Presságios de um Crime

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Enviado por Felipe em qui, 02/25/2016 - 01:22

PRESSÁGIOS DE UM CRIME (Solace, 2015)

“Presságios de um Crime” traz Anthony Hopkins como John Clancy, um vidente que é chamado para ajudar o FBI a capturar um assassino em série (Colin Farrell). É claro que a originalidade passa longe da premissa do novo longa de Afonso Poyart (diretor do sucesso de 2012 “Dois Coelhos”) e toco neste assunto justamente para poder parar de falar nele no restante do texto. O roteiro insiste muitas vezes em lugares comuns do gênero seja no que tange à motivação (trauma do passado) ou ao jogo de gato e rato (um inimigo superior). Dito isso, os méritos de “Presságios de um Crime” são muitos.

            

Poyart consegue extrair um pouco mais do assunto do que seria esperado. E afirmo isso como alguém que consome esse tipo de filme mais “corriqueiro” em grande escala. Divertem, ajudam a passar o tempo, mas não “ficam” contigo. Não é bem o caso aqui. Com um elenco excepcional e uma direção precisa, Poyart ajusta seu estilo ao filme de forma louvável. “Dois Coelhos” é um filme de ação que permitiu com que o diretor usasse e abusasse de todas as técnicas que ele pudesse imaginar. Era um projeto que possibilitava (e até pedia) uma estilização maior e uma linguagem fresca como a de Poyart. E em se tratando do cinema nacional que - infelizmente - carece de exemplares do gênero (especialmente dos bons), o filme era muito feliz. Não é surpresa que o primeiro longa do diretor tenha chamado tanta atenção não só aqui no Brasil, como no exterior. Ainda bem.

Utilizando-se de slows e cortes rápidos que dão vida as visões do personagem de Hopkins, Afonso Poyart consegue nos colocar dentro da cabeça de Clancy seja para entendermos como algo aconteceu ou para termos pequenas peças do que está por vir e que ainda são apenas visões desconexas. Palmas para a montagem de Lucas Gonzaga que consegue nos jogar as informações ao longo da projeção sem revelar demais e, dessa forma, sempre mantendo nosso interesse. Vale apontar também o ótimo uso de efeitos visuais na composição das visões que multiplicam as possibilidades de rumo de um personagem ou que fazem com que o tempo congele ainda que a câmera passeie pelos transeuntes.

            

Quanto à dupla formada por Anthony Hopkins e Colin Farrell (dois de meus atores favoritos) o resultado é muito positivo. Hopkins compõe seu John Clancy com uma leveza inesperada, ainda que ele claramente se torture por coisas do passado. É uma pena (mas necessário para a narrativa) que Colin Farrell tenha tão pouco tempo em cena, seu personagem é muito interessante e Colin é um ator intenso (e ainda muito subestimado) que entrega sempre camadas muito interessantes às suas criações. Ainda que possa debochar das situações e ficar ansioso, seu personagem anseia por algo maior do que ele. Ele acredita em sua verdade, sua missão.

A palavra “Solace” (título original do filme) significa consolo, conforto. E, no fundo, é basicamente disso que o filme busca tratar. Ainda que numa roupagem de suspense, “Presságios de um Crime” arranja tempo para fazer um comentário sobre eutanásia, sobre a morte certa e até onde é correto alguém decidir sobre quanto tempo ainda podemos nos apegar à existência. Ainda que não se aprofunde muito no assunto, acho válida a tentativa.

Poltronas 

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