Festival de Sundance 2014

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Enviado por Giordano em ter, 02/04/2014 - 20:47

ATENÇÃO: Esse artigo não é uma cobertura do festival, tampouco um conjunto de críticas ou reviews, uma vez que o autor não esteve no Festival (infelizmente). É apenas um apanhado baseado em comentários de veículos americanos que acompanharam. 

 

Esse artigo vem com quase duas semanas de atraso, mas ainda assim, acho válido. Nunca vemos muitos textos em português falando sobre as novidades do Festival de Sundance, a principal plataforma de lançamento independente do cinema americano. Portanto, esse ano resolvemos fazer um apanhado dos principais destaques do festival. Filmes que provavelmente vão dar as caras na temporada de prêmios mais para o fim do ano, chegando nas salas brasileiras entre o segundo semestre e o ano que vem, ou direto em homevideo, ou talvez nem cheguem, reservando o acesso ao filme aos meios on demand, como Netflix ou AmazonTV.

 

O cinema indie cada vez se mostra como o grande reduto criativo do cinema americano, com cada vez mais produções atingindo o público tanto nacional quanto internacional. Tudo indica que as grandes premiações tendam cada vez mais para o lado independente da industria. Portanto, sempre vale a pena chamar atenção para esse circuito. Se você ainda não está familiarizado com essa linha de cinema, aí vai um pequeno glossário de algumas definições relevantes para essa imersão:

 

PEQUENO GLOSSÁRIO DO CINEMA INDIE AMERICANO

(se você já está familiarizado com o assunto, pode pular e ir direto para os destaques)

 

Indie/Independente/Underground: As barreiras entre o que é mainstream (circuito principal) e o que é underground (circuito alternativo) estão cada vez mais flexíveis, se desintegrando enquanto os grandes estúdios de Hollywood encaram a crise do formato do blockbuster. O filme independente, teoricamente significa uma obra dissociada dos grandes estúdios, realizada através de financiamento pessoal, apoios de patrocinadores ou financiamento coletivo. Costumava circular pelo circuito independente até que, dos anos 80 para cá (com cineastas como Steven Soderbergh, Tarantino, Irmãos Coen, Richard Linklater, entre outros), esse cinema foi cada vez mais digerido pela indústria.
Hoje, vários dos grandes estúdios tem sua divisão de distribuição independente (como a Fox Searchlight, Paramount Vantage, Warner Independent Pictures, Weinstein Company, Sony Pictures Classics, entre outras) e esses estúdios agem como olheiros em festivais como Sundance e South by Southwest, “comprando" filmes para a distribuição em larga escala, apostando nos filmes para grandes premiações.

 

 

Sundance: o Festival surgiu como uma iniciativa do Sundance Institute, fundado por Robert Redford, uma instituição dedicada a ajudar novos cineastas. O festival acontece todos os anos no Park City, Utah, desde 1985, quando jovens cineastas chamados Joel e Ethan Coen venceram o grande prêmio da primeira edição, com seu longa-metragem de estréia, Gosto de Sangue. A partir daí, vários filmes populares saíram dessa iniciativa: Bem Vindo a Casa de Bonecas, O Balconista, Anti Heroi Americano, Preciosa, Inverno da Alma e Indomável Sonhadora, para ficar só nos exemplos de maior repercussão.

 

 

Mumblecore: É o principal movimento artístico do cinema independente americano dos anos 2000. O grupo, que se solidificou nessa última década, demonstra severas influências de outros movimentos (como a Nouvelle Vague e o Dogma 95) e principalmente, de cineastas americanos anteriores como o antigo Woody Allen, Jim Jarmusch, John Cassavetes e Richard Linklater. Alguns críticos ainda insistem no termo slackavette, juntando o título do filme Slacker, de Linklater, com o nome de Cassavetes.

Entre as características, estão o naturalismo e minimalismo, tanto em performance quanto em diálogo, o uso de atores não profissionais, possível improvisação, escrita de roteiro coletivo, baixo orçamento e baixo valor de produção, geralmente filmado digitalmente. 

