Resident Evil 5: Retribuição

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Enviado por Rafael em seg, 09/24/2012 - 14:11

Um dos deveres dos críticos seria o de analisar um longa indiferente de sua origem, seja ele um remake ou uma adaptação de outra mídia, não se importando em como a ideia inicial surgiu, mas sim como ela foi executada e apresentada em tela. No caso de Resident Evil 5: Retribuição (Resident Evil: Retribution, 2012), sou obrigado  a abrir uma leve exceção, porém não me apoiando na questão de fidelidade em comparação com a série de jogos na qual se baseou, mas para estabelecer uma comparação de como ambas conseguiram entrar em uma espiral decrescente desvirtuando-se completamente da sua proposta original.

Em um tom nostálgico, posso dizer que cresci com a série de jogos Resident Evil. Na minha infância existia todo um culto em torno dos primeiros jogos devido ao terror e ao medo que nos causava, um grupo de crianças de dez anos que tinha o vídeo game como uma grande diversão. Sabendo que a mesma fórmula poderia logo entediar o seu público, os realizadores resolveram inovar inserindo maiores desafios, como zumbis inteligentes que gritavam e que andavam de motos e carros. Não contentes começaram a inserir monstros, criaturas deformadas e outros tipos de seres bizarros, embora ainda mantem-se os zumbis presentes nos jogos. Eis que surge o problema: a série se perdeu, não há o mesmo medo/suspense que se tinha antes, agora há somente a ação vazia.

Deste mesmo modo caminhou a franquia cinematográfica Resident Evil. Se no primeiro (e irregular) longa víamos os antagonistas como comedores de miolos, neste quinto temos apenas um eco deles, que servem somente para amplificar a já excessiva ação. O roteirista dos cinco longas, que dirigiu o primeiro, quarto e este novo exemplar, Paul W. S Anderson, parece não saber o que quer contar. Nos primeiros longas tínhamos um foco para o suspense e o terror, já no terceiro era apresentado um cruzamento entre a ficção cientifica e um road movie pós-apocalíptico. Por fim, no quarto e neste quinto exemplar, temos um longa de ação ininterrupta, que liga uma sequência a outra por uma breve história, que não consegue sustentá-la.

A história do quinto longa é ligada usando o mesmo (clássico) modelo de jogo de vídeo game, há fases onde os capangas devem ser superados até a chegada do vilão maior, até um encontro com o grande articulador de tudo. Em outras palavras, a desculpa ideal que Anderson tem para colocar lutas, explosões e perseguições sem precisar de uma maior justificativa. O que se segue então são sequências protagonizadas por personagens que continuam tão apáticos quanto na primeira vez que aparecerem na série, incluindo a protagonista interpretada por Milla Jovovich, que agora ganha uma “filha”, uma tentativa (falha) de motivar e ao mesmo tempo de humanizá-la perante o público. Um dos muitos recursos dramáticos que Anderson usa para tentar tornar tudo mais dramático, porém em suas mãos não só falham como também acabam soando grandes clichês.

Analisando como uma franquia, faz bastante sentido Resident Evil 5  ter um flashback resumindo os quatro longas anteriores, uma forma de tentar criar algum senso lógico entre as histórias anteriores com a deste longa. Assim, não chega a surpreender que por ter utilizado a desculpa “A Umbrella criou” desde o primeiro filme, ele tenha se perdido. Anderson não sabe inserir mudanças e combiná-las com o tipo de história que pretende contar, por ter usado como base a mistura de ficção cientifica com zumbis, o longa acaba destoando da já citada ação desenfreada.

Sou levado a dizer que Paul. W. S. Anderson além de não saber dosar a ação e ter um controle sobre a história que conta, parece ter a mente de uma criança de dez anos (o que de certa forma seria uma ofensa a todas as crianças de dez anos).  Mesmo o fato de que ele não saiba estruturar seus personagens não explica o motivo de ele ainda acreditar que tiros e mulheres seminuas possam sustentar a história.

Ainda que praticamente insuportável, Resident Evil 5 tem um mérito, que é a cena inicial, onde acompanhamos uma cena de ação que faz ponte com o longa anterior, de trás para frente. Se bem que isso não chega a ser nenhum mérito para toda uma geração que teve um videocassete em casa e pode rebobinar fitas a vontade. Coincidentemente, o vídeo cassete fez parte, ainda que pouco, da geração que jogou Resident Evil.

Poltronas 

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