A Mulher de Preto 2 - Anjo da Morte

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Enviado por Ghuyer em qui, 01/29/2015 - 18:45

Quando escrevi sobre A Mulher de Preto, segundo trabalho do ótimo James Watkins (responsável pelo primoroso Eden Lake), havia comentado que se tratava de uma obra cuja narrativa pouco importava, servindo mais como mero veículo para o diretor orquestrar longas sequências de grande tensão. O desfecho daquele longa não dava margens para continuações e, no entanto, cá estamos com A Mulher de Preto 2 - Anjo da Morte (The Woman in Black 2 - Angel Of Death, Inglaterra, 2015), um filme que tenta seguir ao pé da letra o conceito do anterior, mas que falha por completo, visto que não possui nem o menor fiapo de história para manter o interesse do espectador com o que acontece em cena.

 

Algumas décadas após os eventos do primeiro filme, em plena II Guerra Mundial, para fugir dos perigos da blitz um grupo de crianças é enviado para o interior sob os cuidados de duas professoras, que se hospedam na icônica Eel Marsh House. Largada às traças, a mansão encontra-se ainda mais isolada, pois a pequena cidade que a comportava foi aos poucos definhando após a série de mortes relacionadas à dita Mulher de Preto, e agora está praticamente deserta (“fantasma” talvez seja um termo mais adequado). A melancólica Eve (Phoebe Fox) é uma jovem ex-mãe que logo começa a ficar angustiada e desconfiada da presença de mais uma pessoa na casa. Obviamente ninguém acredita em seus temores, e ela segue sozinha para investigar a situação, com a ajuda de um piloto do exército que conheceu no trem.

As desventuras solitárias de Eve dentro das cercanias da ilha constituem como os únicos pontos positivos do filme. Apostando em uma fotografia absurdamente seca e escura (escura mesmo), o diretor Tom Harper e o diretor de fotografia George Steel criam composições mergulhadas na mais completa escuridão, resultando em momentos bastante angustiantes, quando torna-se impossível para o espectador enxergar além do parco campo de visão da protagonista, com sua pequena vela chamuscando de forma insignificante frente à opressão descolorida que é o lar da Mulher de Preto. Infelizmente, vítima de um roteiro parco e mal feito, Harper não consegue sustentar essa atmosfera de tensão no restante da narrativa, e ele mesmo sucumbe frente a vários clichês do terror, como os insuportáveis sustos súbitos e gratuitos, que aqui são incrementados pela tola trilha sonora assinada por Brandon Roberts, Marco Beltrami e Marcus Trumpps.

Outro problema recorrente é a insistência do roteiro em inserir sequências repetidas do mesmo sonho da protagonista, algo que apenas serve para alongar a duração do filme, além de oferecer no processo alguns desses sustos baratos referidos no parágrafo anterior. Escrito por Joe Croker, a partir de um argumento da própria Susan Hill (autora do livro que deu origem ao primeiro filme), o roteiro de Mulher de Preto 2 tenta criar um arco dramático entre a protagonista, que perdeu o filho, e um aluno que recém perdeu os pais, mas fracassa sem chances de redenção. Apostando em diálogos tolos e momentos em que a incoerência reina, Croker não é capaz nem de criar uma linha narrativa a ser seguida. O personagem de Jeremy Irvine protagoniza a única reviravolta do filme, que inacreditavelmente não acrescenta nada à narrativa, e serve apenas para o orçamento da produção ser gasto em algumas explosões fora de contexto.

 

Embora apresente alguns bons momentos de tensão, como aquele em que uma criança enrola um cordão no pescoço, o filme elimina qualquer chance de vitória em seu desfecho, cujo plano final integra desde já a lista dos momentos mais constrangedores do cinema em 2015. Contando ainda com uma direção de arte (de Jacqueline Abrahams) pouco criativa que empalidece se comparada ao trabalho magistral que Kave Quinn fez no longa anterior, A Mulher de Preto 2 é mais uma dessas sequências dispensáveis que abundam aos montes dentro do gênero do terror, e que serão totalmente esquecidas na semana seguinte ao seu lançamento.

Poltronas 

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