Os principais nomes do grupo são Andrew Bujalski (Funny Haha e, ano passado, Computer Chess), Aaron Katz (Cold Weather, e esse ano, Land Ho!), os irmãos Duplass (filmes como Cyrus e Jeff e as Armações do Destino), Joe Swamberg (VHS, Um Brinde a Amizade eesse ano, Happy Christmas) e Lynn Shelton (A Irmã da sua Irmãe esse ano, Laggies).

 

Mumblegore: É a variação do mumblecore no gênero de horror. Recentemente, o filme VHS deu muita visibilidade ao submovimento.

 

New Queer Cinema:Também trata-se de um movimento do cinema independente, não necessariamente somente do americano. Aplica-se o termo geralmente a cineastas dos anos 90 e 00 cuja obra orbite pelas questões de identidade de gênero, de interesse LGBT. O termo, apesar de se originar em um artigo da Village Voice de 1992, continua sendo utilizado até hoje, o que deixa extremamente relativa a definição de “new”.

Entre os principais cineastas geralmente associados a esse grupo, estão Todd Haynes (Poison, Velvet Goldmine), Gus Van Sant (Drugstore Cowboys, Elefante, Paranoid Park), Jennie Livingston (Paris is Burning), Derek Jarman (Edward II), Gregg Araki (The Long Weekend, The Living End, Mistérios da Carne), Alexis dos Santos (Glue) e John Cameron Mitchell (Shortbus).

 

 

Indiewire: É o principal site do cinema americano independente, acompanha novidades, cobre festivais e apóia projetos. Foi em uma entrevista para esse site que surgiu o termo mumblecore. Boa parte das informações deste texto tem como fonte o site. Recomendo a leitura.www.indiewire.com

 

 

Crowdfunding: É o método de captação de recursos alternativo a qual cineastas independentes tem recorrido cada vez mais. Pejorativamente chamado de “esmola do cinema” por aqueles que não acreditam nesse método. Plataformas como Kickstarter e Indie-Go-Go têm um catálogo cada vez mais vasto em que qualquer usuário da internet pode apoiar financeiramente, com qualquer valor, um projeto que se interesse. Às vezes, esse apoio é retribuído com brindes, créditos ou com títulos de produtor executivo, outras, é realmente pelo amor.

Recentemente, o assunto gerou polêmica quando nomes milionários como Zach Braff, Spike Lee, Whoopi Goldberg e os produtores da série Veronica Mars se voltaram para essas plataformas não só como financiamento, mas como estratégia de marketing. Os defensores do financiamento coletivo como recurso do cinema independente não pouparam ataques a esses artistas. O filme de Braff, Wish I Was Here, estreou esse ano no Festival de Sundance.

 

GRANDES DESTAQUES DO FESTIVAL DE SUNDANCE 2014

 

BOYHOOD 

O filme mais comentado do ano em Sundance foi provavelmente Boyhood, o mais recente e mais ambicioso projeto de Richard Linklater, que depois de construir sua trilogia naturalista do romance de Jesse e Celine, lança esse projeto que vem filmando há mais de doze anos. Linklater acompanhou o crescimento e amadurecimento de seu ator principal, Ellar Coltrane, junto ao personagem, gravando uma semana por ano, ao longo de mais de uma década. O filme, com quase três horas de duração, emocionou a platéia de Sundance e já surge como um dos grandes destaques de 2014. Exibido fora de competição.

 

 

WHIPLASH

O grande vencedor de Sundance. Miles Teller, que ano passado empolgou o festival com The Spectacular Now, garantiu o grande prêmio e o prêmio popular para o filme do estreante Damien Chazelle, baseado no curta homônimo. O filme aborda a relação entre aprendiz e mentor ao trazer Teller como o jovem baterista e J. K. Simmons como seu duro e severo mentor. Como é de praxe com os grandes destaques de Sundance dos últimos anos, salvo exceções, o filme deve ter presença na temporada de prêmios mais tarde, até por que foi adquirido por um alto preço pela Sony Pictures Classics, o que aumenta as chances do filme, principalmente em categorias de roteiro e de ator coadjuvante (para Simmons).

