um preciso relato do que aconteceu. A verdade é que o filme é menos crítico e mais fatalista, apesar de os erros da campanha ficarem evidentes.

E Sigourney Weaver lançou o seu Political Animals, em que aparece como uma divorciada primeira dama que insiste na política como Governadora de Illinois e Secretária de Estado. Nunca foi afirmado, mas parecem ter deixado clara a inspiração em Hillary Clinton.

Mais TV

A minissérie faroeste do History Channel, Hatfield & McCoys, estrelada por Kevin Costner, surpreendeu aparecendo bastante nas premiações. E ainda, Aaron Sorkin (vencedor do Oscar por A Rede Social e indicado por Moneyball) lançou sua elogiada série sobre os bastidores do jornalismo, The Newsroom, com Jeff Daniels. 

J. J. Abrams continua tentando emplacar novas séries na TV americana depois do insatisfatório final de Lost. Alcatraz, apesar dos elogios feitos à série, viu sua audiência baixar e não durou mais de uma temporada. Revolution foi uma grande decepção, apesar do atraente conceito do grande apagão de energia no mundo que faz com que a sociedade volte ao primitivo. E Person of Interest segue seu moderado sucesso em nova temporada. 

Entre as várias séries que apareceram em 2012 (além dos já citados sucessos Girls e Smash), tivemos Luck, série sobre corridas de cavalos produzida por Michael Mann e estrelada por Dustin Hoffman, mas que acabou cancelada depois que o TERCEIRO cavalo da série morreu no set. 

E 2012 também se despediu de três grandes séries importantes nesse século XXI. Fizemos nossa última visita em Wisteria Lane no final de Desperate Housewives, o Dr. House deu seu último diagnóstico emburrado, e não vamos mais curtir um barato com Weeds.

E no Brasil, desde que Odete Roitman foi assassinada que uma telenovela não tomava o Brasil por assalto como aconteceu com Avenida Brasil, que fez com que quase 100 milhões de espectadores se reunissem para assistir ao último capítulo de Carminha e Nina. A novela se tornou um fenômeno na internet e um grande sucesso de crítica, devido ao roteiro de João Emanuel Carneiro e à impressionante estética inovadora para o formato. Oi Oi Oi!

Cinema Indie

O Lado Bom de JLaw

O filme “independente” de maior sucesso do ano foi Silver Linings Playbook -  O Lado Bom da Vida, cujo sucesso tem as mãos de Harvey Weinstein por trás. O filme dirigido por David O. Russell (O Vencedor) teve um raro caso de indicação às quatro categorias de atuação para Jennifer Lawrence, Bradley Cooper, Robert De Niro e Jacki Weaver – somente a primeira venceu, mas ao receber seu prêmio, tropeçou no seu belíssimo vestido Christian Dior. O filme alavancou as vendas do livro no qual é baseado e consolidou JLaw como a garota do momento na mídia americana, com seu jeito cool e esclarecido de se expressar. 

O Triunfo Independente da Indomável Sonhadora

Falar em “independência” no cinema norte-americano atual é um assunto complicado. Filmes como “Pequena Miss Sunshine”, “Juno” e o próprio “O Lado Bom da Vida” são chamados de indies, mas a verdade é que sua distribuição tem grandes estúdios por trás, e são estrelados por astros nada desconhecidos. O grande vencedor de Sundance, Indomável Sonhadora, no entanto, é um filme independente não só “de raiz” como de fato “sobre raízes”. No caso, a relação da menina Hushpuppy com a comunidade pesqueira da Banheira, uma das várias frequentemente ameaçadas por erosão, furacões e chuvas em Louisiana.

O elenco, formado somente por moradores de comunidades, impressionou por não ter experiência, e ainda assim entregar poderosas atuações, em especial a garota Quvenzhané Wallis, que conseguiu o papel aos cinco anos de idade, apesar da produção ter procurado garotas com idade entre seis e nove anos. A garota foi a mais jovem já indicada ao Oscar na História do cinema. Além dela, outro destaque foi Dwight Henry, o intérprete do pai, que originalmente era apenas o dono de uma padaria.

Além de ter uma clara influência de Terrence Mallick (Árvore da Vida), o filme flerta também com o realismo mágico ao expressar as angústias de Hushpuppy em fantasias particulares, lembrando o excelente Onde Vivem os Monstros. O filme foi protegido por grandes nomes como Oprah Winfrey e o próprio presidente Barack Obama. Além da menina Wallis, o filme, o roteiro e o diretor Ben Zeitlin também foram indicados.

