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Enviado por Felipe em qua, 07/13/2011 - 22:43

 

Transformers: O Lado Oculto da Lua é uma tortura. Com suas quase três horas de duração e correria ininterrupta, consegue ser mais chato do que um jogo de bocha. O que se vê na tela são personagens desinteressantes, ótimos atores desperdiçados em papéis ridículos, piadas sem graça e tudo isso envolto em muitas, mas muitas explosões.

Nesta terceira parte da “saga”, os Autobots descobrem que uma espaçonave de seu planeta natal está escondida na lua e precisam chegar até ela antes dos Decepticons, algo que pode definir de uma vez por todas a batalha final.

Dirigido por Michael Bay com sua falta de inteligência habitual, Transformers 3 consegue o feito de tornar até as explosões chatas (e digo isso como fã confesso de filmes de ação e suas idiossincrasias). Mas tudo tem um limite. Um limite que Bay insiste em ultrapassar em todos os seus filmes. E antes estivéssemos falando de transpor barreiras positivas, mas não. Não estamos. De sua declarada falta de respeito com as mulheres e o modo como são mostradas (aparentemente fortes, mas que de uma hora para outra desembestam a gritar histericamente e sempre precisam ser salvas pelo mocinho) e exploradas (para Bay, mulheres são apenas curvas, nada mais. Algo que pode ser comprovado no primeiro plano em que vemos Rosie Huntington-Whiteley, ou então, na “engraçadíssima” piada feita com um cadáver feminino em Bad Boys 2), até sua “perspicaz” abordagem de figuras históricas como Kennedy.

Contando, mais uma vez, com a fotografia em tons amarelados, flares que insistem a estourar a toda hora na tela (filmar o sol de frente já é marca registrada) e design de som ao estilo “quanto mais barulhento melhor”, o filme não se decide se quer ser divertido ou se levar a sério demais e entre uma batalha ou outra tenta, e sem sucesso, evocar o drama da destruição do mundo por meio de músicas melosas. Francamente, esse é o máximo de relevância que Bay procura dar para os milhares de mortos na estúpida batalha entre Autobots e Decepticon, ou seja lá qual for o nome do inimigo. O que importa é que Sam (Shia LaBeouf) sobreviva ao filme, mesmo que o resto do mundo exploda (impossível não perder a piada).

Transformers 3 ao menos vem para afirmar, e com propriedade para quem não lembra de Pearl Harbor (a bomba suprema do diretor), o quão péssimo diretor de atores é o senhor Michael Bay. Contando com um elenco recheado de atores carismáticos e talentosos, como John Malkovich, Frances McDormand e John Turturro. Fica comprovado que Bay consegue extrair o pior de cada um. Falar de Turturro é “chover no molhado”. O diretor consegue a façanha de “não” utilizar Tuturro nos três filmes da série em prol de um humor babaca, superficial e ingênuo. Malkovich exibe, como de hábito, sua intensidade e Frances é a que mais se destaca conseguindo chamar a atenção com um personagem tão unidimensional.

Muito se fala que não se deve esperar muito de um filme que conta com robôs gigantes e mulheres bonitas, o que discordo plenamente. Não é esperar muito que um filme que se proponha divertido seja realmente divertido. O que não é o caso aqui. Diversão vai muito além de coisas explodindo, efeitos especiais e lutas intermináveis. “Não esperar muito” é uma das desculpas mais esfarrapadas utilizadas por fãs cegos. Diversão é envolver. E é praticamente impossível envolver as pessoas pela mesma história, ainda mais pela terceira vez e com a mesma abordagem de sempre. Simplesmente foge dos domínios desse diretor em específico, buscar novas soluções para sua já cansada saga. Ao menos, por enquanto, chegamos ao fim.

Obrigado, Michael Bay.

 

 

Canoas, 6 de Julho de 2011.

Poltronas 

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