Velozes e Furiosos 8

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Enviado por Ghuyer em qua, 04/12/2017 - 22:29

“Eu tinha um preconceito bem grande com Velozes e Furiosos, até que resolvi ver todos e fiquei apaixonado, inclusive chorei no final do 7” - autor desconhecido

 

Em 1998, era publicado o artigo “Racer X”, que detalhava o universo das corridas de rua nos arredores de Manhattan, em Nova York. Em 2001, era lançado o filme “Velozes e Furiosos", com argumento inspirado nos relatos recolhidos pelo jornalista Kenneth Li. Um positivo retorno das bilheterias garantiu uma continuação dois anos depois, com “+Velozes +Furiosos” (2003). Três anos mais tarde, mais uma sequência, “Desafio em Tokyo”, sem qualquer relação com os filmes anteriores (aparentemente). E tudo indicava que a coisa tinha estacionado. Até que em 2009, o diretor do terceiro filme, Justin Lin, junto ao roteirista Chris Morgan, entregam “Velozes e Furiosos 4”, cujo título original, “Fast and Furious” (literalmente “Velozes e Furiosos”) evidencia melhor a tentativa de recomeçar a série com um novo norte em mente.

 

A partir desse quarto filme, a franquia ganha um novo gás e vem se mostrando mais veloz e mais furiosa a cada nova continuação. No quinto filme, dois carros arrastam um cofre de sei lá quantas toneladas pelo centro do Rio de Janeiro, destruindo tudo em seu caminho. No sexto, em diversos pontos da Europa, karts anabolizados arremessam carros para cima de prédios, um tanque aposta corrida em uma ponte, e um avião tenta decolar com carros pendurados nas asas. No sétimo, carros saltam de paraquedas em uma republiqueta ditatorial na África, e depois um carro salta de um prédio para o outro em Dubai. No oitavo…

 

 

No oitavo, já fica claro que essa série desistiu de qualquer compromisso com a realidade, preferindo abraçar o absurdo calorosamente. E de fato, a escala de ação nonsense e tramas mirabolantes continua a crescer de forma exponencial aqui. Agora, nosso herói principal, Dominic Toretto (Vin Diesel, mais intenso que o normal), é cooptado por uma hacker chamada Cipher (Charlize Theron) que quer dominar o mundo. Sim. Porque Dom é o cara mais foda desse universo, então quando não é o próprio governo dos Estados Unidos que busca sua ajuda, aparecem vilões maquiavélicos para tentar tirar uma casquinha.

 

É aquilo, por mais que os roteiros de Chris Morgan tentem parecer espertos, com departamentos de segurança secretos, agências terroristas secretas, e reviravoltinhas aqui e ali, basta uma análise até superficial para constatar que quase nada faz sentido. E não me refiro ao escopo de conspiração mundial e órgãos governamentais que não existem. Qualquer filme de ação precisa lidar com situações assim. O que não faz sentido é a própria trama do filme. POR QUE a personagem da Charlize Theron quer tanto assim Dom trabalhando para ela? Por que ele é rápido? Hahaha. Essa é a resposta que o filme tenta vender. E é assim desde o quarto filme. E quer saber? NÃO IMPORTA que não faz sentido.

 

Porque mesmo com um roteiro tão furado quanto um queijo suíço, o fato é que Velozes e Furiosos 8 (OITO) é um filme de ação sensacional. Às vezes o que importa são explosões bem filmadas e não o porquê de as coisas estarem explodindo. É esse o caso com essa franquia cada vez mais descerebrada. Melhor fica quanto mais sem noção fica. Ainda fraqueja com seus momentos de draminha (não sei quantas vezes a palavra “família” é repetida), e seria melhor que deixassem isso de lado - embora, para ser honesto, esse oitavo filme até consegue esboçar uma urgência bastante incômoda em certos instantes, todos protagonizados pela maravilhosa Charlize Theron, que emprega uma frieza amedrontadora em seu olhar.

 

Mas o negócio acelera mesmo quando foca no ridículo e no insano. Por falar nisso, Dwayne Johnson e Jason Statham roubam todas as cenas em que aparecem, diga-se de passagem. O ouro do filme são as interações implicantes entre esses dois. Sério. Se o roteiro de Morgan merece palmas por alguma coisa, é pela constante e rebuscada troca de insultos protagonizada por eles. Embora longe do brilhantismo, o restante do elenco segue cumprindo bem seu papel coadjuvante, com destaque para Kurt Russell, divertidíssimo. E devo dizer que as tiradas cômicas de Tyrese Gibson, que vive Roman, finalmente encontraram o timing  e intensidade certas. Ou seja, a coisa só melhora.

 

Por fim, por mais que o trailer já tenha dado a entender o grau de falta de noção do filme, com a porra do SUBMARINO aparecendo, a real é o diretor F. Gary Gray constrói várias sequências de ação exemplares ao longo das mais de duas horas de duração do filme. Desde as clássicas corridas, até o já citado submarino russo, passando por diversas lutas muito bem coreografadas (minha favorita é a protagonizada em um avião).

 

Sabendo relevar a falta de lógica da trama, digo para os amigos céticos: Velozes e Furiosos 8 é o blockbuster de ação que você queria e não sabia.

Poltronas 

4

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