Safra 2014: Award Season de Hollywood

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Enviado por Giordano em qui, 09/11/2014 - 17:42

Para quem acompanha as temporadas de ouro do cinema americano, este é um momento crucial. Os últimos grandes festivais – Veneza, Telluride e Toronto – geralmente lançam a grande maioria dos grandes nomes que veremos na chamada award season, que para o bem ou para o mal, segue sendo um termômetro para muita gente escolher o que assistir Ainda que Sundance, Cannes e Berlim já adiantem vários títulos, como vimos esse ano com Boyhood e O Grande Hotel Budapeste.

No que diz respeito à expressão na “temporada de ouro” dos prêmios de Hollywood, a trajetória e estratégia de lançamento costuma implicar tanto quanto os reais méritos do filme.

Tivemos grandes filmes esse ano claramente pouco interessados na superficialidade dos tapetes vermelhos, como Sob a Pele, de Jonathan Glazer, que, junto com Lucy, fez de Scarlett Johansson uma das grandes musas do ano. Ou os “filmes-gêmeos” O Homem Duplicado e O Duplo, cujos exercícios intrincados de narrativa talvez não fossem compatíveis com os interesses da Academia. O mesmo vale para outros filmes arrojados como a dupla de filmes Ninfomaníaca, de Lars Von Trier, o belíssimo Era uma vez em Nova York, do James Gray, Amantes Eternos, do Jim Jarmusch ou ainda O Expresso do Amanhã, de Bong Jon Hoo. Alguns sucessos de Sundance, como a comédia Frank, também estréiam cedo e somem ao longo do ano. Além do circuito mais independente que circula entre festivais como South by Southwest e Tribeca.

Um caso particular foi o de Maps to The Stars, sátira ácida de Cronemberg a Hollywood, que venceu Melhor Atriz em Cannes para Julianne Moore, mas decidiu “pular” a temporada de prêmios e só estrear comercialmente em 2015.

Os blockbusters também, mais interessados em bilheterias do que em prestígio. O que vier de prêmio é lucro, mas não é prioridade. Então filmes como Noé, Godzilla, Guardiões da Galáxia, Capitão América 2, No Limite do Amanha e Planeta dos Macacos: O Confronto, que além de sucessos de público, agradaram boa parte da crítica, saem como possibilidades fortes para prêmios técnicos, como os de som ou efeitos visuais, além das premiações mais abertas a esse tipo de filme. 

Flops

E claro, há também aqueles filmes que são um fiasco tão grande que os estúdios e distribuidoras dão um jeito de tirar o melhor dele largando-os em cantos inofensivos. Como o decepcionante Caçadores de Obras Primas estreando nos primeiros meses do ano, época árida para o cinema norte-americano. Ou Grace: Princesa de Mônaco, que gozou de prestígio ao ser escolhido para abrir Cannes, mas se tornou uma das piores aberturas da história do festival. E ainda, Trancendence, estréia na direção de Wally Pfister, diretor de fotografia de Christopher Nolan, se provou nada mais do que um blockbuster genérico. 

E mesmo um Woody Allen, que geralmente sai lá pelo meio do ano, quando é meio inexpressivo como Magia ao Luar, acaba sendo esquecido rapidamente. 

Grandes Títulos da Award Season

E há, é claro, os títulos que brigam pelo reconhecimento dos prêmios, o que, para o bem ou para o mal, acaba promovendo títulos que talvez não tivessem o mesmo alcance se não se prestassem a fazer campanha.  Esses títulos podem surgir dos grandes festivais (Sundance, Cannes, Berlim, Telluride, Veneza, Toronto), de amplas estréias comerciais ou mesmo de exibições em circuito limitado, para qualificar como premiável e construir uma campanha boca-a-boca a partir daí.  

Claro, estamos em Setembro, e apesar da corrida já ter começado com força total, com títulos como Boyhood, Birdman, Grande Hotel Budapeste, The Imitation Game e Foxcatcher já saindo na dianteira, muito pode mudar até fevereiro. Títulos podem desaparecer por completo, ser adiados, e surpresas podem surgir.

Aqui nesse artigo, escancaramos as obviedades e tentamos prever algumas surpresas. A lista é longa, porque quase tudo é possibilidade agora. Alguns títulos são apostas bem distantes. Mas não importa.

Independente de prêmios, o que importa MESMO é sempre os filmes. 

