Antes da Meia-Noite

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Enviado por Luciana em qui, 06/13/2013 - 14:49

Venho acompanhando a história de Jesse (Ethan Hawke) e Celine (Julie Delpy) desde que ambos desembarcaram daquele trem em junho de 1994, em Viena. Richard Linklater concebeu o filme Antes do Amanhecer de forma mágica. O roteiro traz diálogos muito bem construídos, cheios de significado e que nos fazem conhecer um pouco de ambos os personagens. Após passarem a noite desvendando as belezas da cidade eles precisam se separar, cada um precisa seguir seu rumo.

Em Antes do Pôr-do-Sol voltamos a encontrá-los em Paris, nove anos mais tarde. E nove anos mais velhos. Dessa vez Julie Delpy e Ethan Hawke assinam o roteiro junto com Linklater, ajudando a construir a história de seus personagens. Os diálogos novamente muito bem escritos nos mostram a realidade de duas pessoas que passaram nove anos sem se ver e que mesmo assim não conseguiram esquecer o sentimento que construíram em uma única noite que passaram juntos.

Depois de dois excelentes filmes, a expectativa para o (provável) desfecho da história de Jesse e Celine era alta. Afinal, mais nove anos se passaram desde a última vez que encontramos o casal.

E foi com certo alívio que saí da sessão de imprensa de Antes da Meia-Noite (Before Midnight, 2013), pois mais uma vez o diretor nos entregou um belo filme, repleto de significados e história.

Dessa vez encontramos Celine e Jesse mais velhos, com mais preocupações e em férias na Grécia com suas filhas gêmeas e o filho do primeiro casamento dele. Depois de deixarem o garoto no aeroporto para voltar para Chicago – onde mora com a mãe, com quem Jesse não tem um bom relacionamento – eles voltam de carro para o sítio onde estão hospedados, na casa de um escritor supostamente famoso. Nesse ponto podemos perceber um pouco de como se tornou a vida deles depois de casados, pois os diálogos, apesar de muito bem construídos não são do mesmo teor que estávamos acostumados. Aqui temos um casal que se preocupa com o trabalho, os filhos, as contas para pagar e o problema que é a distância que separa Jesse de seu filho.

Temos vários personagens em cena, alguns mais relevantes que outros, mas todos com seu papel a desempenhar. Durante um almoço com a família com quem estão hospedados é que temos os diálogos mais bem elaborados do filme, com o excelente roteiro novamente escrito pelos dois atores e o diretor. Algumas tiradas são fantásticas, o humor – às vezes pendendo quase para o humor negro – está presente em boa parte das conversas.

Jesse e Celine se conhecem tão bem depois de tanto tempo, que as constantes discussões do casal são recheadas de alfinetadas. Arrisco a dizer que ambos sabem exatamente o que dizer, em que ponto fraco tocar para derrubar os argumentos do outro. Celine está muito mais neurótica do que já era, o que se torna combustível para as brigas.

Se em Antes do Pôr-do-Sol tínhamos a premissa de que o amor conseguiria suportar os anos de separação que eles tiveram, aqui em Antes da Meia-Noite temos o questionamento, a dúvida, de quanto o amor é capaz de resistir depois de tantos anos juntos. Um belíssimo filme, que a meu ver pelo menos, pode encerrar de forma brilhante a história do jovem casal que se conheceu em um trem na Europa 18 anos atrás.

Cotação: 5/5 poltronas

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