 

 

KUMIKO - A CAÇADORA DE TESOUROS

Nesse drama metalinguístico, Rinko Kikuchi vive uma jovem japonesa que acredita piamente que a ficção Fargo, dos Irmãos Coen, é uma obra real, e decide se enfiar no deserto de neve de Minnesota para encontrar o dinheiro escondido do filme. Kikuchi (que se destacou em Babel e recentemente, em Círculo de Fogo) foi elogiadíssima pela performance, sem dizer muitas palavras. Apesar da trama engraçadinha, o filme é um drama sobre solidão. O filme ainda não foi vendido para alguma grande distribuidora, mas o nome de Alexander Payne como produtor executivo deve acelerar a venda.

 

 

WISH I WAS HERE

Um dos filmes mais polêmicos do Festival de Sundance esse ano, não por seu conteúdo, mas por sua estratégia de produção. O milionário comediante Zach Braff (de Scrubs) retornou a direção quase dez anos depois de Garden State - Hora de Voltar, filme queridinho de muitos que viveram sua adolescência melancólica alternativa nos anos 2000, ao som de indie rock.

Pois bem, depois de virar cult para esse nicho específico, Braff, alegando dificuldade no relacionamento com estúdios, resolveu encontrar formas diferentes de financiamento, e ao invés de usar seus bolsos, voltou-se para o Kickstarter, a principal plataforma de crowdfunding, financiamento coletivo.  

Sua escolha foi extremamente questionada, e seus críticos alegam a falta de respeito ao cinema independente. O filme, já odiado antes mesmo de alguém assistir, não encontrou grandes fãs em Sundance. Mas é de se esperar que os fãs do filme anterior de Braff encontrem mais uma pérola aqui, apesar das polêmicas.

No elenco, Josh Gad, Jim Parsons (o Sheldon, de Big Bang Theory), Kate Hudson, Ashley Greene e o próprio Braff protagonizando.

 

 

FRANK

"Frank"é o inesperado filme em que o respeitado ator Michael Fassbender interpreta um velho roqueiro cuja condição psiquiátrica faz com que ele insista em usar uma enorme cabeça de papelão o tempo todo. A história acompanha a crise da banda progressiva na qual o personagem toca, os Soronprfbs (não é erro de digitação, é isso mesmo). A comédia foi elogiada tanto pela ideia absurda, quanto pelo ritmo anárquico, e principalmente pelas músicas da banda, compostas por Stephen Rennicks, e inspiradas no som de gente como Syd Barret e Lou Reed. 

 

 

YOUNG ONES 

Num futuro não tão distante e pós-apocalíptico, os EUA viraram um gigantesco faroeste, e Michael Shannon é o homem do campo osso duro de roer que protege seus filhos interpretados pela já estrela Elle Fanning e pelo jovem Kodi Smit-McPhee (acostumado ao pós-apocaliptico depois de A Estrada) da seca e dos ladrões de poços. A narrativa parece trazer influência do autor S. E. Hinton (Selvagem da Motocicleta Vidas sem Rumo) e a estética, influência do Spielberg ensolarado de Encurralado Louca Escapada. Dizem que a trilha ora evoca canções folk, ora o maniqueísmo de John Williams. Sem dúvida, um dos filmes que mais despertam a curiosidade dessa safra de Sundance.

 

 

DEAR WHITE PEOPLE

O site Indiewire, grande apoiador do cinema independente americano, vem há meses promovendo o filme,  que aconteceu graças ao financiamento coletivo pelo site Kickstarter. "Dear White People" é uma sátira sobre racismo que segue a vida de quatro estudantes de universidades pertencentes à Ivy League (expressão utilizada paara definir as oito maiores universidades dos EUA), em que ocorre um boicote devido a uma festa temática "Afro-americana" organizada por estudantes brancos. O filme, do estreante Justin Simien, foi aclamado como umas mais marcantes obras de diretores estreantes no festival desse ano. 