As Vantagens de ser Invisível

Os astros da série Harry Potter continuam, aos poucos, tentando se desvencilhar de seus papéis. Emma Watson, a Hermione, lançou em 2012 a comédia dramática indie hipster As Vantagens de Ser Invisível junto com Logan “Percy Jackson” Lerman e Ezra “Precisamos falar sobre o Kevin” Miller. O filme é uma adaptação do bestseller de mesmo nome dirigida pelo próprio autor do livro.  O filme atingiu o público-alvo em cheio, e empolgou a crítica.

End of Watch

End of Watch - Marcados para Morrer foi um filme policial independente que chegou no Brasil com esse título genérico infeliz e acabou passado em branco. O filme fez sucesso moderado nos EUA e foi bastante elogiado pela crítica, em especial pelas atuações de Jake Gylenhaal e Michael Peña. O filme é dirigido por David Ayer, que vem se especializando em filmes do gênero, tendo inclusive escrito os roteiros de Velozes e Furiosos e SWAT.

 

Os Irmãos Duplass (Cyrus) também trabalharam com relações familiares em Jeff & as Armadilhas do Destino¸ filme com Jason Segel e Susan Sarandon. Também lançaram o pouco visto The Do-Deca-Pentathlon¸ um filme esportivo sobre a crise dos 30 anos. Eles aparecem como produtores executivos em Sem Segurança Nenhuma, estreia do diretor Colin Trevorrow, com roteiro de Derek Connely. A comédia fez bastante sucesso em Sundance e venceu o Independent Spirit de roteiro.

Foi um bom ano para Mark Duplass, além dos filmes que escreveu, dirigiu e produziu ao lado do irmão Jay, ele também estrelou People Like Us – Bem vindo à Vida (com Chris Pine, Michelle Pfeiffer e Elizabeth Banks), o filme de cachorro Querido Companheiro (com Diane Keaton e Kevin Kline) e Your Sister’s Sister (com Emily Blunt e Mike Birbiglia).

Os astros Robert De Niro e Susan Sarandon preferiram o mundo independente esse ano. De Niro, além de Silver Linings, estrelou o drama de pai-e-filho Being Flynn ao lado de Paul Dano. E Susan apareceu ao lado de Frank Langella na comédia dramática Frank & o Robô. 

O popular comediante americano Mark Birbiglia também fez piada com seu próprio sonambulismo no seu filme de estreia na direção, Sleepwalk With Me. O filme ganhou o prêmio do público em Sundance.

O diretor indie Lee Toland Krieger lançou a sua comédia romântica pós-moderna Celeste e Jesse para Sempre, com roteiro de Rashida Jones e estrelado por ela e Andy Samberg.

A dupla de Escola de Rock, Jack Black e Richard Linklater, voltaram a trabalhar juntos em Bernie¸ elogiada comédia sobre um agente funerário. No filme também participam Matthew McConaughey e Susan Sarandon. Jack Black recebeu uma indicação ao Globo de Ouro de melhor ator em comédia pelo filme, entre vários outros elogios.

No thriller independente Sound of My Voice, o diretor Zal Batmanglij contou a história de uma seita cujo líder diz saber sobre o futuro.

Deixe a Luz Acesa, dirigido pelo premiado Ira Sachs (Forty Shades of Blue e Married Life), é um filme autobiográfico representante do novo movimento que vem sendo chamado de New-Wave Queer Cinema

A diretora russo-americana Julia Loktev lançou o romance de viagens The Loneliest Planet, estrelando Gael Garcia Bernal.

Em Middle of Nowhere, a diretora estreante Ava DuVerneay mostrou o drama de Rudy, uma mulher que tem que lidar com a prisão do marido enquanto decide em como vai levar a vida dali pra frente.

John Krasinski estrelou a comédia romântica Nobody Walks, escrita por Lena Dunham, a criadora da série Girls

 

Not fade Away é o drama sessentista de rock de David Chase, o criador de A Família Soprano, que voltou a trabalhar com seu astro James Gandolfini no filme sobre o cenário musical de New Jersey.

Bradley Cooper, além de estrelar O Lado Bom da Vida, também estrelou o drama As Palavras com Zoe Saldana, Olivia Wilde, Jeremy Irons, Ben Barnes e Dennis Quaid. O filme, sobre um autor bloqueado que descobre um manuscrito e fica na indecisão de publicá-lo em seu nome ou não, foi acusado de plagiar um romance alemão, por mais irônico que isso seja. Além disso, o filme não foi nem um pouco bem aceito entre os críticos.