Boyhood: Da Infância à Juventude

Boyhood, de Richard Linklater,  é um fenômeno. Tornou-se viral nas redes sociais desde seu trailer, que salienta o grande diferencial do projeto: filmado por 12 anos, acompanhando o crescimento do jovem Ellar Coltrane, que interpreta o protagonista deste coming-of-age definitivo. O filme venceu o Urso de Prata no Festival de Berlim, e já deu a largada na safra americana desde que estreou em no Festival de Sundance. Interpretando os pais de Mason, estão Patricia Arquette e Ethan Hawke, já conhecido de Linklater em seus trabalhos como o Jesse de Antes do Amanhecer. Estreou nos EUA com excelentes números de bilheteria para um filme independente, e vem sendo celebrado como obra prima pela crítica, tanto européia quanto americana.

O Grande Hotel Budapeste

O primeiro dos grandes aclamados do ano a estrear por aqui foi O Grande Hotel Budapeste, nova obra de Wes Anderson, cineasta que ao longo dos anos 2000 construiu e trabalhou sua identidade estilística sem levá-la à exaustão ou repetir-se em exercício de estilo. Em Grande Hotel Budapeste, inspirado em contos de Stefan Zweig,  Anderson conta a história do concierge Monsieur Gustave H. a partir do ponto de vista do lobby boy Zero. O diretor mistura uma aventura de espionagem com humor pastelão, conduzida com a típica ternura nostálgica e com a ainda mais típica precisão formal. Trata-se do maior sucesso comercial da carreira de Wes Anderson.

Foxcatcher

Foxcatcher estava entre as apostas de todos para as grandes premiações dos filmes do ano passado, mas foi adiado várias vezes, e agora volta a ser considerado com força depois das grandes exibições que teve em festivais, incluindo em Cannes, onde o diretor Bennett Miller (indicado por Capote e por Moneyball) venceu a Palma de diretor. O comediante Steve Carrell dá uma virada dramática em sua carreira ao encarnar o psicopata John Dupont. No elenco, Channing Tatum e Mark Ruffalo interpretam os irmãos lutadores olímpicos vítimas da perseguição de Dupont. A presença de Carrell parece certeza nas grandes premiações desde já. 

The Imitation Game

Outra certeza é a presença de Benedict Cumberbatch. Há uns anos que Benedict vem se construindo como astro do momento, através da série Sherlock, que lhe deu o Emmy esse ano, e papéis mitológicos em blockbusters, como o Khan, de Star Trek, e o Smaug, de O Hobbit. Ano passado, deu as caras em produções como Álbum de Família e O Quinto Poder, filmes sem grande expressão perante as grandes premiações. Esse ano, no entanto, ele vem com The Imitation Game, como o cientista Alan Turing, que decifrou códigos nazistas, facilitando a vitória na II Guerra Mundial. Apesar de sua contribuição ao serviço secreto britânico, foi condenado como criminoso devido à homossexualidade. The Imitation Game tem dividido opiniões da crítica americana, mas Benedict é uma unanimidade. O filme é a grande aposta dos irmãos Weinstein, famosos pelas campanhas massivas com bons resultados, ainda que no último ano tenham feito opções equivocadas. 

Birdman

Birdman é o filme mais inesperado do ano. Alejandro Gonzales Iñarritu, famoso pelos dramas polifônicos como 21 Gramas e Babel, entrega essa obra com uma proposta alucinada, ao contar a crise de um ator que não emplaca desde que abandonou o traje de um ridículo super herói. A escolha metalingüística de colocar Michael Keaton, um ator que não emplaca desde que abandonou a capa de Batman, só torna tudo mais interessante. Foi um dos filmes mais aclamados em Veneza, apesar de surpreender ao não vencer nada. 

A Teoria de Tudo

Era uma questão de tempo até que Hollywood explorasse dramaticamente a trajetória de superação de Stephen Hawking, o mais famoso cientista do mundo. O próprio trailer do filme já evidencia o foco no relacionamento com Jane, sua esposa e apoiadora, e o apelo da superação de Hawking em relação ao seu diagnóstico. O filme, que tem “OSCAR” escrito por todos os lados, foi bastante elogiado por inúmeros veículos em Toronto, principalmente pelos protagonistas Eddie Redmayne e Felicity Jones.

Mr. Turner

Fechando, com Carrell, Cumberbatch, Coltrane e Fiennes, a lista dos atores desde já cotados para os grandes prêmios, está Timothy Spall, no novo filme do celebrado diretor britânico Mike Leigh. Spall interpreta o artista britânico mais relevante da história da arte, William Turner, pintor romântico de vanguarda para a época, que já trazia em suas obras características que só se consolidariam décadas mais tarde com o Impressionismo. O filme estreou em Cannes, onde Spall venceu o grande prêmio de atuação do festival.

