Anderson Silva: Como Água

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Enviado por Rafael em sab, 03/31/2012 - 21:08

Toda vez que se produz um filme abordando um esporte de combate, ou até mesmo outros tipos de esporte, uma questão deve ser pensada: “Como transmitir em tela, algo que é puramente feito de adrenalina e emoção?” Mesmo que o tema principal seja sobre um atleta, precisamos entender o que naquele esporte o atrai a ponto de ele colocar sua vida em risco. Exatamente por este questionamento é que muitas vezes os diretores comentem um erro, o de querer inserir o glamour acima da paixão, preferindo tornar o esporte visualmente mais agradável, ao invés de mostrá-lo como realmente é.  Mesmo dedicando pouco tempo para o esporte em si, Anderson Silva: Como Água consegue mostrar a paixão do esporte, sem esconder a brutalidade deste, chegando inclusive a questioná-la.           

Aproveitando, assim como o excelente Guerreiro (Warrior) do sucesso do MMA, Anderson Silva: Como Água narra a preparação para uma das mais difíceis batalhas do lutador brasileiro mais famoso dentro da modalidade, por defender o cinturão por 12 vezes seguidas. O estreante Pablo Croce filma o período de três meses que antecede a luta em defesa pelo cinturão, do campeão mundial contra o americano Chael Sonnen, filmando desde o afastamento da família e o início do treinamento até o confronto contra o adversário.

Mesmo sendo um documentário, Anderson Silva: Como Água não foge da clássica cartilha de filme de esporte, tudo que estamos habituados a ver na franquia Rocky Balboa surge aqui, só se diferenciando pelo fato de ser verídico. O árduo treinamento, a depressão pré-batalha, o combate cheio de reviravoltas, tudo aparece no documentário tornando-o como qualquer outro longa, não há nenhuma inovação, nenhuma diferenciação para torná-lo memorável. Tudo que é apresentado em tela é conhecido, mesmo que não seja algo negativo para o filme, só o torna comum.

Anderson Silva, assim como seu oponente, surge como os clássicos arquétipos que se opõem, possibilitando estabelecer uma comparação com o já citado Rocky e com Clubber Lang (Mr. T em Rocky III), visto que ambos são retratados de maneira similar aos respectivos personagens. Enquanto o brasileiro consegue cativar até mesmo aqueles que desconhecem o esporte (o meu caso) pela sua humildade e carisma, o americano consegue ser odiado pelos seus comentários impertinentes e preconceituosos. Croce acaba usando da figura de Sonnen para aumentar a simpatia do público por Anderson Silva.

É desta diferença entre os “personagens” que o documentário consegue extrair uma interessante discussão sobre o esporte em si e a motivação dos lutadores. Se de um lado temos Sonnen buscando criar um motivo para lutar, de outro temos Anderson defendendo que a luta é apenas um esporte. Por mais que Croce acabe trabalhando esta questão superficialmente, ainda assim ela se torna o ponto alto do documentário, justamente por ser um questionamento de âmbito maior, alcançando todos os esportes que envolvem confronto físico.

 Nesta nova onda de documentários sobre atletas brasileiros, Anderson Silva: Como Água não chega a ser o melhor exemplar deste subgênero crescente, mas ainda assim funciona por ser sobre vitória e superação, algo que sempre cativa o público. E sem tem algo que filmes de esporte, e que até mesmo os mais irregulares sabem transmitir para o público é esse sentimento de superação e vitória.

Poltronas 

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