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O Jogo da Imitação

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Enviado por Ghuyer em qui, 01/22/2015 - 21:41

Alan Turing foi um dos seres humanos mais brilhantes de todos os tempos, e também aquele que sofreu uma das maiores injustiças da História da humanidade. Não há hipérboles nessa constatação. Veja O Jogo da Imitação e entenderá do que estou falando.

 

Ainda que todo mundo já devesse saber os pontos centrais da vida desse homem, que o colocaram como um dos nomes mais importantes do século passado, as pessoas que desconhecem quem foi Alan Turing podem fazer tal descoberta através do bom filme estrelado por Benedict Cumberbatch e dirigido por Morten Tyldum.

O Jogo da Imitação (The Imitation Game, Inglaterra, 2014) foi adaptado da biografia “Alan Turing: The Enigma” escrita por Andrew Hodges, e tem seu título retirado de um dos artigos de Turing, no qual discute sobre o que diferenciaria o pensamento humano do pensamento de uma máquina. Alternando a narrativa em três frentes, o roteiro do estreante Graham Moore arrisca uma estrutura não linear que demora muito a mostrar a que veio, mais complicando do que ajudando a contar a história. Ao mesmo tempo em que acompanhamos a trajetória de Turing (Cumberbatch) durante a guerra, também somos apresentados pontualmente a flashbacks da infância do protagonista, e à investigação realizada anos depois pelo policial Robert Nock (Rory Kinnear). Tal entrecorte de situações acaba infelizmente quebrando o ritmo da narrativa, além de diminuindo a carga dramática de certas cenas, que acabam soando passageiras e menos emblemáticas do que poderiam ser, como aquela que mostra o jovem Turing recebendo uma notícia trágica.

 

Além disso, a direção de Morten Tyldum surge incrivelmente apagada, no piloto automático. A urgência e a tensão vistas do seu filme anterior (o ótimo Headhunters) passam longe de O Jogo da Imitação, que, pelo contrário, investe em uma abordagem leve, quase descompromissada, e recheada de momentos de humor (aquele envolvendo as maçãs é sensacional), o que acaba, em maior ou menor grau, tirando o peso dramático daquela história. E, quando o filme finalmente tenta ser mais sério, fracassa parcialmente, seja pela falta geral de seriedade do projeto como um todo, seja pelos diálogos aborrecidos com os quais tenta sedimentar alguma dramaticidade.

 

Em todo caso, o roteiro de Moore e a direção de Tyldum são vitoriosos em alguns momentos-chave da narrativa, como quando Turing finalmente se dá conta de um detalhe necessário para quebrar o código nazista, em um belo e inesperado plot twist, e em uma cena logo adiante, quando o protagonista percebe a necessidade de manter sua descoberta em segredo.

 

No entanto, ainda que o filme não contasse com essas qualidades pontuais, O Jogo da Imitação ainda valeria a recomendação graças à performance central digna de aplausos por parte do sempre excelente Benedict Cumberbatch, que encarna Turing como um sujeito que, por mais inteligente que seja, jamais soa como a caricatura do gênio incompreendido (embora o roteiro o trate dessa forma). Talentoso, Cumberbatch externaliza a vulnerabilidade e a inaptidão social de Turing através de pequenos trejeitos, como o olhar cabisbaixo e a postura levemente encurvada. E bastaria seu lamento desesperado na última cena do filme para justificar sua indicação a qualquer prêmio da categoria.

 

Contando ainda com um bom elenco de apoio, com destaque para Keira Knightley e Matthew Goode, e embalado por uma bela trilha de Alexandre Desplat, O Jogo da Imitação pode estar longe da excelência, mas é um filme que não só merece, como deve ser visto, tanto pela história que conta quanto pela interpretação que a carrega nas costas.

Poltronas 

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