Wild

O ano está formidável para papéis masculinos nos filmes de língua inglesa, mas aparentemente pouco expressivo em grandes papéis femininos, diferente dos últimos anos. Reese Whiterspoon surgiu como a primeira grande candidata às premiações, nesse feel good movie sobre uma mulher que, depois do divórcio e da morte da mãe, larga tudo para fazer a famosa trilha montanhosa do sul ao norte dos EUA, conhecida como Pacific Crest Trail, da fronteira no México à fronteira do Canadá. A essência é semelhante a um Comer, Rezar, Amar, mas este tem mais pedigree: a direção é de Jean Marc Vallee, cujo Clube de Compras Dallas foi indicado ano passado, e o roteiro é do autor pop Nick Hornby.

Reese Whiterspoon também vem com o drama The Good Lie, onde interpreta uma americana grosseira que refugia um sudanês. 

Unbroken - Invencível

Angelina Jolie vê com grandes chances de ser a segunda diretora a vencer um Oscar, com seu Unbroken, filme ainda não exibido em nenhum festival, mas que carrega consigo um grande potencial para as grandes premiações. O filme, com roteiro dos Irmãos Coen, fotografia de Roger Deakins e trilha musical de Alexandre Desplat, conta a história de Louis Zamperini, corredor olímpico e herói da II guerra mundial, que sobreviveu a um campo de concentração japonês. O protagonista é o jovem Jack O’Connell, famoso pelo personagem Cook, da série Skins. O’Connell também tem esse ano outro drama de guerra, o filme inglês “71”. 

Gone Girl – Garota Exemplar

É impossível deixar David Fincher de lado sempre que um filme seu está em vista de ser lançado.  O estúdio está apostando num sucesso comercial, deixando o circuito de festivais de lado. O filme estréia no mês que vem, estrelado por Ben Affleck, Rosamund Pike, Neil Patrick Harris e Patrick Fugit. O policial, baseado no livro de Gillian Flynn, conta um caso de desaparecimento da personagem de Pike, e as suspeitas da polícia e da mídia sobre o personagem de Affleck, marido da vítima. Fincher conta com seus colaboradores de sempre: a trilha tensa de Trent Resnor e Atticus Ross, e a fotografia amarelada ou esverdeada de Jeff Cronenweth, que estavam presentes nos recentes sucessos A Rede Social e Millenium. 

Inherent Vice

As obras do recluso e místico autor Thomas Pynchon, popular desde os anos 70, costumam ser consideradas “inadaptáveis” para o cinema. Pynchon é um dos maiores expoentes do romance pós-moderno, e devido à sua reclusão (nunca deu entrevistas, seu rosto atual é praticamente desconhecido das câmeras fotográficas) e a sua obsessão com o tema da paranóia, foi alvo de inúmeras teorias da conspiração. O cineasta Paul Thomas Anderson, um dos maiores de seu tempo, responsável por Magnólia, O Mestre e Sangue Negro, não se acovardou e adaptou uma das obras mais recentes de Pynchon – Vício Inerente. A trama policial segue a investigação de um policial (interpretado por Joaquin Phoenix) nos anos 70. No elenco, além de Phoenix, de quem o diretor arrancou uma das melhores atuações dos últimos anos em O Mestre, temos Josh Brolin, Owen Wilson, Reese Whiterspoon, Benicio Del Toro, Maya Rudolph e muito mais. Não se sabe muito sobre o filme ainda. 

Interstellar

Christopher Nolan é um dos cineastas mais populares dos anos 2000 devido à sua trilogia do herói Batman (cujo terceiro episódio, apesar do sucesso de público, encerrou a sequência com um saldo não tão positivo). Nolan também foi o criador de Inception: A Origem, que, a despeito de certas críticas negativas quanto ao roteiro esquemático, foi um gigantesco sucesso de público, combinando um universo de lógica complexa a uma estrutura bastante clássica.  Nolan está de volta esse ano com Interstellar, sua primeira ficção científica, filme protagonizado pelos recentes ganhadores do Oscar Matthew McConaughey e Anne Hathaway, além da grande musa do momento Jessica Chastain, e do amigo e colaborador de Nolan, Michael Caine. O filme aborda uma viagem espacial através de um “buraco de minhoca”, que segundo teorias quânticas, consiste em uma região através do continuum espaço-tempo, uma espécie de lacuna ou atalho. O sucesso de público parece ser garantido, resta a dúvida se o filme vai repetir o feito de Gravidade, que se tornou um fenômeno popular no ano passado.