A Negociação, estrelado por Richard Gere e Susan Sarandon, rendeu a Gere uma indicação ao Globo de Ouro.

Compliance é um thriller independente bastante elogiado, principalmente pela atuação de Ann Dowd, que apareceu bastante na award season nas categorias de coadjuvante.

Quem também apareceu bastante nas premiações nas categorias de coadjuvante (inclusive no Oscar) foi Helen Hunt por As Sessões. Além dela, John Hawkes também apareceu, mais timidamente. O filme é um drama sobre um homem inválido e por isso, virgem, que depois de anos, decide perdê-la com a ajuda de uma terapeuta e de um padre.

Documentários

The Waiting Room mostrou problemas do sistema de saúde ao acompanhar o dia-a-dia de pacientes e funcionários de um hospital em Oakland, Califórnia. Escolhido por muitos um dos melhores filmes de 2012.

Chasing Ice foi a investida do fotógrafo James Balog e do diretor Jeff Orlowski para registrar em vídeo o resultado das mudanças climáticas nas geleiras do polo norte. O filme surpreendeu ao entrar na corrida pelo Oscar de Melhor Canção para a bela música "Before My Time", escrita por J Ralph e executada pela atriz Scarlett Johansson.

O polêmico The Invisible War foi aclamado mundialmente ao denunciar práticas de estupro do exército americano acobertadas pela mídia.
 

How To Survive a Plague reavivou a discussão acerca da epidemia da AIDS e mostrou que há ainda há muito o que se discutir. The Central Park Five também reavivou um tema que muitos julgam superado - o polêmico caso do estupro de um jovem negro no Centra Park em 1989.

Israel e Palestina, apesar dos intermináveis conflitos político-religiosos, apareceram lado a lado no Oscar. O israelense The Gatekeepers apresenta a história da Shin-Bet, a organização de inteligência israelense, desde a Guerra dos Seis Dias até hoje.  E o inovador documentário palestino 5 Broken Cameras cria conceitos interessantes de narrativa e montagem para tratar dos conflitos de terras na Cisjordânia.

Os documentários musicais, uma tendência já identificada em 2011, começaram a aparecer com ainda mais quantidade em 2012. O maior destaque foi para Marley, que como o nome diz, investiga a vida do rei do reggae. Outro destaque foi o vencedor do Oscar de melhor documentário, Searching for Sugarman, que se pretende a descobrir o que aconteceu com Sixto Rodriguez, músico americano da década de 70, cuja carreira evanesceu rapidamente. Outro documentário na mesma linha é Paul Williams Still Alive, este com o foco no cantor do título.

No Brasil, a moda aumenta cada vez mais. Os elogiadíssimos Tropicália e Futuro do Pretérito: Tropicalismo Now! analisam sob ópticas diferentes um dos movimentos (pós)modernos mais importantes do Brasil. A bossa nova também foi contemplada através do filme A Música de Tom Jobim, de Nelson Pereira dos Santos, um dos nosso mais renomados documentaristas.  Eduardo Coutinho lançou seu novo As Canções, documentário experimental sobre como a música pode marcar a vida das pessoas. E Raulzito também apareceu nos cinemas com Raul: O início, o fim e o Meio, que trouxe reveladoras entrevistas, inclusive de Paulo Coelho. Gonzaga – De Pai para Filho não é um documentário, mas um filme de ficção sobre o rei do baião, o filme não foi tão bem recebido quanto 2 Filhos de Francisco, mas teve uma boa bilheteria (principalmente no nordeste, terra do cantor) e vários elogios às atuações.

Não só a música, mas outras formas de arte também tiveram seu destaque nos documentários de 2012, principalmente em dois filmes: Ai Wei Wei: Never Sorry¸ que acompanha o polêmico artista chinês, e Marina Abramovic: Artista Presente que mostra a artista sérvia famosa pelas performances preparando uma retrospectiva de sua obra. Os quadrinhos também apareceram com Morgan Spurlock (Super Size Me) mostrando bastidores e depoimentos da maior convenção nerd do mundo em Comic Com Episode IV: A Fan’s Hope.

