Pai em Dose Dupla

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Enviado por Felipe em sex, 01/29/2016 - 02:35

“Pai em Dose Dupla” (Daddy’s Home, 2015) é um desperdício. Não chega a ser um desperdício de premissa já que não há nada de inovador nela (e nem precisa). É uma completa e total perda de tempo de uma dupla de protagonistas extremamente eficazes. Will Ferrell e Mark Wahlberg já tinham demonstrado uma química fantástica quando realizaram o excelente “Os Outros Caras” (The Other Guys, 2010). Ainda que não se compare a outra dupla formada por Ferrell com John C. Reilly e que rendeu Ricky Bobby – A Toda Velocidade (Talladega Nights: The Ballad of Ricky Bobby, 2006) e Quase Irmãos (Step Brothers, 2008), Will e Mark se completam em cena, cada um com seu tom e ambos pisando fundo na idiotice sem nunca deixarem de levar tudo a sério. O que todos esses filmes tem em comum além de Will Ferrell? Adam McKay, sócio e amigo e que neste apenas produz (quando nos demais era o diretor e roteirista).

A parceria ator/diretor de Ferrell e McKay já rendeu filmes geniais como “O Âncora” (Anchorman: The Legend of Ron Burgundy, 2004) e o já citado “Quase Irmãos”. E é uma pena que alguns dos projetos que eles toquem sejam apenas como produtores pela sua empresa, a “Gary Sanchez Productions” (“João e Maria: Caçadores de Bruxas”) que, embora tenham certo retorno financeiro, não chegam nem perto de ser tão divertidos quanto poderiam.

                  

Ah, sim, a história: Brad (Ferrell) é um cara apaixonado por sua família (esposa e dois enteados). Como ele não pode ter filhos, tenta a todo custo estabelecer uma ligação com as crianças que insistem em lhe deixar de canto ou fazer desenhos dele em que ele aparece morto. O problema é que quando tudo parece estar se ajeitando para ele, volta à cena o pai biológico Dusty (Wahlberg), um cara marrento e que está disposto a se livrar de Brad.

“Pai em Dose Dupla” é um filme cansado, que nunca consegue realmente empolgar. Sendo fã de Will Ferrell (como sou) e sabendo que é bem raro seus filmes chegarem aos cinemas daqui, confesso que me forcei a ficar animado, mesmo que todo material de divulgação deste aqui me dissesse pra não levar fé. Aqui e ali tem seus momentos divertidos, mas que podem ser contados nos dedos de uma só mão. Visando o público familiar, “Pai em Dose Dupla” engessa sua dupla principal em piadas mais velhas do que andar pra trás e recicladas de outros filmes que eles mesmos já protagonizaram (alguém insiste para que o personagem de Wahlberg vista uma camiseta e ele faz que não se importa).

                  

Will Ferrell é um dos melhores comediantes revelados pelo Saturday Night Live. Ele é o tipo de ator que consegue fazer com que praticamente qualquer coisa que diga, por mais absurda que seja, faça sentido na tela. Esse “elogio” pode ser conferido na autobiografia de Tina Fey (não sou o único a pensar isso dele, ao menos). Ferrell consegue extrair do ridículo a graça e da graça um sentido cênico. Gênio.

É realmente uma pena que “Pai em Dose Dupla” ganhe uma passagem só de ida, direto para a mesma ilha onde estão filmes de outros grandes gênios cômicos como “A Creche do Papai”, “12 é Demais” e “Os Pinguins do Papai”.

“Deusolivre”. 

Poltronas 

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