Selma

Ava Duvernay, figura conhecida no mercado hollywoodiano que estreou na direção de longas com o elogiado Middle of Nowhere uns anos atrás, dirige essa encenação da Marcha dos Direitos Civis organizada por Martin Luther King, que mudou os Estados Unidos para sempre. Encabeçando o elenco está David Oyelowo, como o mitológico ativista. Ainda no elenco, Oprah Winfrey, Cuba Gooding Jr, Tim Roth, Giovanni Ribisi e Tom Wilkinson. Na temporada seguinte àquela em que 12 Anos de Escravidão, O Mordomo da Casa Branca, Mandela – Um Grito de Liberdade Fruitvale Station dominaram o circuito das premiações, Selma é um dos pouquíssimos a trabalhar a questão afro-americana nessa temporada. O filme precisa enfrentar o duplo preconceito da conservadora Hollywood, ao ter uma mulher negra na direção. Espera-se também que o filme vá além da mera panfletagem ingênua, ou seja, que esteja mais para 12 Anos de Escravidão do que para O Mordomo da Casa Branca. 

Trash:  A Esperança vem do Lixo

Stephen Daldry viu todos os longas da sua carreira serem indicados aos prêmios principais do cinema americano (Billy Elliot, As Horas, O Leitor e Tão Forte, Tão Perto). Vamos ver se isso vai se confirmar com Trash, o filme brasileiro de Daldry. O filme acompanha três crianças cuja vida tem uma virada dramática depois que encontram uma carteira em um lixão. O filme conta com as participações especiais de Rooney Mara, Martin Sheen, Selton Mello, Wagner Moura, Stepan Necerssian, Nelson Xavier, André Ramiro e Jesuíta Barbosa. Trash está marcado para encerrar o Festival do Rio.  

Men, Women and Children

Depois de Obrigado por Fumar, Juno e de Amor sem Escalas, Jason Reitman havia se tornado uma das grandes  promessas entre o jovens diretores. De lá para cá, no entanto, o interesse do público e da crítica em suas obras minguou da recepção dividida de Jovens Adultos até o descaso total com Refém da Paixão ano passado. Ele volta agora, abandonando a sutileza, e deixa claro desde o trailer a sua temática: a dificuldade de comunicação emocional na era da comunicação virtual. Um tema super saturado, ainda que muito atual. O filme não tem empolgado muito, apesar dos elogios para o elenco, capitaneado por um dos queridinhos do ano, Ansel Elgort.  

Big Eyes

Big Eyes é o filme que promete recuperar a obra de Tim Burton, cuja crise criativa evidenciou em duas bombas seguidas – Alice no País das Maravilhas e Sombras da Noite. Apesar de o primeiro ser o maior sucesso de bilheteria da carreira de Burton, o segundo foi um rombo financeiro para o estúdio. Essa nova obra de Tim Burton, que tem os Irmãos Weinstein capitaneando a campanha, e no roteiro, os responsáveis por uma das maiores obras primas de Burton, Ed Wood. Espera-se que o filme, ao contrário das obras recentes de Burton, traga de volta aquilo que há de mais rico em seus melhores filmes: a sensibilidade em abordar os personagens, o ideal romântico explícito, a melancolia dos párias, e deixe de lado o exagero nos cacoetes visuais. O filme traz Amy Adams no papel principal – Margaret Keane – pintora kitsch cujas obras eram assinadas pelo seu marido no mundo machista dos anos 60, até que entrou com uma ação legal para reivindicar a autoria. O processo resultou num inesperado climax: o juiz determinou que quem vencesse uma competição de pintura em pleno tribunal, seria provado como verdadeiro autor. Adams é a favorita virtual ao prêmio de melhor atriz, mas como ninguém assitiu ao filme ainda, é difícil saber se a informação procede. Christoph Waltz, que surgiu no cinema americano há pouco mais de cinco anos e já tem dois oscars,  interpreta Walter Keane, o marido. 

Caminhos da Floresta

Rob Marshall, em 2002,  brilhou ao trazer com muita energia a peça Chicago dos palcos para as telas. O filme foi um grande sucesso de bilheteria, além de vencedor de oito Oscars, a maior parte deles muito questionáveis. Marshall voltou em 2010 com o extremamente promissor, porém decepcionante Nine. E mais uma vez, Marshall tenta emplacar um musical, agora com Into the Woods, peça que mistura inúmeros personagens e elementos de contos de fada. Muitos veículos têm previsto o filme como um dos possíveis fiascos do ano, e com razão, mas é difícil ignorar um filme cujo elenco principal consiste em Meryl Streep (como a Bruxa), Johnny Depp (como o Lobo Mau) e Anna Kendrick (como Cinderella).  