 

 

GOD HELP THE GIRL

Stuart Murdoch, famoso pelo grupo Belle & Sebastian, que já apareceu em muitas trilhas de sucessos indies, estreia na direção. E como não poderia deixar de ser, God Help the Girl é um musical. Estrelado por Emily Browning (Desventuras em Série, Sucker Punch), Hannah Murray (Skins, Game of Thrones) e o jovem Olly Alexander, o filme se passa em um mágico verão de Glasgow em que os três ajudam um ao outro a melhorar seus problemas emocionais através da música.

 

 

WHITE BIRD IN A BLIZZARD

Gregg Araki, diretor de Mistérios da Carne Smiley Face, assim como Linklater, é figurinha carimbada do Festival de Sundance desde seus primeiros filmes. Esse ano, ele entrega White Bird in a Blizzard, uma história de coming-of-age estrelada pela garota do momento Shailene Woodley, e se passa nos anos 80, e a relação dela com sua mãe, Eva Green, encarnando o estilo Joan Crawford aqui. O filme foi elogiadíssimo e termos como "sexy", "hilariante", "brutal" e "assustador" foram usados para descrevê-lo por diversos veículos.

 

 

SKELETON TWINS

Skeleton Twins é o tipo de filme pop que sai de Sundance: a dramédia leve com personagens neuróticos, e com nomes relativamente famosos. Aqui, Kristen Wiig e Bill Hader são gêmeos não idênticos com tendências suicidas que, ao escapar da morte, decidem aproximar-se e resolver problemas. O casal de comediantes do Saturday Night Live conseguiram a empolgada reação da platéia, e o filme parece pronto para ser um hit.

 

LAGGIES 

Lynn Shelton apresenta essa comédia protagonizada por Keira Knightley, na pele de uma mulher irresponsável e imatura, que entra em crise após ser pedida em casamento pelo personagem interpretado por Sam Rockwell.Entre as coadjuvantes, estão Chloe Moretz e Kaityln Dever, que apareceu ano passado com Short Term 12. A crítica se dividiu, principalmente pela amoralidade da personagem de Keira. 


LOVE IS STRANGE

Do diretor Ira Sachs, que faz parte do movimento rotulado pela mídia de New Queer Cinema e chamou atenção nos últimos anos com o drama Keep the Lights On, dá um tom um pouco mais cômico ao assunto ao abordar o casamento em crise dos personagens de Alfred Molina e John Lithgow, ambos em atuações bastante celebradas pelo público de Sundance. O filme já foi comprado pela Sony Pictures Classics. 

 

 

LISTEN UP, PHILLIP 

Elizabeth Moss e Jason Schwartzman estrelam o filme do promissor diretor/roteirista Alex Ross Perry (do comentado incide The Color Wheel), cuja estética remete a Cassavetes, e texto a Woody Allen e Wes Anderson. Mania de comparações a parte, o filme traz Schwartzman como protagonista (algo raro em seus trabalhos recentes), um mau humorado escritor em crise conjugal. A mais freqüente das comparações foi com Noah Baumbach, tanto pela maneira seca com que trabalha os defeitos de seus personagens intelectualóides (o que remete a A Lula e a Baleia) quanto pela maneira idílica com que filma a cidade de Nova York.

 

O HOMEM MAIS PROCURADO

Novo filme de Anton Corbjin, cineasta experimental que se destacou na ficção com Control Um Homem Misterioso, e pelos comentários, novamente traz aquela estética lenta e fria com a qual já está acostumado. No elenco do filme de espionagem adaptado de John Le Carre, estão Willen Dafoe, Rachel McAdams, Robin Wright, Daniel Bruhl, e o protagonista, o russo Grigorly Dobrygin. Além deles, foi um dos últimos filmes estrelados pelo grande Phillip Seymour Hoffman.

