A Mulher de Preto

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Enviado por Luciana em dom, 03/04/2012 - 00:45

Retornando às telas depois de finalizada a saga Harry Potter, Daniel Radcliffe é o protagonista de A Mulher de Preto, filme produzido pela Hammer (Deixe-Me Entrar) e dirigido por James Watkins (O Lago Perfeito, 2008), onde temos um remake do filme de 1989, onde curiosamente o protagonista era Adrian Rawlins, ator que interpretou Tiago Potter, pai de Harry nos filmes.

Adaptado a partir do livro homônimo de Susan Hill (lançado este ano no Brasil pela Record), o roteiro de Jane Goldman (do excelente Kick-Ass - Quebrando Tudo) sofre por alguns tropeços, fazendo com que o resultado da obra não renda tanto quanto deveria.

O filme tem início já com uma cena impactante, e logo somos apresentados às memórias (ou seriam delírios? Visões?) de Arthur Kipps (Radcliffe), jovem advogado que por consequência da recente viuvez vem tendo problemas profissionais, os quais aparentemente serão resolvidos acatando a decisão de seu chefe de lhe enviar para um vilarejo no interior da Inglaterra a fim de organizar os papéis e o testamento da falecida proprietária de uma mansão num local bastante afastado, e que na maré alta fica completamente isolado da cidade, situado numa ilha encoberta pela névoa. Porém, para fazer esta viagem ele deve deixar seu filho de três anos aos cuidados da babá.

Radcliffe está excelente encarnando um personagem de semblante triste, que passa a maior parte do tempo tenso, tanto pelo fato de ser recebido com hostilidade pelos moradores locais, quanto pelas situações as quais ele passa enquanto realiza sua tarefa. Outro ator que merece destaque é Ciarán Hinds, excelente em sua atuação – mesmo como coadjuvante – sendo o principal elo entre Arthur e tudo o que ocorre a partir do momento em que ele chega ao vilarejo. Mr. Daily, o personagem de Hinds, é um homem sofrido pelos acontecimentos com sua família, e diante da possibilidade de contato com alguém de fora do círculo dos habitantes locais – no caso Arthur – ele passa a acompanhá-lo na tentativa de deixar que ele faça o seu trabalho, mas principalmente em tentar desvendar os mistérios que cercam o local.

O design de produção é extremamente eficiente ao entregar um conjunto perfeito para produções desse tipo: a mansão onde se passa a maior parte da narrativa é assustadora por si só, incrustada em meio a uma ilha – como eu disse anteriormente, quando a maré sobe o local fica totalmente isolado – repleta de árvores, estátuas e principalmente, névoa. A névoa é quase palpável, de tão intensa. Os brinquedos existentes no quarto da criança na mansão são absurdamente assustadores. O design de som também merece destaque, a presença constante do vento, o ranger do assoalho e os diversos ruídos que a mansão exala contribuem para o clima constante de tensão e os sustos decorrentes de algumas cenas – algo salientado também pela fotografia dessaturada e de tons acinzentados de Tim Maurice-Jones.

O grande problema da obra reside no roteiro mal trabalhado e nas resoluções fáceis encontradas para os problemas apresentados. O protagonista, quando começa a se deparar e a quase interagir com os vultos que se apresentam a ele durante a estada no casarão, deveria dar as costas e ir embora, certo? Claro, seria o correto a fazer. Afinal de contas ele tem um filho para criar, que deixou com a babá e que o espera no final de semana. Ao contrário disso, ele se infiltra cada vez mais na trama, indo de encontro aos fantasmas a fim de confrontá-los e resolver de uma vez por todas o grande mistério que tem por trás disso tudo.

A Mulher de Preto teria quase tudo para ser um bom filme de terror, incluindo alguns sustos bem pontuais e a tensão presente durante quase toda a projeção. Mas não consegue se sustentar até o final, entregando um terceiro ato fraco e deixando pontas soltas, se utilizando de um desfecho que para alguns poderia ser considerado um final feliz, mas para outros – como eu, por exemplo – é uma resolução fácil para todos os problemas que se apresentaram até então. Mas uma coisa parece certa, Daniel Radcliffe tem talento para viver outros personagens que não o famoso bruxo da saga Harry Potter.

Poltronas 

3

Comentários

imagem de Giordano

Enviado por Giordano em dom, 03/04/2012 - 03:32

arvores, estatuas, nevoa, brinquedos, ranger do assoalho, ruídos de portas... e é só.

Sei lá... é bem feito? é.

Mas o design tanto de arte quanto de som é absurdamente pobre em conceito. 
O conceito é "mansão mal assombrada" e eras isso.

Só pra humilhar, comparem com o design de Os Outros... que tem todos os ícones de um filme de casa mal assombrada, mas a serviço de um conceito muito consistente na maneira como ocupa os espaços ou os deixa vazio nos aposentos.

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