A Culpa é das Estrelas

O grande fenômeno jovem do ano foi a adaptação do livro de John Green, cujas obras estão literalmente substituindo a “saga” Crepúsculo como fonte lucrativa da produtora Temple Hill, que além das produções baseadas em Green e em Stephanie Meyer, produz também adaptações de Nicholas Sparks. E não é a toa, uma vez que Green supre a carência das tendências de literatura “Young adult” para adolescentes inseguras. O filme foi um grande sucesso de bilheteria, a despeito da crítica dividida quanto à consistência do filme. Uma unanimidade, no entanto, foi a atriz Shailene Woodley, uma das novas queridinhas de Hollywood, que deu a vida à personagem Hazel, e já desponta como uma possibilidade, ainda que distante, para a temporada de prêmios.

Fury: Corações de Ferro

Fury está sendo alardeado como o “filme de tanque” do Brad Pitt. Mais de cinco anos anos depois de Bastardos Inglórios, Pitt volta a caçar nazistas, a bordo de um tanque de guerra cujo nome está no título – Fury – e cujo batalhão conta ainda com o jovem promissor Logan Lerman e com Shia Labeouf, que infelizmente não é mais famoso, segundo ele mesmo. O diretor David Ayer surpreendeu uns anos atrás com seu drama policial End of Watch, mas construiu sua carreira baseada em filmes de segundo escalão, sobre criminalidade nas ruas, como Os Donos da Rua e o recente Sabotagem, com Schwarzenegger. Fury, no entanto, está prometendo algo mais. 

Êxodo: Deuses e Reis

Ridley Scott, a despeito da recepção fria de Cruzada e Robin Hood, ainda não se cansou dos grandes épicos. Junto com o recente sucesso Noé, Êxodo: Deuses e Reis indica uma tendência de interesse em épicos bíblicos. No entanto, Scott não é Aronofsky, e resta a dúvida se o diretor inglês conseguirá trazer algo de novo à jornada de Moisés, ou se veremos mais do mesmo. Christian Bale interpreta o profeta, enquanto Joel Edgerton interpreta Ramses e Aaron Paul (da série Breaking Bad) dá a vida a Joshua.  Uma polêmica já se instaurou acerca do elenco, todo caucasiano e europeu, enquanto a grande maioria dos personagens seria de etnia africana ou árabe. O filme estréia em Dezembro.  

Whiplash: Em Busca da Perfeição

Whiplash foi o grande vencedor de Sundance, e como provam Preciosa, Inverno da Alma e Indomável Sonhadora, isso nunca deve ser ignorado, ainda que seja um festival distante da grande temporada e prêmios. Whiplash é uma comédia dramática, estrelada por Miles Teller, outro jovem ator em voga no momento, e que consiste na clássica relação mentor-pupilo, em que o jovem Andrew (Teller) almeja se tornar um grande baterista de jazz sob os ensinamentos de Terence Fletcher, um experiente e severo maestro interpretado por J. K. Simmons, na que parece ser a atuação de sua carreira, e pela qual deve aparecer em diversas premiações na categoria de coadjuvante. 

Pawn Sacrifice

Há muito tempo que a mais impressionante partida de xadrez da história, entre Bobby Fischer e Boris Spassky, pede para ser filmada. Em plena distensão da Guerra Fria, um americano e um russo disputam a partida do século na Islândia, carregada de simbolismo, e de absurda repercussão midiática, que fez de Fischer o mais famoso enxadrista da história recente. O diretor Edward Zwick, que emplacou O Último Samurai e Diamante de Sangue, filma a história com preciosismo de época, e estrelando Tobey Maguire como Fischer, naquela que parece ser a grande atuação da sua carreira, e Liev Schreiber como Spassky. 

