Bruxa de Blair

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Enviado por Felipe em qui, 09/15/2016 - 10:57

             Nunca fui fã de “A Bruxa de Blair” (The Blair Witch Project, 1999). Talvez eu tenha assistido ao filme original na época errada, já que, quando foi lançado eu não fiz questão de ver e sempre tive para mim que todo aquele burburinho era algo exagerado. Mas fenômenos são fenômenos. E é um fato que o filme original marcou: não só por sua proposta, mas pelo seu marketing inovador. Teve gente que acreditou naquela história toda, e é aí que esse novo filme já sai perdendo. Requentado até dizer chega e surgindo após inúmeras produções recentes que apelavam para o formato “found footage”, “Bruxa de Blair” é simplesmente desnecessário.

                      

             “Bruxa de Blair” acompanha James que, após assistir a um vídeo postado na internet, acredita que sua irmã, Heather Donahue a protagonista do primeiro filme, ainda está viva (sim, dezessete anos depois... Ok...). Junto de um grupo de amigos, o jovem se manda para a floresta de Maryland e, bom, a treta começa. E continua. E acaba. Sem muitas surpresas.

            Copiando basicamente a mesma estrutura do filme de 1999, mas ainda assim tentando adicionar novos dados à “mitologia” da franquia (e nem vou citar o “Bruxa de Blair 2 – O Livro das Sombras” de 2000 como parte disso), “Bruxa de Blair” não consegue ir muito além do que já foi mostrado e muito menos nas ideias novas que chega a propor. Além disso, a dinâmica de multicâmeras que deixa o filme mais ágil, tornando possível que consigamos acompanhar diferentes personagens e seus pontos de vista, acaba saindo como um tiro no pé ao tornar tudo mais “encenadinho”, ainda como que buscando uma “decupagem mais clássica”. Forçando a barra do elenco na gritaria e com suas câmeras tremidas, o filme ousa em mostrar um pouco mais do que o original. E não sei muito bem o que pensar sobre isso. Ah, e é claro que o nosso velho amigo e companheiro de todos os horrores o “jump scare” não faltou à festa. Ele está lá, diversas vezes. Chega a ser ridículo.

                      

            Ao contrário do que possa parecer, não detestei o filme. Só acho que, além de seus vários problemas, ele tenha chegado meio atrasado. Acreditava que já tínhamos superado essa fase depois de tantos “Atividades Paranormais” e de incursões extremamente desastradas de cineastas veteranos como George A. Romero (Diário dos Mortos) e Barry Levinson (The Bay). “Bruxa de Blair” tem momentos tensos e bem orquestrados. Dá pra sentir que há um diretor ali e Adam Wingard já provou isso em seus outros longas (“The Guest” e “Você é o Próximo”).

            Mas ficam as certezas: Adam Wingard é melhor do que isso. E o cinema também.

Poltronas 

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