Thor

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Enviado por Rafael em seg, 05/02/2011 - 14:22

Thor

 

Ser crítico e ao mesmo tempo fã de quadrinhos é difícil, já que enquanto um lado tem que controlar sua expectativa, o outro cria até demais. Assim como com quase todos os outros filmes de super heróis, “com Thor” não foi diferente. Tendo criado alta expectativa em mim, ainda mais com o meu fascínio por mitologia e com o fato de ver em “Thor” meu Vingador preferido. Sabendo que a decepção poderia ser grande, tentei controlar a expectativa, mas não consegui.  Quando me dirigi para assistir Thor, pensei que o meu  infarto nerd ocorreria ali, pois o sentimento de que tudo que eu cresci lendo estaria na tela estava criando vida era indescritível.

 

Roteiro e Direção

 

Comparar Thor com Homem de Ferro já seria algo natural, tendo em vista que ambos são heróis da Marvel, ambos serão os principais heróis de Os Vingadores junto com Capitão America, entre outros motivos. Mas essa comparação acaba sendo obrigatória ainda na forma como a trama escrita por Ashley Miller e Don Payne. Usando o mesmo recurso de mostrar o personagem no presente e fazer um flasback para recontar como chegou ali mostra certa preguiça por parte dos roteiristas, já que poderia contar tudo isto de uma forma nova. O erro se agrava ainda mais quando na tentativa de trazer o humor que em Iron Man soa natural pelo seu protagonista, aqui este humor é inserido no personagem descartável atribuído a Kat Dennigs.

O grande acerto do roteiro é estabelecer como base o relacionamento de pai e filhos criando um triangulo entre Odin, Thor e Loki, o que contribui para trama fluir. Sem tentar parecer muito didático o filme se livra de parecer um dramalhão, dosando bem os dramas familiares.   Sem contar as majestosas cenas de ação, que tornam o filme épico, tendo como destaque as batalhas contra o Destruidor e os Gigantes de Gelo. 

Kenneth Branagh se mostra adequado ao projeto devido ao seu conhecimento como ator e diretor que adquiriu em filmes sobre a 2ª guerra e dramas shakespearianos, já que o universo Marvel traz um pouco da essência de ambos. Conseguindo ainda equilibrar sabiamente a poderosa e reluzente Asgard com a tecnológica Terra. Branagh tem o mérito de saber usar o efeito 3D sabiamente sem cair nos efeitos previsíveis que poderia usar.  Branagh só erra ao tentar apressar a trama no final do 3ª ato o que decai um pouco diante do grande êxito que o filme tinha conseguido.

 

Elenco 

 

Uma das maiores desconfianças que se tinha era em relação a Chris Hemsworth, algo que se perde à medida que se assiste Thor. Alem de ficar visualmente parecido, consegue passar a arrogância e toda a gloria que o Deus do Trovão esbanja, só não conseguindo se sobre sair dramaticamente diante quando contracena com  seu irmão.

Mas o filme é de Tom Hiddleston, o Loki que cria consegue ser um dos personagens mais fieis aos quadrinhos retratados em tela, trazendo toda ambição e maldade que está sempre escondida por um sorriso enigmático e um olhar expressivo e intenso.

Acertando na dimensão do drama do personagem que foi colocado em uma família ao qual não pertence e sempre sendo considerado uma sombra de seu irmão. O que fica mais evidente quando olhamos o contraste entre o visual pálido e esquelético de Loki com o musculoso e vigoroso de Thor.  

Ainda é possível fazer um paralelo com Tony Wendice (personagem de Ray Milland em Disque M para Matar), um personagem que por mais que seja o inescrupuloso, cria certo carisma, fazendo que lá no fundo torcemos um pouquinho por ele. Em suma Hiddleston consegue eclipsar todo elenco quando em tela, inclusive o próprio protagonista. 

Depois de sustentar O Ritual, Anthony Hopkins volta a atuar no automático.  Não dando a devida imponência que Odin precisava, Hopkins acaba ficando apagado em cena, tendo raros momentos que consegue lembrar seu talento. Assim como Hopkins, Natalie Portman não demonstra grande esforço com sua personagem que deveria ser um elo forte de ligação com Thor na Terra, mas consegue evitar que seu personagem acabe virando uma donzela em perigo

Idris Elba mostra grande esforço e talento na composição do guardião da ponte do arco Iris, conseguindo aumentar a importância de seu personagem que já era grande  para a trama, mesmo aparecendo pouco como Heimdall.