St. Vincent

Bill Murray é um dos atores mais cultuados do cinema atual. No entanto, é também dos mais subestimados, já que é um filho da comédia. Mesmo suas investidas em papeis de maior densidade, como Encontros & Desencontros e Flores Partidas, acabam não sendo tão reconhecidas quanto deviam. Murray volta a protagonizar um filme, algo que não fazia há quase dez anos, em St. Vincent. A história não é algo tão original: vizinho velho rabugento é obrigado a cuidar de criança chata de doze anos, e os dois descobrem um no outro, uma oportunidade de amadurecer. Mesmo com a trama batida, a estréia em Toronto foi tão apreciada pelo público, que o festival chegou a declarar o dia como “Bill Murray Day” no dia 05 de Setembro, junto com uma exibição comemorativa de 30 anos de Os Caça Fantasmas

O Amor é Estranho

Numa época em que tanto se discute o casamento entre homossexuais aqui no Brasil, um filme como O Amor é Estranho, com co-produção brasileira, e direção de Ira Sachs, pode vir bem a calhar. No filme, Bem e George, interpretados por John Lithgow e Alfred Molina, estão juntos há quarenta anos e só agora têm a chance de se casarem, e a partir daí, problemas familiares e financeiros se desenrolam. O filme tem ganhado elogios por todos os festivais que passa, desde Sundance até Berlim.  

Nightcrawler

Nightcrawler é a estréia de Dan Gilroy, cujos irmãos o diretor Tony e o montador John já foram indicados ao Oscar por Michael Clayton – Conduta de Risco. Os três trabalham juntos nesse novo policial estrelado por Jake Gylenhaal, que depois da tentativa fracassada como herói de ação em O Príncipe da Pérsia, voltou aos papéis mais densos que já assumia desde a adolescência, como em Os Suspeitos e em O Homem Duplicado.  Tanto Gylenhaal como a fotografia do filme tem sido bastante elogiados depois da sua exibição em Toronto, resultando até mesmo em comparações com Taxi Driver.

While We Were Young

Dez anos depois de emplacar A Lula e a Baleia,  e um ano depois do fenômeno Frances Ha, o diretor e roteirista Noah Baumbach segue na linha do otimismo amargo com While we Were Young, sua nova comédia dramática com toques autobiográficos e uma virada um pouco mainstream, com Ben Stiller e Naomi Watts como um casal em crise. No elenco, ainda Amanda Seyfried e Adam Driver.  

Miss Julie

Miss Julie, da diretora Liv Ullmann, baseia-se na peça honônima de Augustus Strindberg para contar um drama de relacionamento na aristocracia irlandesa na era vitoriana, que serve também como crônica e comentário social da época. No papel título, a musa do cinema americano atual Jessica Chastain, acompanhada de Colin Farrell e Samantha Morton. Apesar das críticas feitas ao filme, como “teatro filmado”, algo recorrente nas adaptações teatrais, a aclamada atuação de Chastain e a direção da norueguesa Ullmann são esperanças na expressão feminina na geralmente machista award season hollywoodiana. 

The Disappearance of Eleanor Rigby

Por falar em Jessica Chastain, parece que todo ano é ano dela. A cada ano que passa, ela surge com mais projetos interessantes. Esse ano, ela vem com nada mais nada menos do que quatro filmes. The Disapperance of Eleanor Rigby teve uma distribuição complicada, marcada para ano passada, e adiada. Este filme não é uma adaptação da música dos Beatles, por mais que o nome sugira isso. Na verdade, esse filme é um coletivo de três cortes diferentes. O dela. O dele. E o deles. Esse último será distribuído amplamente, enquanto os outros apenas em circuitos fechados. Essa confusão pode afastar votantes de prêmios, mas não deixa de ser um experimento tanto narrativo como de marketing bastante interessante. O filme aborda a melancolia do término de um relacionamento – o que nos faz lembrar de Blue Valentine. Contracenando com Chastain, está John MacAvoy. 

Still Alice

Grande ano para Julianne Moore, segunda atriz na história a lacrar a “trifecta” (grande premio de melhor atriz nos três maiores festivais – Cannes, Veneza, Berlim) e surge como uma das grandes candidatas ao Oscar, que estranhamente seria seu primeiro (não venceu nem por As Horas nem por Longe do Paraíso). Em Cannes, Julianne Moore impressionou no polêmico Maps to the Stars, dirigido por David Cronemberg, que infelizmente pulou a award season e será lançado comercialmente somente ano que vem. No entanto, Moore também aparece com força em Still Alice, filme sobre a luta real da Dra. Alice Holland lidar com a doença de Alzheimer e ainda tocar a vida para a frente, em trabalho e em família. 

Time out of My Mind

Ainda na briga para melhor ator está Richard Gere, que se uniu ao diretor Oren Moverman (de Rampart e O Mensageiro) para assumir o papel de um mendigo alcoólatra. O filme leva o título do álbum de Bob Dylan, o que coincide com o fato de que Gere e o roteirista Oren se conheceram ao trabalharem juntos em Não Estou Lá. Time out of My Mind foi chamado pela Variety de “um estudo cheio de alma da pobreza urbana”. 