 

CALVARY

O drama policial de John Michael McDonagh (irmão de Martin McDonagh, diretor de Na Mira do Chefe Sete Psicopatas e um Shih Tzu). Descrito como um filme silencioso e sombrio, Calvary traz Brendan Gleeson como um padre, avisado em confissão de que vai morrer. O crítico Rodrigo Perez chegou a afirmar que o filme é como se fosse Robert Bresson dirigindo uma peça de Samuel Beckett, o que seria no mínimo curioso. A Fox Searchlight já adquiriu o filme e provavelmente vai incentivar o nome de Gleeson na temporada de prêmios. 

 

 

DIRETORES ESTREANTES EM DESTAQUE

Um dos aspectos mais interessantes de Sundance é a possibilidade de lançar novos diretores. Esses estreantes, de diferentes origens e experiências, tem a chance de se destacar logo em seu primeiro filme. Vamos ver quem são os novatos promissores dessa leva:

 

APPROPRIATE BEHAVIOR

Seguindo na linha da tendência capitaneada pelo sucesso da série Girls e do filme Frances Ha, essa comédia que marca a estréia da diretora/roteirista/atriz Desiree Akhavan também trabalha com uma protagonista sem maiores pudores, que é praticamente um imã de situações constrangedoras em Nova York. O diferencial de Desiree para Lena Dunham ou Greta Gerwig, segundo comentários, é o talento para o sarcasmo e a ironia que corroem o comportamento dos personagens no filme.

 

 

LIFE AFTER BETH

É impossível fugir a comparação com o sucesso Meu Namorado é um Zumbi nessa comédia que coloca Dane Deehan (garoto do momento em Hollywood depois de Poder Sem Limites Kill your Darlings) apaixonado por uma morta viva, interpretada pela queridinha indie Aubrey Plaza, que encantou recentemente com Sem Segurança Nenhuma. O filme é a estréia na direção de Jeff Baena, roteirista do estranho Huckabees, o que faz este parecer bem mais interessante do que o romance zumbi água-com-açúcar estrelado por Nicholas Hoult ano passado.

 

 

COOTIES

Cooties é um dos representantes da safra de horror de Sundance esse ano, apesar de ser uma comédia. Dirigido pela dupla estreante Jonathan Milott e Cary Murnion, o filme é estrelado e produzido por Elijah Wood, além de outros nomes conhecidos que devem garantir a maior distribuição. Nesse terrir, crianças se transformam em uma horda de criaturas famintas, e cabe a um grupo de professores lutar por suas vidas.

 

 

OBVIOUS CHILD 

Também estrelado por um SNL, Obvious Child traz Jenny Slate no papel da comediante stand-up que usa sua condição de grávida em seus espetáculos na comédia dirigida por Gillian Robespierre, que teve recepção empolgada em Sundance pela maneira libertária como encara o aborto.

 

THE BABADOOK

A diretora australiana Jennifer Kent, estreando em longas-metragem, traz este The Babadook, que traz mãe e filho aterrorizados com uma sinistra presença que ronda a casa - o monstro do título.

 

IMPERIAL DREAMS

Um coming-of-age no universo "gangsta" do subúrbio de L.A., estrelado por John Boyega, de Ataque ao Prédio, de recepção bastante empolgada em Sundance, apesar de não ter gerado tanto buzz quanto outros concorrentes, talvez por não ter nenhum nome realmente famoso envolvido. 

 

LOW DOWN

Em Low Down, conhecemos a vida do pianista Joe Albany (John Hawkes), da perspectiva de sua jovem filha (Elle Fanning, em atuação elogiadíssima), enquanto ela o observa tentando conter o vício em drogas durante a cena do jaza dos anos 60 e 70. Ainda no elenco dirigido por Jeff Preiss, temos Glenn Close e Peter Dinklage (o anão de Game of Thrones).

