As Aventuras de Agamenon, o repórter

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Enviado por Rafael em qua, 01/25/2012 - 18:14

 

   É de conhecimento geral que a televisão aberta não produz nenhum programa de humor engraçado há um longo tempo, apenas repetindo a mesma fórmula, e por consequência as mesmas piadas. Se não bastasse esta queda do humor brasileiro na televisão, os mesmos realizadores de tal proeza acreditaram que deveriam expandir para o cinema, o que levou à produção de longas como, por exemplo, Cilada.com e Muita Calma Nesta Hora, e por fim, esta aberração cinematográfica intitulada As Aventuras de Agamenon, o repórter.

    Assim como Zelig e Borat, As Aventuras de Agamenon, o repórter utiliza o estilo de falso documentário para retratar a vida do jornalista Agamenon (Marcelo Adnet quando jovem, e Hubert na fase adulta) passando por sua infância sofrível até a sua consagração como jornalista. Por estar sempre presente nos momentos mais marcantes da história mundial, desde os acontecimentos retratados em Titanic até o 11 de Setembro, Agamenon acabou se tornando famoso mundialmente, não só pela sua milagrosa saúde como também por ter sempre a sua versão dos fatos.

   A faceta documental que é vendida no início a base de depoimentos de celebridades, desde Caetano Veloso até Suzana Vieira que se mostram constrangidas com o que fazem é logo abandonada pela falta de conteúdo. Não existe uma história ou uma lógica interna, sendo bastante comum durante o longa que os fatos da história do personagem sejam contraditos pela simples intenção de se conseguir as risadas que nunca aparecem. Em dado momento estamos assistindo a um falso documentário, mas bruscamente o filme muda, apenas para conseguir algumas escassas risadas e acrescentar algo à sua trama vazia e desinteressante. O apelativo e o sem graça que entram e saem de cena acabam sendo a forma de tentar tapar a cratera que é sua bizarra trama. Agravando ainda mais o longa, temos como protagonista um personagem que surge apenas como um homem com diversos tiques, e não demonstrando nenhuma característica interessante ou substancial que faça surgir o humor. Nada o torna digno de estrelar uma comédia ou qualquer outro gênero, com exceção do fato de ser centenário, o que provavelmente renderia uma película muito mais interessante, ou pelo menos assistível, caso estivesse nas mãos de pessoas mais criativas.

    Tanto os roteiristas quanto o diretor estabelecem que sua busca por risadas deve mover o longa, é pelo divertimento do público que ele existe, e para consegui-las eles tentam combinar diferentes tipos de humor em uma tentativa de agradar a todos,  usando um repertório de gags e trocadilhos datados junto de piadas pseudo-intelectuais.  A noção de que piadas com celebridades, drogas e com a sexualidade de Leonardo DiCaprio em Titanic deixaram de ser engraçadas não muito tempo depois de serem formuladas parece não existir por parte de seus realizadores, que acreditam piamente que trocadilhos sexuais com nomes de pessoas irão ganhar o público. Tal fato pode ser comprovado pela falta do timing cômico, visto que gags são literalmente jogadas em cima de gags. Não existe o aproveitamento do humor, visto que este é jorrado em quantidades como forma de manter o mesmo deplorável padrão durante todo tempo de projeção.

  Por apelar pela repetição e pela falta de criatividade, Agamenon se mostra como uma reprise de um programa televisivo sem graça que tenta emplacar na tela grande, mas conseguindo apenas constranger seus realizadores por serem crianças imaturas, e o público, por ter pagado para assistir ao longa e todos que colaboraram de alguma forma para a história do cinema. Mais vergonhoso ainda é saber que este não é o último exemplar da migração do pessoal da televisão para o cinema.

 

Poltronas 

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Comentários

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Enviado por Maza em dom, 01/29/2012 - 21:28

nesse filme. NADA. Tudo é tosco, extremamente constrangedor, não existe uma história, uma razão para existir tal filme e muito menos para as participações durante o filme. E quando você olha um filme assim na primeira semana do ano e já acredita que exista um fortíssimo candidato a pior do ano ( e até com chances de estar entre os piores da década) é sinal que a coisa é terrível de fato. E se você acha é ruim mesmo através da crítica e comentário...acredite: quando olhar o filme entenderá que é pior ainda.

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Enviado por Kiko (não verificado) em dom, 03/18/2012 - 00:12

Borat teve seus méritos, o Sascha e a história foram muito divertidos bem diferente do Agamenon.

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