X-Men: Apocalipse

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Enviado por Felipe em qui, 05/19/2016 - 22:44

     Eu me lembro de quando o primeiro filme dos X-Men chegou aos cinemas em 2000: eu não aguentava mais esperar e já havia comprado tudo quanto era revista que trazia qualquer que fosse a informação sobre o longa. Tinha até uma que vinha com a relação do elenco escalado para viver os mutantes no filme de Bryan Singer, e fotos com o que viria a ser o visual das roupas dos heróis. Estranhei o fato de tudo ser desprovido de variadas cores, mas não me incomodei. Eu era criança e estava mais preocupado em ver logo Wolverine na tela. Além disso, era maluco pelos X-Men: gibis, jogos de Super Nintendo, a saudosa série animada e etc. Revi o filme no cinema assim que possível e me grudei no VHS quando este chegou às locadoras. Com o tempo, é claro, pude analisar o filme melhor e notar sua simplicidade, suas falhas e tentar entender o que o fazia tão empolgante. A paulada veio mesmo três anos depois com o lançamento de “X-Men 2” que é para mim (até hoje) o filme definitivo da série. Enfim, tem coisas que é melhor nem comentar (“X-Men: O Confronto Final”, 2006), mas o fato é que, contando com essa nova trilogia iniciada em “X-Men: Primeira Classe” (2011), os mutantes da Marvel sempre foram a minha franquia de super-heróis favorita. Ou, pelo menos, a que eu acho mais divertida.

                    

     E é isso que “X-Men: Apocalipse” é: divertido. Não sei se foi a empolgação de poder acompanhar novamente aqueles personagens no cinema, mas o filme “passou voando”. Mesmo carecendo de um aprofundamento mais cuidadoso de todos os personagens (e quero dizer todos), o novo filme consegue empolgar não só com os embates, mas principalmente ao nos reapresentar Jean Grey, Ciclope, Noturno e Tempestade. O novo elenco estabelece empatia logo de primeira, mesmo que o roteiro insista em criar situações forçadas, com explicações desnecessárias sobre a trama e personagens. Os atores escolhidos (e agora não falo só das caras novas) conseguem dar dignidade ao grande séquito de mutantes visto em ação.

                   

     Desde os eventos de “X-Men: Dias de um Futuro Esquecido” (2014) as coisas parecem ter retornado à normalidade com a escola de Charles Xavier (James McAvoy) funcionando e acolhendo jovens com as mais diversas peculiaridades e com Erik Lehnsherr (Michael Fassbender) agora morando na Polônia, já casado e com uma filha. O problema ocorre quando é descoberta no Cairo uma antiga tumba egípcia que guardava o corpo de En Sabah Nur ou Apocalipse (Oscar Isaac) que teria sido o primeiro mutante da história e que agora acaba de ser trazido de volta à vida. Quando Apocalipse retorna ao mundo nos anos 1980 e se depara com um lugar tomado por ameaças de bomba e “superpotências”, resolve reunir mutantes poderosos para serem os seus quatro cavaleiros e dominar a terra de uma vez por todas começando-a do zero.

                    

     Um dos maiores problemas de “X-Men: Apocalipse” é sua bagunça típica de um terceiro filme que na gana de ser totalmente épico acaba sendo estufado. Comete alguns dos mesmos erros de “X-Men: O Confronto Final” que socava personagens por todos os cantos e apostava cegamente na destruição de cenários e na preparação de uma grande batalha anunciada que, todos nós sabemos, só irá ocorrer no final do filme. Essa pressa em lançar mais e mais filmes de super-heróis em uma curta janela de tempo se reflete em seus roteiros pouco trabalhados e repetitivos, que buscam sempre soluções simples e explicações fáceis para nos convencer de que aquilo tudo está fazendo sentido e de que estamos conseguindo acompanhar. E ainda que utilizada em prol da narrativa, é perceptível a insatisfação de alguns atores com a caracterização de seus personagens e com o demorado trabalho de maquiagem. O que pode muito bem ser o caso de Jennifer Lawrence que passa grande parte do filme descaracterizada. O mais provável é que tudo seja uma desculpa esfarrapada do estúdio para economizar.

                   

     Como diria o ditado: “Menos é mais”. Talvez fizesse bem para a franquia compreender que adicionar personagens e mais e mais explosões não é tanto o segredo do sucesso. Em uma primeira visita pode até significar um bom passatempo, mas é chato constatar que o alto nível dos dois primeiros longas da franquia vinha justamente da simplicidade com que eram tratados e do excelente desenvolvimento de seus personagens. E é por isso que tanto “X-Men: O Filme” quanto “X-Men 2” ainda seguem sendo os dois melhores da cine série. Ao passo que é impossível não rir, quando Jean Grey ao sair do cinema com seus amigos de uma sessão de “O Retorno de Jedi” diz que o terceiro filme é sempre o pior. Não deixam de estarem certos, já que “O Confronto Final” ainda segue invicto como o pior de todos os seis filmes. E, no caso desse terceiro, também o mais fraco da nova trilogia.

     Ah, e não esqueçam da cena após os créditos.

Poltronas 

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