 

 

THE BETTER ANGELS

Mais um filme com Abraham Lincoln como centro da narrativa. Mas aqui, ele não caça vampiros e nem é presidente ainda. The Better Angels acompanha a infância do mitológico presidente americano em Indiana, e as dificuldades que fizeram com que se tornasse o Lincoln que conhecemos. O diretor, A. J. Edwards, é um protegido de Terrence Mallick, que produz o filme. Ainda no elenco, Diane Kruger, Brit Marling, Wes Bentley, Jason Clarke. 

 

THE SLEEPWALKER

A estreante Mona Fastvold entregou em Sundance esse ano esse drama de família disfuncional que dividiu opiniões no festival, provavelmente pelo desconforto a la David Lynch que o filme parece causar nos espectadores. O filme ainda não tem distribuição. 

 

 

 

DESTAQUES NEGATIVOS DE SUNDANCE

Como em qualquer festival de cinema, nem todo selecionado agrada o público e a crítica. E em Sundance, não é diferente. As vezes, é claro, o filme nao é bem recebido em seu festival de estreia e depois encontra seu público. Outras vezes, essa primeira recepção já é um aviso de que boa coisa não vem. É difícil saber a distância, mas aí vão os mais notórios "flops" desse festival.

 

GOD's POCKET

God's Pocket é o último filme realmente protagonizado por Phillip Seymour Hoffman. Adaptado de um livro de Pete Dexter, o criticado filme de John Slattery conta com o ótimo elenco encabeçado ainda tem Richard Jenkins, Christina Hendricks e John Turturro para estrelar o drama policial. A recepção morna do filme poderia dificultar as chances de maior visibilidade, se o poderoso elenco não alavancasse. 

 

 

WAR STORY 

Nesse, que é possivelmente o filme mais execrado do festival, Catherine Keener interpreta uma fotógrafa de guerra que basicamente sofre o filme inteiro, principalmente lembrando das zonas violentas onde já trabalhou e os horrores que já capturou acontecendo a inocentes, e a morte de amigos. O site Indiewire chegou a afirmar que o filme seria "90 minutos de Catherine Keener chorando de luto e lamentando em quartos de iluminação baixa". O filme tem uma ponta de Sir Ben Kingsley. Apesar da recepção bastante negativa, não seria surpresa se o filme encontrasse fortes defensores fora do circuito independente americano.

 

 

SONG ONE 

Outro filme de recepção morna no festival, talvez pela implicância da crítica americana com a persona de Anne Hathaway, que produz o filme e estrela como a antropóloga idealizada no estereótipo da manic pixie dream girl naquilo que parece ser o romance indie típico, com uma trilha sonora alternativa e diálogos espertos: uma fórmula que já vem cansando os críticos há algum tempo. 

 

 

CAMP X RAY

Camp X Ray talvez fique conhecido como o filme em que a melhor coisa é a atuação de Kirsten Stewart, o que pode parecer preocupante para quem apenas assistiu Crepúsculo. A garota, conhecida pela sua interpretação apática como a Bella Swan, realmente foi muito elogiada pelo drama pós 9/11, apesar do filme ter tido uma recepção bem fria. Stewart promete outras atuações no ano, como nos filmes Acima das Nuvens, de Oliver Assayas, e em Still Alice, ao lado de Julianne Moore. 

 

 

 

DOCUMENTÁRIOS DE DESTAQUE

Muitos dos mais premiados e bem-sucedidos documentários do ano têm sua estreia no Festival de Sundance. Segue uma breve lista dos que mais empolgaram a plateia esse ano.

 

LIFE ITSELF

Após a perda de um dos mais famosos críticos americanos, Roger Ebert, é natural que o cinema preste uma homenagem como este documentário, que se concentra nos últimos meses de sua vida. Descrito tanto por público quanto pelos colegas críticos de Ebert como um retrato emocionante do amor ao cinema, e da força do personagem.

