Um Senhor Estagiário

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Enviado por Felipe em sex, 09/25/2015 - 13:32

  “Um Senhor Estagiário” (The Intern), novo filme de Nancy Meyers (“Alguém Tem Que Ceder” e “Operação Cúpido”), conta a história de Ben Whittaker (Robert De Niro), um viúvo de 70 anos que não sabe muito bem o que fazer com sua vida solitária. Até o dia em que vê o anúncio de um programa de estagiários sêniores numa empresa que vende roupas pela internet chamada About The Fit e criada pela jovem Jules Ostin (Anne Hathaway). Designado para trabalhar diretamente com Jules, Ben tenta resgatar a chefa do caos em que a vida dela se encontra e, ao mesmo tempo, se sentir útil novamente.

         

Nancy Meyers faz o mesmo de sempre, outra vez novamente. O que não é nenhum problema. O cinema de Meyers tem suas qualidades, por mais quadradinho (ou redondinho) que seja. Tem seu charme, tem momentos divertidos e ótimos elencos. Claro que não passa disso, mas algumas fórmulas estão aí para serem usadas. “Um Senhor Estagiário” é o tipo de filme que você já sabe exatamente o que vai encontrar antes mesmo de entrar na sala de cinema, ou seja, não decepciona. Com uma carreira construída em cima de comédias, seja como roteirista (“O Pai da Noiva” – remake com Steve Martin) ou como diretora (“Do Que as Mulheres Gostam”), Meyers faz um cinema que não ofende (pelo menos não a mim) e que teve seu ponto mais baixo com os fraquíssimos “O Amor Não Tira Férias” e “Simplesmente Complicado”. Nancy Meyers é o Manoel Carlos dos EUA. Sempre retratando pessoas de classe média alta, brancas e com seus problemas amorosos (ainda assim, prefiro ela).

          

Não há muito a ser dito sobre “Um Senhor Estagiário”. Apenas que De Niro e Hathaway seguram bem o filme, embora já tenhamos visto ambos em papéis muito melhores e esforços muito maiores. É o tipo de filme que terá seu público garantido e que não força a barra entre o casal central. Apostando numa verdadeira amizade entre Ben e Jules e assim, faz disso o verdadeiro centro de interesse da obra. Entretanto, o longa peca sempre que mostra a vida familiar de Jules, algo que nunca convence muito e nunca inspira nada além do tédio (aliás, aqui está o verdadeiro ponto fraco do elenco, em especial Anders Holm que interpreta Matt, marido de Jules). Em resumo: é apenas aquela convenção de roteiro que está lá para tentar profundar a personagem e deixar tudo mais complicado (aparentemente). A conclusão da história dela com seu marido é nada menos do que sofrível.

Mas vale a pena prestigiar se você quiser matar tempo numa boa. E vale a pena ver o De Niro na tela grande em algo que não seja tão sofrível (As Duas Faces da Lei, Noite de Ano Novo, entre outros), apesar de preguiçoso, De Niro não é vaidoso e tem sabido aceitar seu papel de senhor de idade sem medo. É uma pena, é claro, que um dos melhores atores que já tivemos o prazer de conhecer, faça tantos e tantos filmes que estejam muito aquém de seu verdadeiro talento. Talento esse que até hoje arrasta pessoas para salas de cinema (ou sabe-se lá onde as pessoas assistem a filmes hoje em dia) muitas vezes apenas baseado em seu nome. Mas nós sabemos (e ele sabe) que é muito maior do que tudo isso que tem feito. Talvez seja esse o verdadeiro crime.

           

Pra finalizar, eu nunca achei que veria o remake de Onze Homens e Um Segredo ser referenciado tão diretamente por outro filme. Quatorze anos se passaram (uau), mas foi com surpresa que reconheci a trilha de David Holmes (o que achei ser apenas um breve aceno da diretora) até que algum dos personagens comentou abertamente sobre Clooney e sua gangue. Enfim, foi engraçado por um momento.

Poltronas 

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