Cinema em Festivais e ao Redor do Mundo

Amour

Sem dúvida alguma, o filme saído de festivais com maior destaque foi a nova obra de Michael Haneke, o pesado “Amour”, grande vencedor da Palma de Ouro em Cannes, do César e do Oscar de melhor filme estrangeiro. O fenômeno foi uma coprodução franco-austríaca, e contou com dois célebres astros franceses de idos tempos: Jean Louis Trintignant e Emanuelle Riva. Ambos foram elogiadíssimos por suas atuações, mas somente Riva foi indicada aos Academy Awards, tornando-se a mais velha atriz a conseguir o feito.

Apesar de ser aclamado mundialmente, como trata-se de Michael Haneke, houveram detratores. Até mesmo por esse filme, humano até não poder mais, o diretor foi acusado pela suposta falta de humanidade. Mais: o filme foi acusado de plágio do alemão “Ich Klage an” (“eu acuso”).

Cesar Deve Morrer

Foi uma surpresa a vitória do retorno dos Irmãos Taviani no Festival de Berlim, onde seu novo filme, “César deve Morrer”, saiu com o Urso de Ouro. O filme flerta com o documentário, com o falso documentário, com “filme de prisão”, “épico” e “filme metalinguístico”, sem ser exatamente nenhum deles. O inventivo filme apresentou um misto de drama e encenação da obra de Shakespeare “Júlio Caesar” com um elenco todo formado por presidiários de segurança máxima.   

Pietá

Um forte representante do brutal cinema sul-coreano, Kim Ki Duk, lançou seu Pietá, e com ele, venceu o Leão de Ouro no Festival de Veneza. Polêmico por misturar mistérios sexuais com simbolismos religiosos.

Holy Motors

Um dos filmes mais comentados do circuito alternativo é o franco-alemão Holy Motors, dirigido pelo francês Leos Carax. Um filme bastante experimental sobre um ator que vive vidas paralelas, entre estranhas brincadeiras, jogos metalinguísticos e uma estranheza absurda. Denis Lavant foi bastante elogiado por sua atuação no filme, gerando bastante burburinho na temporada de prêmios. O filme foi escolhido pela revista Cahiers Du Cinema como o melhor do ano.

A Parte dos Anjos

O novo de Ken Loach, A Parte dos Anjos, contou uma história sobre juventude e redenção e foi aclamado em vários festivais e recebeu o prêmio do júri em Cannes.

A consagração de Mads Mikkelsen

Mads Mikkelsen, outrora o vilão de Cassino Royale, conseguiu destaque em Berlim no drama de época O Amante da Rainha e o prêmio de Melhor Ator em Cannes por A Caça, polêmico drama de Thomas Vinterberg sobre um professor acusado de pedofilia.

Ferrugem & Osso

Marion Cotillard circulou por inúmeras grandes premiações, apesar de ter sido esnobada nos Oscars por este filme francês – Ferrugem e Osso – como a sofrida treinadora de baleias do filme do diretor Jacques Audiard (O Profeta).

The Paperboy

Provavelmente, o filme mais rejeitado dessa temporada de festivais foi esse The Paperboy. Lee Daniels, o diretor de Preciosa, investiu nessa adaptação do romance de Pete Dexter. De início, foi ovacionado em Cannes por 16 minutos. A crítica, no entanto, se dividiu, resultando num “ame ou odeie”. As atuações foram elogiadas, principalmente de Nicole Kidman, que tem tido vários “comeback” nos últimos anos, sem nunca de fato emplacar.  A mão pesada do diretor, no entanto, foi altamente criticada. No elenco, encabeçado pelo astro infanto-juvenil Zac Efron, tem ainda John Cusack e Matthew McConaughey. 

Rebelle - A Feiticeira da Guerra

O filme canadense de Kim Nguyen filmado no Congo apareceu no Festival de Berlim e venceu o Urso de Prata de melhor atriz para a estreante Rachel Mwanza como a garota de 14 anos que conta para o filho que cresce em seu ventre a história de sua vida como rebelde revolucionária aos 12.

Great Expectations

A nova adaptação literária de Mike Newell (O Amor nos Tempos do Cólera) circulou em festivais pelo mundo todo, mas passou em branco pelos cinemas fora da Inglaterra, sem fazer muito público, fazendo com que não tivesse uma distribuição ampla e imediata, apesar do elenco encabeçado por Helena Bonham Carter e Ralph Fiennes. 