 

 

THE OVERNIGHTERS

Provavelmente é o documentário mais celebrado do Festival de Sundance desse ano, apesar de não ter os prêmios aos que parecia ser o favorito. O elogiado filme aborda a pequena cidade de Williston e como seus habitantes são afetados tanto pela perfuração na Dakota do Norte quanto pela presença de um pastor luterano. Segundo previsões, o filme terá grande destaque ao longo do ano.

 

 

 

THE CASE AGAINST 8

O documentário vencedor de Sundance desse ano trabalha a ainda não superada polêmica questão do casamento gay na Califórnia. Filmado durante cinco anos, o filme acompanha o grupo que lutou por anos pela igualdade matrimonial na suprema corte dos EUA. É uma das grandes apostas no circuito de documentários desse ano.

 

 

WHITEY: THE US vs. JAMES J. BULGER

De Joe Berlinger, diretor da trilogia Paradise Lost  e de Metallica: Some Kind of Monster, o filme investiga o chefe da máfia irlandesa de Boston Whitey Bulger até sua captura após vinte anos de fuga. O gangster inspirou o já clássico Frank Costello, de Os Infiltrados, e já tem dois filmes a respeito dele em pré produção, um com Johnny Depp envolvido e outro liderado pela dupla Ben Affleck/Matt Damon. Pelos comentários, o filme brinca com diferentes pontos de vista conflituosos para uma mesma história, construindo o documentário com a qualidade narrativa de uma ficção policial dos anos 70.

 

WEB JUNKIE

Dos diretores Shosh Schlam e Hilla Medalia, o filme investiga a cultura chinesa ao redor da internet, a partir de uma clínica que trata a vida online como vício. 

 

THE INTERNET'S OWN BOY: THE STORY OF AARON SCHWARTZ

Nesse elogiado documentário, acompanhamos a vida do jovem prodígio e ativista Aaron Schwartz, que se debruça agressivamente sobre as informações através de seu conhecimento de informática e de seus ideais de justiça social e organização política. Essa batalha culmina no suicídio de Aaron na idade de 26 anos. 

 

 

THE TRIP TO ITALY

Naquela tradição hollywoodiana de americanos e ingleses que vão para os países do mediterrâneo se auto-descobrir, que remonta desde Rossellini até bobagens atuais como Sob o Sol de Toscana ou Cartas para Julieta, chega esse road movie do anárquico diretor Michael Winterbotton (A Festa nunca Termina). Aqui, ele coloca dois homens (Rob Brydon e Steve Coogan) experimentando seis tipos de refeição em diferentes lugares (Liguria, Toscana, Roma, Amalfi e Capri).

 

20.000 DIAS NA TERRA.

Esse filme, de recepção um pouco morna, acompanha o vigésimo milésimo dia do famoso músico Nick Cave no Planeta Terra. 

 

MR. X

Mr. X. ou Mr. Leos Carax investiga a persona misteriosa e solitária do cineasta francês Leos Carax, que recentemente, voltou a mídia com o sucesso de Holy Motors. O filme mergulha no poético e universo mundo de um artista que já é cult desde seus primeiros filmes, pontuado com entrevistas e imagens de arquivo.

 

DINOSAUR 13

O documentário, já adquirido para exibição em redes de televisão, acompanha o paleontólogo Peter Larson e seu time, que fez uma das maiores descobertas da história do estudo dos dinossauros. O maior e mais completo esqueleto de Tiranossauro Rex já encontrado. Mas daí, se segue uma batalha de dez anos com o governo dos EUA, museus poderosos, tribos nativas americanas e outros paleontólogos.

 

 

 

OUTROS

Devido a grande quantidade de filmes, foi necessário fazer escolhas para esse artigo. Mas resolvi incluir a lembrança de mais alguns que não poderiam ficar de fora.

 

LAND HO!

Nessa coprodução EUA-Islândia, o casal Aaron Katz e Martha Stephens entregam um elogiado road movie anos 80, em que dois idosos ex-cunhados saem em uma viagem tentando explorar o que ainda lhes resta de juventude. 