The Homesman

Tommy Lee Jones provou-se um grande diretor com Três Enterros e Sunset Limited. Agora, volta a traçar uma longa trajetória ao lado de Hillary Swank, nesse drama western em que os personagens dos dois devem, em uma pequena caravana, levar três deficientes mentais de Nebraska até Iowa.  O filme dividiu opiniões em sua estréia em Cannes, mas Hillary Swank foi amplamente elogiada. 

American Sniper

American Sniper originalmente deveria ser dirigido por Steven Spielberg, que deixou o filme de lado para se dedicar a outros. Quem assumiu foi Clint Eastwood, o que claramente mantém a expectativa pelo projeto. Trata-se da adaptação da autobiografia do herói nacional Chris Kyle. Bradley Cooper produz o filme e interpreta o fuzileiro naval. No elenco, ainda temos Sienna Miller. Resta a dúvida se Eastwood dará um tom crítico ao narrar a história do militar responsável por mais de 150 mortes ao longo da carreira, ou se assumirá um complicado tom patriótico.

A Most Violent Year

Ainda há a dúvida se esse filme será lançado na temporada desse ano ou não. Dirigido pelo promissor J. C. Chandor, que emplacou nos últimos anos Margin Call e Até o Fim,  esse drama criminal se passa em 1981, tido como um dos anos mais violentos da história de Nova York. Oscar Isaac assume o papel do imigrante latino tentando se sustentar em meio às dificuldades econômicas e violência. Ainda no elenco, David Oyelowo, Albert Brooks, Catalina Sandino Moreno e ainda Jessica Chastain, no quarto grande papel desse ano.

Blackhat

Outra dúvida é quanto ao thriller cibernético de Michael Mann, estrelado por Chris Hemsworth, do qual não se tem muitas novidades. O filme está marcado para estrear em janeiro, com sessões em dezembro, o que qualificaria para as premiações. No entanto, tudo indica que o filme segue uma linha mais comercial. Ou seja, estaria mais para um Miami Vice do que para O Informante, afastando Mann da temporada.

Get on Up    e   Love & Mercy

Cinebiografias musicais sempre são levadas em consideração quando se fala em Oscar, graças a filmes como Ray e Johnny & June. A primeira a estrear esse ano no circuito americano foi Get on Up, que não teve a recepção esperada. Trata-se da biopic de James Brown, que apesar de dirigida por Tate Taylor (que apareceu alguns oscars atrás com The Help – Histórias Cruzadas) e com Viola Davis no elenco, o filme não agradou a maior parte do público.

Mas o gênero ainda conta com Love & Mercy, cinebiografia de Brian Wilson, com Paul Dano e John Cusack interpretando diferentes fases do líder dos Beach Boys. O filme foi bastante elogiado em Toronto, e seguimos na torcida para que seja também um sucesso comercial.

Manglehorn    e     The Humbling

Al Pacino também vem com bastante sede ao pote, encabeçando dois filmes. O primeiro é dirigido por David Gordon Green, que tem abandonado as comédias abobadas (Segurando as Pontas, Sua Alteza) para se dedicar a filmes mais ambiciosos (Prince Avalanche, Joe), e acompanha um solitário chaveiro que jamais superou a perda do amor de sua vida. O segundo é dirigido pelo experiente Barry Levinson (Rain Man, Bom dia Vietnã, Mera Coincidência) e aborda a obsessão de um ator suicida – Pacino – com uma jovem interpretada por Greta Gerwig.

Clouds of Sils Maria

No novo filme de Olivier Assayas, Juliette Binoche e Kirsten Stewart são duas atrizes obrigadas a contracenar e a enfrentar uma na outra o espelho do passado e do futuro, respectivamente. Binoche tem sido bastante elogiada, como de costume, e Kirsten Stewart está surpreendendo em 2014 em papéis que exigem mais de si, como em Camp X Ray e em Still Alice.

A Little Chaos

A Little Chaos é a estréia na direção do lorde do teatro inglês Alan Rickman, mais conhecido pelas gerações jovens como o Severo Snape, da série Harry Potter. O filme é sobre a criação dos jardins de Versailles, e traz Kate Winslet como uma jardineira da era Luis XIV, e o próprio Rickman como o rei-sol. Elogios rasgados para figurinos e direção de arte apareceram nas exibições, assim como para Kate Winslet.