Entre outros filmes que circularam pelos festivais e circuitos estrangeiros, estão os argentinos Infância Clandestina e Elefante Branco; o elogiadíssimo chileno No com Gel Garcia Bernal; o uruguaio 3 do Pablo Stoll; o coreano Da-reun Na-ra-e-seo (In Another Country); o novo de Abbas Kiarostami Um Alguém Apaixonado; o romeno Além das Montanhas; o novo de Resnais Vous n'avez encore rien vu; o novo de Xavier Dolan Laurence Anyways; o mexicano Despues de Lucia; o novo de François Ozon Dentro de Casa; o novo de Ben Wheatley Sightseers; o novo de Raul Ruiz La Noche de Enfrente; o novo de Bertolucci Eu e Você; o romance fantástico sul-coreano A Werewolf Boy; o suspense canadense Keyhole; a estranhíssima coprodução EUA-Hong Kong The Man with the Iron Fists com Russell Crowe e Lucy Liu dirigida pelo rapper RZA; o português Tabu; o americano Late Quartet, com Phillip Seymour Hoffman e Christopher Walken;  os dois primeiros da trilogia de Paradies, de Ulrich Seidl; O norueguês indicado ao Oscar Kon Tiki; o novo de Marco Bellochio A Bela que Dorme; e o vencedor do Urso de melhor diretor Barbara. 

On the Road - Pé na Estrada

O brasileiro Walter Salles lançou a adaptação cinematográfica do supostamente “infilmável” clássico de Jack Kerouac, On the Road. O filme não teve a recepção empolgada que se esperava, mas também não foi rejeitado. A atuação de Garret Hedlund como Dean Moriarty foi extremamente elogiada, assim como a fotografia e a trilha embalada por jazz improvisado. Uma surpresa foi Kristen Stewart, que chegou até a receber alguns elogios por sua performance de Marylou.

No Brasil, também tivemos uma nova onda de “Road movies”, com filmes como A Última Estrada da Praia, Além da Estrada e Colegas. Esse último, vencedor de vários prêmios inclusive no Festival de Gramado, vem se beneficiando do sucesso da campanha “Vem, Sean Penn”, em que o ator principal, portador de síndrome de Down, pede que seu ator favorito assista ao filme no Brasil. Ele acabou não vindo, mas a campanha se espalhou como um viral.

No mesmo Festival de Gramado, tivemos a presença de filmes como o novo de Matheus Souza (o nerd que fez Apenas o Fim), Eu não faço a Menor Ideia do que Eu to Fazendo com a Minha Vida e o comentadíssimo O Som ao Redor, estreia do diretor Kleber Mendonça na direção.

360

O duas vezes indicado ao Oscar Fernando Meirelles também não foi muito bem recebido por seu filme menor, 360°, um filme mosaico circular com Anthony Hopkins, Jude Law, Maria Flor e Rachel Weisz. O filme teve uma recepção bastante negativa pelos festivais que passou, considerado por muitos um filme vazio ou perdido.

Xingu

A 02, companhia de Fernando Meirelles, também produziu o bastante comentado Xingu, de Cao Hamburger. O filme conta a história dos Irmãos Villas-Bôas na Amazônia de maneira burocrática. Os maiores elogios foram frente à produção do filme, que se aventurou na região onde o filme realmente se passa. O filme teve críticas divididas, algumas elogiavam a produção, outras chamavam atenção para o roteiro fraco.

Uma polêmica foi em relação à entrevista que Fernando Meirelles criticando o fracasso do filme no Rio Grande do Sul, acusando os gaúchos de apenas assistir a filmes “com bombacha”. Desde então, Meirelles não é mais uma figura tão popular no estado bairrista do RS.

Aliás, Meirelles anda falando demais em entrevistas, a ponto de colocar palavras na boca do colega José Padilha. Segundo Meirelles, Padilha está sofrendo ao trabalhar na produção da refilmagem de Robocop. Não tardou para que o diretor de Tropa de Elite desmentisse o mineiro. Não sabemos o que é verdade, sabemos apenas que Meirelles deveria ficar mais quieto.

Entre os outros filmes nacionais de destaque, estão: Heleno, drama sério autobiográfico em preto e branco pelo qual Rodrigo Santoro foi extremamente elogiado como o jogador de futebol do título; o filme jovem Paraísos Artificiais; o wannabe Guy Ritchie/Zack Snyder 2 Coelhos; e as comédias, que continuam sendo o carro-chefe das bilheterias brasileiras: E aí, Comeu?, Billi Pig, Agamenom, De Pernas pro Ar 2 e Até que a Sorte nos Separe, que fez Leandro Hassoum um astro da bilheteria.

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