 

 

HAPPY CHRISTMAS

Joe Swanberg ganhou visibilidade ano passado no cinema incide com a comédia Um Brinde a Amizade (Drinking Buddies, direto em DVD aqui) e retorna a Sundance com a comédia estrelada por Anna Kendrick, Mark Webber, Lena Dunhan, e o próprio Swanberg. Kendrick foi elogiadíssima, além de Swanberg, queridinho do mumblecore, que dirige seus atores com um roteiro maleável e aberto para improvisos.

 

 

I ORIGINS

Depois de dividir audiências com A Outra Terra, o diretor Mike Cahill e a atriz Brit Marling voltam a trabalhar juntos em outra ficção científica, agora com o ator Michael Pitt no time. A trama envolve pesquisa científica a respeito dos olhos, assim como sua função metafórica como a janela da alma. Com canções do Radiohead e o estilo hermético do diretor, Cahill parece estar construindo uma consistente autoralidade, ainda que seja para poucos. 

 

 

THE VOICES 

Marjane Satrapi, depois de conseguir sucesso mundial com a animação Persepolis, aparece com um live-action estrelado por Ryan Reynolds, em que o astro conversa com um gato e um cachorro como se fossem suas consciências discordantes. Também no elenco da comédia estão Genna Arterton, Anna Kendrick e Jacki Weaver.

 

 

OPERAÇÃO - INVASÃO 2

O primeiro Operação Invasão, apesar de já ter empolgado as platéias por onde passou, acabou ganhando mais notoriedade quando Dredd apresentou evidentes inspirações na obra de Gareth Evans, um possível plágio. Operação Invasão se tornou um cult pouco conhecido em seu país de origem e ainda menos no Brasil. A seqüência chega agora em Sundance, gerando um buzz ainda maior do que o primeiro. O filme já vai estrear nos EUA no final de março.

 

 

INFINITELY POLAR BEAR

Drama familiar dirigido por Maya Forbes em sua estréia na direção. No filme, o confuso maniaco-depressivo interpretado por Mark Ruffalo faz de tudo para conquistar novamente sua mulher (Zoe Saldana) e suas jovens filhas.

 

THEY CAME TOGETHER

É difícil não ter vontade de ver um filme estrelado por Amy Poehler e Paul Rudd. Essa sátira de comédias românticas do diretor David Wain (de Wanderlust, Role Models We Hot American Summer) promete elevar o nível do gênero da paródia, que decaiu faz muito tempo. O filme estréia em Junho nos EUA.

 

THE ONE I LOVE

Elizabeth Moss, além de Listen Up Phillip, também estrela esse romance ao lado de Mark Duplass, outro queridinho de Sundance. The One I Love já foi comprado pela distribuidora RADIUS-TWC.

 

RUDDERLESS 

A exemplo do que fez seu amigo John Turturro em Romance e Cigarros, o ator William H. Macy (Fargo, Magnolia)estréia na direção com um musical, Rudderless, em que um executivo interpretado por Billy Crudup, após a morte de seu filho, descobre em si um nato talento musical. No elenco, a esposa de Macy, Felicity Huffman, e ainda Laurence Fishburne e Anton Yelchin. 

 

HELLION

Nesse drama de rito de passagem do diretor Kat Candler, o jovem de 13 anos Jacob, fã de motocicletas e de heavy metal, após encarar as conseqüências de sua crescente rebeldia, acaba se vendo obrigado a assumir responsabilidades de suas ações junto ao seu ausente pai, interpretado por Aaron Paul (o Jesse Pinkman, de Breaking Bad). No elenco, há também Juliette Lewis.

 

COLD IN JULY 

Michael C. Hall, o Dexter, estrela esse policial noir texano extremamente elogiado, ao lado de Sam Shepard e do diretor Jim Mickle (de Stake Land Somos o que Somos).

 

 

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