O Juiz

O drama de tribunal estrelado por Robert Duvall e Robert Downey Jr. não ganhou as melhores críticas depois de abrir o festival de Toronto, apesar dos elogios rasgados para Duvall. Nada surpreende. O melhor filme do diretor David Dobkin havia sido Penetras Bons de Bico. Ainda assim, O Juiz segue sendo uma possibilidade comercial para esse final de ano, com Duvall talvez aparecendo em uma ou outra premiação, apesar de que esse ano, a competição na categoria de ator masculino está fortíssima.

Pride

Pride é uma comédia britânica cuja força parece estar no elenco encabeçado por Bill Nighy e em sua temática, o orgulho LGBT dos anos 80. O filme tem chances de repetir o fenômeno de Ou Tudo ou Nada nos anos 90, mas numa questão politco-social muito em voga hoje em dia.

Annie

O clássico musical Annie ganha um remake, dirigido por Will Gluck (Easy-A, Amizade Colorida), e estrelando a mais jovem atriz já indicada ao Oscar, Quvenzhané Wallis, que encantou o mundo tempos atrás em Indomável Sonhadora. No elenco, temos ainda Jamie Foxx, como o possível pai adotivo, e Cameron Diaz como Miss Hannigan, a desprezível dona do orfanato.

O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos

É né. Vai acabar a punheta do Peter Jackson. 

E ainda:

Serena é o novo de Susanne Bier, que vem sendo adiado há muito tempo, e marca o terceiro encontro de Jennifer Lawrence e Bradley Cooper, agora num filme que se passa na era da depressão, abordando a crise no casamento entre um empresário idealista e uma mulher dura e impetuosa. Será que o filme Serena é tão ruim quanto os rumores apontam?

Rosewater marca a estréia na direção do apresentador e humorista Jon Stewart, mas não se trata de uma comédia, e sim de uma  obra de cunho político, trazendo Gael Garcia Bernal como um jornalista preso durante 100 dias no Irã. 

The Gambler é dirigido por Rupert Wyatt, que ficou famoso após ressuscitar com estilo a saga Planeta dos Macacos, e agora investe nesse drama policial em que um professor de literatura, interpretado por Mark Wahlberg, se envolve com a criminalidade das ruas.

Good Kill faz parte do projeto de Ethan Hawke de se tornar não só um ator querido do mundo indie, mas também um astro comercial. Hawke tem protagonizado fitas de horror, e agora vem com esse drama de guerra conduzido por Andre Niccol (Gattaca, Senhor das Armas).

Madame Bovary é a nova adaptação do clássico de Gustave Flaubert, recebido friamente no festival de Telluride, o que o deixa entre os filmes de segundo escalão na temporada. Dirigido por Sophie Barthe, o filme conta com Mia Wasicowska no papel título. Apesar de tentar seguir a tendência das recentes adaptações literárias Jane Eyre Anna Karenina, Madame Bovary corre grande risco de passar em branco.

Dustin Hoffman rege um coral de crianças em Boychoir

Tom Hardy elogiado em seu desempenho no último filme com James Gandolfini, The Drop

Anna Kendrick com mais um musical em The Last Five Years.

Kristen Wiig é uma borderline milionária em Welcome to Me

Jeremy Renner estrela o drama jornalístico Kill the Messenger

Andrew Garfield e Michael Shannon emplacam o elogiado policial 99 Homes

Samuel L. Jackson e Ray Stevenson protagonizam o drama de aviação Big Game

Não podemos deixar totalmente de lado o novo Jogos Vorazes: A Esperança parte I

Peter Bogdanovich está de volta, e produzido por Wes Anderson no leve She’s Funny That Way

Adolescentes britânicos criam uma gangue em The Riot Club

Adam Sandler em um papel um pouco mais desafiador na comédia fantástica The Cobbler

Maggie Smith, a grande dama do teatro, aparece com My Old Lady

Seth Rogen e James Franco novamente juntos na comédia A Entrevista

Phillip Seymour Hoffman em seu último papel no policial de Anton Corbjin O Homem Mais Procurado

Helen Mirren estrela o filme de comida dirigido por Lasse Halstrom e produzido por Spielberg e Oprah Winfrey, A 100 Passos de um Sonho

Nova comédia de Shawn Levy, estrelada por Jason Bateman, Tina Fey e Jane Fonda, se chama This is Where I Leave You

Craig Johnson se junta com Kristen Wiig e Bill Hader na comédia Skeleton Twins

 

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