Temos ainda uma serie de personagens que aparecem muito pouco como os quatro aliados de Thor: Volstagg, o volumoso (Ray Stevenson) Fandrall, o belo (Josh Dallas) e Hogun, o terrível (Tadanobu Asano) e Lady Sif (Jaimie Alexander) que só ganham destaque nas cenas de ação. Ainda há uma Rene Russo que pouco aparece e pouco fala, sendo apenas uma coadjuvante de luxo, assim como Kat Dennings que é erradamente colocada como alivio cômico.

 

Referencias e Fidelidade aos Quadrinhos

 

A liberdade tomada no filme serve para dar fluidez e impulsionar a trama. As maiores diferenças tomadas foram de transformar Jane Foster de enfermeira em uma pesquisadora e excluir o alter ego de Thor, algo necessário para melhor rendimento da historia, pois haveria grande chance de se tornar algo prejudicial se fosse mais fiel, trazendo para participar “ativamente” Donald Blake à trama. Com a exclusão de Donald Blake, o affair que existia entre Lady Sif e Thor acaba sendo deixado de lado, o que é plausível para o melhor desenvolvimento da trama.

Inativamente, Blake está lá, como um sendo citado como um ex-namorado de Jane Foster e seu nome sendo usado como disfarce de Thor, o que pode ser sem duvida uma possível pista do que pode acontecer em Os Vingadores.  Outra clara referencia é a fala do personagem de Stellan Skargard que diz que conheceu um cientista envolvido perigo em radiação gama que se envolveu com a SHIELD, e em seguida diz conhecer um cientista que pode lhe ajudar, pode se notar duas referencia uma a Bruce Banner (Hulk) e outra ao Dr. Hank Pym (Homem Formiga/Gigante/Jaqueta Amarela/Vespo)

É impossível não deixar de falar da participação de Jeremy Renner como Gavião Arqueiro. Apesar de aparecer muito pouco na tela, fica visível ver as características do personagem, com exceção do saiote, como sua arrogância e o senso de humor contido.  Apesar de não mostrar o personagem na ação, da para ver o seu famoso arco roxo, sua famosa arma contra o crime. Outro easter egg do filme é quando os gigantes de gelo invadem a sala de relíquias de Odin, sendo possível ver o Olho de Agamotto, que é a fonte de poder do mago supremo da Marvel, o Doutor Estranho.

Não poderia deixar de citar a cena após os créditos que faz todo leitor de HQ se sentir orgulho do que a Marvel está fazendo no cinema, não só por respeitar seus leitores, mas também por consegui ligar os filmes, como bem visto aqui onde a cena do após os créditos de Homem de Ferro 2 faz parte da trama de Thor. A cena além de dar um gostinho do que vai ser o filme dos vingadores, ainda consegue fazer o espectador repensar todo filme, afinal Loki teria manipulado Dr. Erik? Não é o pião de “A Origem”, mas várias conclusões são possíveis. 

· Bônus: Explicando a cena após os créditos

Grande parte do publico que não leu quadrinhos provavelmente vai ficar relativamente perdido quanto à cena após os créditos, já que não existe um ponto de apoio no filme que facilita a compreensão e também por não ser algo fácil assimilar como foi nas respectivas cenas de Homem de Ferro, onde ver Nick Fury e o martelo do Thor era de conhecimento geral.

A cena traz um novo elemento para o universo cinematográfico da Marvel que é o Cubo Cósmico, a fonte mais poderosa de todo o universo. O poder que o cubo contém faria seu portador o ser mais perigoso já que conseguiria transformar qualquer desejo seu em realidade. O cubo provavelmente faz uma ligação direta com o filme do Capitão América, já que o objeto sempre esteve envolvido diretamente com o Caveira Vermelha. Também sendo uma possível admitir a sinopse não liberada como verdadeira do qual afirma que Loki irá articular uma invasão alienígenas na Terra com o poder do cubo cósmico.

 

Thor talvez não seja tão bom quanto o considero e talvez, numa segunda visita, visto que contem erros, mas só por conseguir superar estes erros e ainda me emocionar na batalha com o destruidor, o filme merece a nota máxima. E se aquele sentimento de que um infarto poderia ocorrer a qualquer hora, provavelmente ele ira ocorrer só em Os Vingadores, ou quando eu encontrar pessoalmente Leonard Nimoy.

Poltronas 

5

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